Lista de Poemas
Vozes
Fale cale
calendas lenda
a hand in hand
humano a mano
brando a cerca
de onde estou falando
quando ando
a fim de tudo
mudo isso ouço
o papo o Papa
tá ficando ruço
lusco-fusco
busco o pulso
a pulso de ferro
berro à beça
essa agora
é boa
soa à toa
como vaga
onda ronda
a praia saia
caia de cabeça
fale cale
faleça.
calendas lenda
a hand in hand
humano a mano
brando a cerca
de onde estou falando
quando ando
a fim de tudo
mudo isso ouço
o papo o Papa
tá ficando ruço
lusco-fusco
busco o pulso
a pulso de ferro
berro à beça
essa agora
é boa
soa à toa
como vaga
onda ronda
a praia saia
caia de cabeça
fale cale
faleça.
654
E a nave não vai
Não vou te tocar, te abraçar, nunca!
Jamais irei beijar-te os lábios.
O teu corpo estará sempre distante, inacessível
como um continente após o abismo dos oceanos.
Jamais serei um navegante audacioso
(desses que não acreditam em abismos de mares findos).
Estás lá, para além dos meus horizontes
e nem tomas conhecimento
do teu remoto e pretenso descobridor
que em ti lança âncoras
e te dá nomes de flores, de deusas, de musas.
Descubro-te todos os dias santos e santos dias;
dias que excedem minha vida insuficiente e medíocre
em que me faltam gestos e me sobra sono e expectativas vãs.
Não! Nunca irei te ter por perto;
receber de ti um olhar terno;
despertar em ti qualquer sentimento ou desejo.
Jamais acrescentarei um batimento sequer
aos do teu coração.
Contentar-me-ei em sonhar-te;
postar-me no topo do mastro e amar-te...
...até que o mar te traga ou me trague.
Jamais irei beijar-te os lábios.
O teu corpo estará sempre distante, inacessível
como um continente após o abismo dos oceanos.
Jamais serei um navegante audacioso
(desses que não acreditam em abismos de mares findos).
Estás lá, para além dos meus horizontes
e nem tomas conhecimento
do teu remoto e pretenso descobridor
que em ti lança âncoras
e te dá nomes de flores, de deusas, de musas.
Descubro-te todos os dias santos e santos dias;
dias que excedem minha vida insuficiente e medíocre
em que me faltam gestos e me sobra sono e expectativas vãs.
Não! Nunca irei te ter por perto;
receber de ti um olhar terno;
despertar em ti qualquer sentimento ou desejo.
Jamais acrescentarei um batimento sequer
aos do teu coração.
Contentar-me-ei em sonhar-te;
postar-me no topo do mastro e amar-te...
...até que o mar te traga ou me trague.
876
Espaçotempo
Nas horas dos mundos que habito
é sempre um tempo diverso
gerando-me sérios conflitos;
descompassando meu verso.
Começo a medir o infinito
com mãos de palmos eternos:
o espaço fica eternito
e o tempo fica infiterno.
O espaço e o tempo domados;
arrebatados da esfera:
o espaço por mim limitado
e o tempo em compasso de espera.
é sempre um tempo diverso
gerando-me sérios conflitos;
descompassando meu verso.
Começo a medir o infinito
com mãos de palmos eternos:
o espaço fica eternito
e o tempo fica infiterno.
O espaço e o tempo domados;
arrebatados da esfera:
o espaço por mim limitado
e o tempo em compasso de espera.
775
Um Olhar para o Alto
As nuvens contém todas as formas;
todas as fórmulas.
As nuvens fazem escadas
pra que eu suba nelas;
fazem estradas
pra que eu ande nelas;
e eu vou...
Sei da nuvem;
sei da nuvem pelo que eu sei;
e esse meu saber de nuvem
é só meu e dela
e nunca o direi.
todas as fórmulas.
As nuvens fazem escadas
pra que eu suba nelas;
fazem estradas
pra que eu ande nelas;
e eu vou...
Sei da nuvem;
sei da nuvem pelo que eu sei;
e esse meu saber de nuvem
é só meu e dela
e nunca o direi.
703
As Cores do Tempo
Hoje me olhei no espelho
(que rima com vermelho)
e vi que estava velho
(que não rima com verde).
Um fruto maduro colore
para chamar à atenção.
Um homem maduro se encolhe
para atentar pra razão.
Cores, imagens, idades...
(duro adequar as rimas).
Hoje me olhei no espelho...
corei: vi que estava velho.
(que rima com vermelho)
e vi que estava velho
(que não rima com verde).
Um fruto maduro colore
para chamar à atenção.
Um homem maduro se encolhe
para atentar pra razão.
Cores, imagens, idades...
(duro adequar as rimas).
Hoje me olhei no espelho...
corei: vi que estava velho.
690
Visões
Ante a mim o horizonte e o mar prostrados...
Deitado, aqui, na praia da Bahia
insatisfeito e meio alienado
eu enlouqueço quieto a cada dia.
Vastíssimo horizonte divisado...
que da oriental praia baiana
a horizontal me faz sempre inclinado
a ver muito além-mar a vida humana.
Basta fechar os olhos um instante
pra ter um mundo vário descoberto;
a vida nova paira no horizonte
e só não vê quem tem o olho aberto.
Pra além do muito mar há nova vida
(diversa desta aqui - precária e triste)
presente na visão bem definida
a qual vejo sem ver, mas sei que existe.
Visões. São só visões - não as acolho:
a minha vida excede o inaparente.
