Lista de Poemas
GRAY
Um velho atravessando a rua.
Um velho de boné,
Com uma pequena bolsa de couro, preta, na mão.
Um velho parecido com Neruda.
Um velho pisando nos para lele pípedos,
Carregando a manhã cinzenta para casa,
Onde o espera uma mulher velha.
Quando todos os dias serão cinza.
E o vento agita as árvores malvestidas.
Um velho de boné,
Com uma pequena bolsa de couro, preta, na mão.
Um velho parecido com Neruda.
Um velho pisando nos para lele pípedos,
Carregando a manhã cinzenta para casa,
Onde o espera uma mulher velha.
Quando todos os dias serão cinza.
E o vento agita as árvores malvestidas.
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LAODICÉIA
Ó Deus! Tua rádio, agora, toca músicas banais,
Celebrando o amor de homem e mulher.
(A oferta se adapta à demanda ou cria a demanda?)
Onde estão os hinos, os hinos de louvor?
Deus, não estás cansado
De tanta música ruim?
Tua igreja enriqueceu,
Nada lhe falta dos prazeres mundanos;
Vestiu as roupagens do Século nos teus hinos,
E agora os levitas cantam com voz esganiçada,
Existencialista, enquanto
Um pianinho pop faz o fundo.
Celebrando o amor de homem e mulher.
(A oferta se adapta à demanda ou cria a demanda?)
Onde estão os hinos, os hinos de louvor?
Deus, não estás cansado
De tanta música ruim?
Tua igreja enriqueceu,
Nada lhe falta dos prazeres mundanos;
Vestiu as roupagens do Século nos teus hinos,
E agora os levitas cantam com voz esganiçada,
Existencialista, enquanto
Um pianinho pop faz o fundo.
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ESTRATÉGIA
Poesia não resolve muita coisa.
O coração cultiva a semente da dor
A fim de contemplá-la em flor
Entreaberta.
A semente é indestrutível,
Mas a flor pode ser queimada.
O coração cultiva a semente da dor
A fim de contemplá-la em flor
Entreaberta.
A semente é indestrutível,
Mas a flor pode ser queimada.
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CONTEMPLAÇÃO 2
A natureza é hora alegre a mais não poder,
Depois torna-se sensual e convida ao prazer.
Às vezes é triste, mas de uma tristeza bela,
O tipo de tristeza que a gente sente
Quando toca a orla de uma beleza inefável.
Ou, então, ela nos transforma em místicos contemplativos,
Sentados sobre a erva como folhas caídas,
Sendo acariciados pelo mais leve roçar da aragem
Na dança de huris das folhagens.
Cada novo dia a natureza veste sua mais bela roupa,
Veste de chuva ou sol, cada qual melhor costurada.
Deus disse que o encontraríamos na natureza,
Que ela é obra e testemunho perene de suas mãos.
Cada crepúsculo é insuperável como obra de arte
Que ele compõe utilizando nuvens e céu e sol e vento.
Meditando nessas coisas, e sem querer dar o braço a torcer,
Certos sujeitos que chamam a si mesmos de “cientistas”
Inventaram uma tal Hipótese Gaya. Bah!
Como se a própria terra fosse um deus ou deusa,
Ou como se a ideia fosse nova, não tivessem já os gregos
Pensado nisso há tanto tempo.
É bom ficar aqui sentado, enquanto posso,
Redescobrindo a mim mesmo como parte desta natureza mutável.
Foi para este fim que Deus me criou.
Amar a natureza e comungar com ela
Não tem nada a ver com flauta de Pã,
Epicurismo ou sei lá mais o quê!
Sócrates diria que a natureza sendo bela
E possuindo-a alguém, por estar em comunhão com ela
De nada mais teria necessidade,
Pois o Bom e o Belo, que afinal são a mesma coisa,
Não podem desejar o que não lhes falta.
No entanto, não é possível negar
A beleza suprema da natureza,
Nem é solução dizer
Que ela é intermediária entre o Belo e o Feio.
