Lista de Poemas
ATREVIMENTO
O mosquito é bem pequeno e pode ser destruído com facilidade; mas também sabe que a sua picada causa muito incômodo, e por esse motivo torna-se atrevido.
83
NOÉ
Todas as tardes eu libero pombas e corvos
Da minha janela sobre as águas.
Há muita carniça para os corvos,
Contudo, as oliveiras ainda estão submersas.
Da minha janela sobre as águas.
Há muita carniça para os corvos,
Contudo, as oliveiras ainda estão submersas.
34
WELCOME TO MART
Meteoro remoto,
Calmo calor tem o atol.
A tela era como a mola
A meta e o alto
Ramo;
O malte ocre, o olmo mole.
Ela tem tal
Mero e alto eco
A coar
O alto o ereto, remoto
Cometa.
Realce em certo maremoto
Ramo e cetro a amolecer
O cereal
Claro calor era
O motor
A tecer a torta tela
A orla e o teto
Em ralo cloro certo.
Mar remoto,
O meteoro corta
Em Creta
A clara coroa
A lotear o corte
A lotar o teatro
A comer o cereal,
Alerta, o rato
Ar calmo, claro
Mar alto.
Calmo calor tem o atol.
A tela era como a mola
A meta e o alto
Ramo;
O malte ocre, o olmo mole.
Ela tem tal
Mero e alto eco
A coar
O alto o ereto, remoto
Cometa.
Realce em certo maremoto
Ramo e cetro a amolecer
O cereal
Claro calor era
O motor
A tecer a torta tela
A orla e o teto
Em ralo cloro certo.
Mar remoto,
O meteoro corta
Em Creta
A clara coroa
A lotear o corte
A lotar o teatro
A comer o cereal,
Alerta, o rato
Ar calmo, claro
Mar alto.
40
NO BANQUETE
Platão aprisionou com dura corrente o amor ao desejo,
Escondendo a chave por mil anos ou mais,
Enquanto Sócrates, bebendo a seu bel-prazer,
Decretou aos que viriam pelos séculos
Que o Amor não conquistaria jamais a Beleza,
Objeto de seu desejo, pois, se o fizesse
Não seria mais aquele Amor em falta.
Mas o contrário é o que, justamente, entre os homens se vê:
Os mais belos aproveitando esta sua qualidade
Para conquistarem os mais belos.
Toda Beleza quer ampliar-se e acrescentar mais,
Pois, quanto seja, é apenas uma pequenina parte da Beleza
E aspira ao todo.
Escondendo a chave por mil anos ou mais,
Enquanto Sócrates, bebendo a seu bel-prazer,
Decretou aos que viriam pelos séculos
Que o Amor não conquistaria jamais a Beleza,
Objeto de seu desejo, pois, se o fizesse
Não seria mais aquele Amor em falta.
Mas o contrário é o que, justamente, entre os homens se vê:
Os mais belos aproveitando esta sua qualidade
Para conquistarem os mais belos.
Toda Beleza quer ampliar-se e acrescentar mais,
Pois, quanto seja, é apenas uma pequenina parte da Beleza
E aspira ao todo.
46
MEIO-VERÃO
Milhares de mãozinhas acenam
Agitadas pela brisa mansa:
As folhas das árvores.
Um imenso e verde animal
Parece espreguiçar-se ao sol do meio-dia,
Entorpecido pela mornidão do ar:
A natureza.
Agitadas pela brisa mansa:
As folhas das árvores.
Um imenso e verde animal
Parece espreguiçar-se ao sol do meio-dia,
Entorpecido pela mornidão do ar:
A natureza.
45
TUA VOZ
Onde se houve a tua voz, tua voz que eu não mais escuto?
Que paredes, que ouvidos percebem o som desta tua voz
Que a mim não chega mais?
Mas o que dizem as tuas palavras que eu não compreendo
Nesta distância?
Teus lábios movem-se, jorrando uma cascata de frases;
Teus lábios fecham-se quando escutas, abrem-se
Quando cantas... mas eu não posso ouvir.
Sei que falas. A tua boca transborda com tantos tesouros,
Uma a uma libertas as tuas pombas,
Todas brancas de neve, todas de asas rutilantes.
Tua voz transforma o mundo,
Faz com que ele seja habitável, cria um remanso,
Penetra fundo no desconhecido
Extraindo dele objetos familiares;
Tua voz é cotidiano pão do sentido mais comum,
Abre sulcos na terra de cada dia
Onde as palavras se depositam como grãos
De dourado milho germinando
Ao calor do sol que sempre te ilumina.
Sei que paredes acolhem a tua voz,
Sei que ouvidos estão atentos à tua voz,
Quando falas, quando silencias, quando cantas.
Todavia, eu nada escuto.
Aprisionado nesta distância,
Separado de ti por prédios e quintais, nada ouço,
Embora saiba que a tua voz está soando o dia inteiro.
O Criador colocou no mundo este grão de alegria: a tua voz.
Nós o louvamos, agradecemos a ele por isso;
Pois embora meus ouvidos estejam longe da fonte do canto,
A certeza da tua voz que soa me alimenta
Com um pão de alegria e coragem.
Pela eternidade soará a tua voz.
Porque os braços do Pai te acolhem
Descerrando-te as portas do mistério,
Eu posso repousar e amar,
Ainda que tu não estejas nesta encruzilhada de tempo e espaço.
Porque cantas, eu posso caminhar.