Sou bem maior que o que cabe em meu olho.
Toda visão se inclina ante o vidente.
Deitado, aqui, na praia da Bahia
insatisfeito e meio alienado
eu enlouqueço quieto a cada dia.
Vastíssimo horizonte divisado...
que da oriental praia baiana
a horizontal me faz sempre inclinado
a ver muito além-mar a vida humana.
Basta fechar os olhos um instante
pra ter um mundo vário descoberto;
a vida nova paira no horizonte
e só não vê quem tem o olho aberto.
Pra além do muito mar há nova vida
(diversa desta aqui - precária e triste)
presente na visão bem definida
a qual vejo sem ver, mas sei que existe.
Visões. São só visões - não as acolho:
a minha vida excede o inaparente.
Sou bem maior que o que cabe em meu olho.
Toda visão se inclina ante o vidente.
683
Dilúvio Eterno
À beira da estrada e acima e ao longe
erosões de outras chuvas me dizem do tempo;
esculturas cavadas na carne do monte
despertando a atenção pro que já estou atento.
Vou girando o volante e também a cabeça
fixando a estrada e fitando o abismo
onde gotas de chuva percutem a terra;
onde terras feridas aumentam abismos.
Em conluio com o tempo que toca seu hino
com a cumplicidade da chuva escultora
vai, assim, o planeta cumprindo o destino
deafundar-se em si mesmo nas eras vindouras.
erosões de outras chuvas me dizem do tempo;
esculturas cavadas na carne do monte
despertando a atenção pro que já estou atento.
Vou girando o volante e também a cabeça
fixando a estrada e fitando o abismo
onde gotas de chuva percutem a terra;
onde terras feridas aumentam abismos.
Em conluio com o tempo que toca seu hino
com a cumplicidade da chuva escultora
vai, assim, o planeta cumprindo o destino
deafundar-se em si mesmo nas eras vindouras.
787
Trilema Equino
Vivo fugindo de cavalos.
Não, eles não estão no meu encalço.
Andam por aí uivando como não uivam cavalos;
uivam para todos, para ninguém, para si próprios, sei lá!
para atrair ou intimidar dessemelhantes
e eu fujo para além da possibilidade
de atender a alguns instintos bestiais básicos:
eu sou um perigo para os cavalos!
Fujo, também, dos jumentos
- aqueles que roçaram em celebridades religiosas.
Esses trazem uma resignação cortante
nos olhos de peixe morto
calam com os olhos e me atemorizam
(nunca se sabe que castigos imerecidos clamam por suportar
no seu intimismo altruístico)
e eu fujo para longe da porta da conversão:
eu seria um perigo para os jumentos!
Não me esquivo dos burros.
Nutro por eles total desprezo;
nenhuma fascinação me exercem
que não são jumentos, nem cavalos, nem ambos, nem nada.
Incapazes de uivar como não uivam cavalos
ou de calar como não falam os jumentos ópticos
eles são estéreis de ausências híbridas;
estampam na cara a sua burrice explícita
e eu me aproximo, destemido, para aquém da cifra fácil
com uma instantânea intimidade:
eu serei o paradigma dos burros!
Não, eles não estão no meu encalço.
Andam por aí uivando como não uivam cavalos;
uivam para todos, para ninguém, para si próprios, sei lá!
para atrair ou intimidar dessemelhantes
e eu fujo para além da possibilidade
de atender a alguns instintos bestiais básicos:
eu sou um perigo para os cavalos!
Fujo, também, dos jumentos
- aqueles que roçaram em celebridades religiosas.
Esses trazem uma resignação cortante
nos olhos de peixe morto
calam com os olhos e me atemorizam
(nunca se sabe que castigos imerecidos clamam por suportar
no seu intimismo altruístico)
e eu fujo para longe da porta da conversão:
eu seria um perigo para os jumentos!
Não me esquivo dos burros.
Nutro por eles total desprezo;
nenhuma fascinação me exercem
que não são jumentos, nem cavalos, nem ambos, nem nada.
Incapazes de uivar como não uivam cavalos
ou de calar como não falam os jumentos ópticos
eles são estéreis de ausências híbridas;
estampam na cara a sua burrice explícita
e eu me aproximo, destemido, para aquém da cifra fácil
com uma instantânea intimidade:
eu serei o paradigma dos burros!
642
Nudez Castigada
Cai a pétala
e o espinho espeta
quem despe a rosa
quem despetala
quem despetá-la.
e o espinho espeta
quem despe a rosa
quem despetala
quem despetá-la.
710
Novamente
Tudo já foi dito
mas eu vou dizer de novo.
Que mortes passem obliquamente
dilacerando o texto
expondo o nervo
deixando o verso inacabado.
Mortes de renascer mil vezes
até que se conclua o tempo;
até que se satisfaça o fado.
O texto nada mais é
do que o início repetido;
do que o fim antecipado.
O nervo dilacera o texto
que expõe o verso
que satisfaz o tempo
e que conclui o fado.
A morte, como já foi dito,
passa obliquamente...
mas eu vou dizer de novo.
Que mortes passem obliquamente
dilacerando o texto
expondo o nervo
deixando o verso inacabado.
Mortes de renascer mil vezes
até que se conclua o tempo;
até que se satisfaça o fado.
O texto nada mais é
do que o início repetido;
do que o fim antecipado.
O nervo dilacera o texto
que expõe o verso
que satisfaz o tempo
e que conclui o fado.
A morte, como já foi dito,
passa obliquamente...
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