Ela é bela simplesmente, em si mesma,
Como cada coisa bela é uma beleza em separado.
E a luz nunca se sacia de luz.
Depois torna-se sensual e convida ao prazer.
Às vezes é triste, mas de uma tristeza bela,
O tipo de tristeza que a gente sente
Quando toca a orla de uma beleza inefável.
Ou, então, ela nos transforma em místicos contemplativos,
Sentados sobre a erva como folhas caídas,
Sendo acariciados pelo mais leve roçar da aragem
Na dança de huris das folhagens.
Cada novo dia a natureza veste sua mais bela roupa,
Veste de chuva ou sol, cada qual melhor costurada.
Deus disse que o encontraríamos na natureza,
Que ela é obra e testemunho perene de suas mãos.
Cada crepúsculo é insuperável como obra de arte
Que ele compõe utilizando nuvens e céu e sol e vento.
Meditando nessas coisas, e sem querer dar o braço a torcer,
Certos sujeitos que chamam a si mesmos de “cientistas”
Inventaram uma tal Hipótese Gaya. Bah!
Como se a própria terra fosse um deus ou deusa,
Ou como se a ideia fosse nova, não tivessem já os gregos
Pensado nisso há tanto tempo.
É bom ficar aqui sentado, enquanto posso,
Redescobrindo a mim mesmo como parte desta natureza mutável.
Foi para este fim que Deus me criou.
Amar a natureza e comungar com ela
Não tem nada a ver com flauta de Pã,
Epicurismo ou sei lá mais o quê!
Sócrates diria que a natureza sendo bela
E possuindo-a alguém, por estar em comunhão com ela
De nada mais teria necessidade,
Pois o Bom e o Belo, que afinal são a mesma coisa,
Não podem desejar o que não lhes falta.
No entanto, não é possível negar
A beleza suprema da natureza,
Nem é solução dizer
Que ela é intermediária entre o Belo e o Feio.
Ela é bela simplesmente, em si mesma,
Como cada coisa bela é uma beleza em separado.
E a luz nunca se sacia de luz.
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HORIZONTE
Ali onde o horizonte se mostra ao olhar
A estrada se contorce.
Amanhã, onde estaremos?
Certamente haverá sol ou chuva.
Seja como for, estarei contente
E tocarei minha flauta.
E quando o aguilhão do tempo se fizer sentir
Na carne murcha, a morte virá
Com pés precípites buscar a roupa velha
Que lhe pertence.
A morte e o verme estão a serviço da terra
Que deseja construir cristais e montanhas de calcário,
Sobre as quais The Roaring Winds passeiem
E um sol nasça ou se ponha.
A estrada se contorce.
Amanhã, onde estaremos?
Certamente haverá sol ou chuva.
Seja como for, estarei contente
E tocarei minha flauta.
E quando o aguilhão do tempo se fizer sentir
Na carne murcha, a morte virá
Com pés precípites buscar a roupa velha
Que lhe pertence.
A morte e o verme estão a serviço da terra
Que deseja construir cristais e montanhas de calcário,
Sobre as quais The Roaring Winds passeiem
E um sol nasça ou se ponha.
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ORAÇÃO 2
Oh guia-me, Senhor,
Pois não sei como andar
Nesta escura floresta!
Se pretender conduzir-me
Sem a tua ajuda meus pés,
Certamente, me levarão por
Falsos caminhos,
Caminhos que conduzem
A lugar nenhum.
Porém, entrego a ti a direção,
Clamo a ti, estendo-te a mão,
Aspiro tua doce presença.
E a caminhada que ora inicia
Já chegou ao fim.
Pois não sei como andar
Nesta escura floresta!
Se pretender conduzir-me
Sem a tua ajuda meus pés,
Certamente, me levarão por
Falsos caminhos,
Caminhos que conduzem
A lugar nenhum.
Porém, entrego a ti a direção,
Clamo a ti, estendo-te a mão,
Aspiro tua doce presença.
E a caminhada que ora inicia
Já chegou ao fim.
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