HAI-KAI 2000
Ai... Caí!
Ou:
Aí... Cai!
COSTUME
O ácido do tempo rouba das flores
A seiva e o viço perfumado,
E coloca entre as palavras
E os meus olhos
A tela do cotidiano,
Contrária ao sentido.
PAISAGEM MÁXIMA
Diante de meus olhos estendem-se os céus que o Senhor estabeleceu,
A grande tela esticada na qual a mão do Mestre-Pintor
Executa as mais perfeitas aquarelas e os óleos mais refinados,
A cada manhã, a cada entardecer.
Todos estes quadros, ó Deus, trazem a tua assinatura,
E é também assim que os homens te reconhecem,
Pois os convidas, a cada dia, para um novo “vernissage”
Na galeria da terra inteira,
Onde penduras as tuas obras no próprio firmamento!
Tu utilizas pincéis de nuvens, de atmosfera e de vento,
E corantes de sóis para compor estas obras-primas
Que se renovam perpetuamente, a cada novo dia.
Os pobres não precisam frequentar as galerias de arte,
Basta-lhes abrir a janela e contemplar a pintura restaurada
Da natureza celestial, estendida na amplidão
E emoldurada pela terra verde e castanha.
De repente, os pássaros irrompem no teu quadro,
A ele acrescentando o seu voo
Com círculos precisamente desprovidos de sentido;
Ao teu chamado passam a fazer parte da tela celestial.
Contemplamos, ó Deus eterno, tua mutável criação,
A renovada beleza da obra de tuas mãos,
Com nossos corações pulsando em júbilo sob o céu;
Louvamos a ti que de tal plenitude nos fizeste participantes!
Diante de nossos olhos maravilhados, de uma vez e para sempre
Realizaste a tua obra máxima.
GRAY
Um velho atravessando a rua.
Um velho de boné,
Com uma pequena bolsa de couro, preta, na mão.
Um velho parecido com Neruda.
Um velho pisando nos para lele pípedos,
Carregando a manhã cinzenta para casa,
Onde o espera uma mulher velha.
Quando todos os dias serão cinza.
E o vento agita as árvores malvestidas.
PAISAGEM MÁXIMA
Diante de meus olhos estendem-se os céus que o Senhor estabeleceu,
A grande tela esticada na qual a mão do Mestre-Pintor
Executa as mais perfeitas aquarelas e os óleos mais refinados,
A cada manhã, a cada entardecer.
Todos estes quadros, ó Deus, trazem a tua assinatura,
E é também assim que os homens te reconhecem,
Pois os convidas, a cada dia, para um novo “vernissage”
Na galeria da terra inteira,
Onde penduras as tuas obras no próprio firmamento!
Tu utilizas pincéis de nuvens, de atmosfera e de vento,
E corantes de sóis para compor estas obras-primas
Que se renovam perpetuamente, a cada novo dia.
Os pobres não precisam frequentar as galerias de arte,
Basta-lhes abrir a janela e contemplar a pintura restaurada
Da natureza celestial, estendida na amplidão
E emoldurada pela terra verde e castanha.
De repente, os pássaros irrompem no teu quadro,
A ele acrescentando o seu voo
Com círculos precisamente desprovidos de sentido;
Ao teu chamado passam a fazer parte da tela celestial.
Contemplamos, ó Deus eterno, tua mutável criação,
A renovada beleza da obra de tuas mãos;
Com nossos corações pulsando em júbilo sob o céu,
Louvamos a ti que de tal plenitude nos fizeste participantes!
Diante de nossos olhos maravilhados, de uma vez e para sempre
Realizaste a tua obra máxima.
LAODICÉIA
Ó Deus! Tua rádio, agora, toca músicas banais,
Celebrando o amor de homem e mulher.
(A oferta se adapta à demanda ou cria a demanda?)
Onde estão os hinos, os hinos de louvor?
Deus, não estás cansado
De tanta música ruim?
Tua igreja enriqueceu,
Nada lhe falta dos prazeres mundanos;
Vestiu as roupagens do Século nos teus hinos,
E agora os levitas cantam com voz esganiçada,
Existencialista, enquanto
Um pianinho pop faz o fundo.
ORAÇÃO 2
Oh guia-me, Senhor,
Pois não sei como andar
Nesta escura floresta!
Se pretender conduzir-me
Sem a tua ajuda meus pés,
Certamente, me levarão por
Falsos caminhos,
Caminhos que conduzem
A lugar nenhum.
Porém, entrego a ti a direção,
Clamo a ti, estendo-te a mão,
Aspiro tua doce presença.
E a caminhada que ora inicia
Já chegou ao fim.
ENTREATO
Por um ar de granizos
Entre o meu e o teu olhar
Dardejavam puros sorrisos
De um lento, cruel afagar.
A brisa era tépida e como
Um mar que nos envolvesse,
Sempre a indicar o rumo
Da ternura posta em messe
Madura... Mas o tempo breve
Diluiu numa lágrima muito leve
O que nascia ridente.
E já que a semente era posta,
Viagem segui, tendo às costas
A esperança contente.
HORIZONTE
Ali onde o horizonte se mostra ao olhar
A estrada se contorce.
Amanhã, onde estaremos?
Certamente haverá sol ou chuva.
Seja como for, estarei contente
E tocarei minha flauta.
E quando o aguilhão do tempo se fizer sentir
Na carne murcha, a morte virá
Com pés precípites buscar a roupa velha
Que lhe pertence.
A morte e o verme estão a serviço da terra
Que deseja construir cristais e montanhas de calcário,
Sobre as quais The Roaring Winds passeiem
E um sol nasça ou se ponha.
CONSISTÊNCIAS
O leve pássaro
Conduz a si mesmo.
A pluma é leve,
Mas vai a esmo.