Que paredes, que ouvidos percebem o som desta tua voz
Que a mim não chega mais?
Mas o que dizem as tuas palavras que eu não compreendo
Nesta distância?
Teus lábios movem-se, jorrando uma cascata de frases;
Teus lábios fecham-se quando escutas, abrem-se
Quando cantas... mas eu não posso ouvir.
Sei que falas. A tua boca transborda com tantos tesouros,
Uma a uma libertas as tuas pombas,
Todas brancas de neve, todas de asas rutilantes.
Tua voz transforma o mundo,
Faz com que ele seja habitável, cria um remanso,
Penetra fundo no desconhecido
Extraindo dele objetos familiares;
Tua voz é cotidiano pão do sentido mais comum,
Abre sulcos na terra de cada dia
Onde as palavras se depositam como grãos
De dourado milho germinando
Ao calor do sol que sempre te ilumina.
Sei que paredes acolhem a tua voz,
Sei que ouvidos estão atentos à tua voz,
Quando falas, quando silencias, quando cantas.
Todavia, eu nada escuto.
Aprisionado nesta distância,
Separado de ti por prédios e quintais, nada ouço,
Embora saiba que a tua voz está soando o dia inteiro.
O Criador colocou no mundo este grão de alegria: a tua voz.
Nós o louvamos, agradecemos a ele por isso;
Pois embora meus ouvidos estejam longe da fonte do canto,
A certeza da tua voz que soa me alimenta
Com um pão de alegria e coragem.
Pela eternidade soará a tua voz.
Porque os braços do Pai te acolhem
Descerrando-te as portas do mistério,
Eu posso repousar e amar,
Ainda que tu não estejas nesta encruzilhada de tempo e espaço.
Porque cantas, eu posso caminhar.
66
INCONCEBÍVEL
Depois de fechar a porta eu me vi a sós
No quarto que tinha o tamanho do universo.
Todas as coisas que importavam
Haviam ficado do outro lado da porta.
Do lado de dentro eu não podia mais abrir,
E, do lado de fora, somente a princesa dos sonhos
Recônditos poderia, se quisesse, abrir para mim.
Cometas riscavam o firmamento do meu quarto.
Colei o ouvido à porta para escutar os teus passos
Do outro lado, nas tuas ocupações singelas,
Na tua azáfama doméstica. Lentamente,
O som das sandálias diluiu-se no vazio inconcebível.
61
SÚPLICA
Deus meu, que conheces as respostas,
Tu, Senhor, que avalias os caminhos dos homens
E consideras as razões dos seus corações;
Deus meu, a ti estendo, em súplica, as minhas mãos,
Imploro o teu perdão e a tua luz
Para os meus caminhos tão obscurecidos.
Parado estou à beira desta estrada,
Na encruzilhada da vida,
Sem saber para onde dirigir os meus passos.
Meu coração está pesado, minhas costas vergam,
Os meus joelhos vacilam — eu arquejo
Sob esta carga ingente!
Se, no entanto, pretender depô-la,
E por um segundo respirar aliviado,
E por um instante repousar meus olhos na paisagem...
Não consigo, Senhor!
Pois este fardo tão pesado tornou-se parte de mim,
Está firmemente atado às minhas costas.
Como o mosquito que prendeu a si mesmo na teia da aranha,
Da mesma forma fiquei eu preso nas consequências de meus erros.
Desmancha esta teia, meu Deus, com um sopro
Da tua boca, com um simples olhar!
Tira de meus pulsos as algemas e as pesadas correntes,
Pois sou por elas conduzido para onde não quero ir.
Restaura, Senhor, a minha vida
E faz-me andar na plenitude da tua bondade.
Pois tu, ó Deus, permitiste que nas minhas tribulações
Eu pudesse, ainda, aprender valiosas lições.
Que eu tome alento, então, antes que passe como a sombra.
Leva-me para junto das águas de descanso,
Para os verdes prados onde o alimento é abundante.
Tu, Senhor, que avalias os caminhos dos homens
E consideras as razões dos seus corações;
Deus meu, a ti estendo, em súplica, as minhas mãos,
Imploro o teu perdão e a tua luz
Para os meus caminhos tão obscurecidos.
Parado estou à beira desta estrada,
Na encruzilhada da vida,
Sem saber para onde dirigir os meus passos.
Meu coração está pesado, minhas costas vergam,
Os meus joelhos vacilam — eu arquejo
Sob esta carga ingente!
Se, no entanto, pretender depô-la,
E por um segundo respirar aliviado,
E por um instante repousar meus olhos na paisagem...
Não consigo, Senhor!
Pois este fardo tão pesado tornou-se parte de mim,
Está firmemente atado às minhas costas.
Como o mosquito que prendeu a si mesmo na teia da aranha,
Da mesma forma fiquei eu preso nas consequências de meus erros.
Desmancha esta teia, meu Deus, com um sopro
Da tua boca, com um simples olhar!
Tira de meus pulsos as algemas e as pesadas correntes,
Pois sou por elas conduzido para onde não quero ir.
Restaura, Senhor, a minha vida
E faz-me andar na plenitude da tua bondade.
Pois tu, ó Deus, permitiste que nas minhas tribulações
Eu pudesse, ainda, aprender valiosas lições.
Que eu tome alento, então, antes que passe como a sombra.
Leva-me para junto das águas de descanso,
Para os verdes prados onde o alimento é abundante.
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