Odeio versos, estrofes e tudo Odeio o que é certo Odeio o que é errado Odeio poemas, poesias e o resto Me perguntaram se sou apaixonado por isso Eu dei risada O que eu amo é dar significado ao insignificável E este é o trabalho do operário poeta Que enquanto mata um leão por dia Têm que separar cada luta em palavras Porque se isso não faz, a cabeça não consegue descansar No travesseiro É, isso é coisa de louco É a droga mais pesada que já experimentei É o vício mais insano Se tivesse uma reabilitação para esses viciados Me internaria para sempre Só para convence-los a não usar espaços brancos em suas obras Porque a vida está cheia deles
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Bellum
Mulher e filho se foram na guerra Me viciei em drogas e Coca-cola Isso não é passageiro Eles não são só numeros Por um lado meu olhar ganhou mil significados Ficarei sozinho o resto da noite Junto desta mudança repentina, os distintivos Minha alma entra em conflito Então acendo a luz que existe em mim Para encontrar um jeito, uma maneira enquanto escrevo De não me arrepender de ter honrado a bandeira
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PROCLIVITAS
PROCLIVITAS
Querido eu de dez anos atrás Você é o meu herói Você é o meu mapa infinito Você está distante daqui
As paisagens antes em chamas Moldaram o meu amanhã Passei muito tempo tentando alcançar as estrelas Sem ao menos saber como pular
Quando havia buracos no caminho Gritei o mais alto que podia Sentindo a dor de cada queda Me revirando de ponta-cabeça atrás daquilo que queria
Hoje, em meu aniversario de sobriedade Relembro o que perdi para este maldito vício Me sentindo como uma criança Hoje cruzo os sete mares lutando contra o eu antigo
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Filho da fruta
Ofício, orifício Sim, o chamado cu Para que tu serves? Se tu fosses maior para eu me enfiar dentro Fazer uma autopenetração humana Me esconderia desses filhos da puta Falar bem a verdade, nem sei que merda estou fazendo Eu deveria estar morto Com um paletó de madeira daqueles bem grandes para os meus 128 KG E um buraco de 2 KM na terra Tudo para caber a minha gordura Acho que descontei a minha desgraça comendo porcaria Sou solteiro desde o útero, poeta desde o óvulo E um recente filho da fruta Sabe, quando a sua vida está um lixo você se torna uma pessoa ruím Você começa a botar culpa em outras pessoas Seu ego querendo sair pela boca É uma constante luta Mas se conseguir passar por isso, meu amigo Você vai se tornar um outro filho da fruta
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Muta
Como alguém pode me amar? Com este coração analfabeto A burrice aos poucos o consome Moralmente esta morto Deixou de andar nos trilhos Murchou junto das rosas Dizer “eu te amo“ a alguém é impossível Para este escravo de um tolo cérebro Ah, se eu tivesse uma chave para abri-lo... Com certeza lhe daria um tiro Porque gente burra o coração não merece
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Casa menos
Uma casa, dois filhos, uma mulher Para uns Eu repito Para uns Eu corrijo Para uma parte Para a maioria na sinceridade É um doloroso coice de cavalo Então há traições Então há agressões E por fim, o fim Daí o cara casa de novo Entra no mesmo círculo vicioso Eu te pergunto Por que tu casa então, arrombado?
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Viajante
Uma alma escapou do inferno Deixou os solitários na terra Eles esqueceram de regar as plantas São máquinas pré-programadas para Fazer propagandas
O viajante deixou o recado Não gostou das novidades Não gostou da poeira dos livros Odiou os cogumelos Odiou as guerras nucleares
Se houver um homem no céu Ele deve pensar coisas terriveis sobre nós Deixe as criança brincarem Deixe as crianças morrerem
Se houver um homem no céu Ele deve pensar coisas terriveis sobre nós Sejam crianças obedientes Sejam crianças carentes E felizes por si só
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É bom ouvir o som do vento
É bom ouvir o som do vento Onde não há um coração batendo Nenhum monstro berrando Só o sol iluminando o campo Dizendo bom dia as flores
Longe da poluição e dos engravatados Distante das buzinas Longe do barulho dos martelos Dos muros grandes O som dos galos e da água que escoa Dos rios
E quando a noite chegar vestirei o terno Voltarei a ser um empregado Aceitar a vida de alienado Trocar a tranquilidade dos campos Pelo caos da cidade grande
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TOLO SONHADOR
Eu matei o outro alguém Me tornei outra pessoa Tenho a maldição de ser um sonhador Vivendo em um lugar distante
A lua não fica longe Fazendo o melhor que posso Meu trabalho é criar mundos E os faço de coração
Uma flor, uma rosa Uma maldição que cresce Um câncer que consome a alma Uma fogueira pelo vento apagada
Procuro o sentido acreditanto no destino Ele resolverá tudo isso Não sendo forte bastante para chorar Mas fraco para magoar e bobo para sonhar
Quando a vela se apagar estarei em paz Irei para o paraíso que sonho Reecontrar as pessoas que amo Rir pelos rancor que guardei Chorar pelos arrependimentos e agradecer Pelos sonhos que tive
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Tal pai, não filho
Ninguém compreende Nasci em uma geração de loucos Não há cara a cara Não há olho no olho E os pais não entendem onde estão Os filhos Com seus celulares, em mundos longinquo
Não se preocupe com isso Não se preocupe com isso É a magia do tempo Tal pai, não filho
Os aviões estão voando As paisagens em chamas As novas lendas surgindo Moldarão o amanhã
As bandas que antes tocavam Estão na última fileira do bar Ninguém compra mais discos A sociedade desaprendeu a falar
Não se preocupe com isso Não se preocupe com isso Os bebês começaram a andar Tal pai, não filho