Noite de natal
Hoje eu acordei
Com a mente mais emotiva
Hoje podiam me contar
Uma história, de mentira
Toda inventada
Que eu ia acreditar.
Meus olhos são lagos
Ou nuvens que não param de chover.
Hoje eu não quis amar
Mas amei
Amei a distância
E chorei.
Senti o peso de estar só
Todo de uma vez
E achei que não ia aguentar
Mas minha mãe me fez forte.
Ou pelo menos
Ela acredita que sim!
Na nossa última conversa
Ela disse que eu tinha
De viver muito
Pois no fim
Eu que tenho que enterrar ela!
Doeu,
Mas entendi
Que é só mais uma forma de mãe dizer
"Se cuida! "
Tem outras também
Mas algumas ficam
MARCADAS!
Quantas marcas cê carrega na alma?
Será que é por isso
Que o povo tem fetiche em marca?
Peita de marca, calça de marca, boot de marca..
Aí marcaram territórios
E marcaram o chão com sangue dos meus.
Hoje,
Eu me perguntei
Se todo natal é assim:
Comumente triste,
Regado de mentiras
teatrais de novela mexicana,
Ou foi só esse mesmo
Que tamo meio pandemico
E fingindo que não aglomera?
Hoje eu tô, mais que na melancolia
E ela se arrasta...
... calma, alma!
É falta, não chora.
Logo, logo vai embora.
Trindade da Abelha
É que é uma eterna constância o jeito que o mundo gira. E ainda dizem por aí que as mãos serão seguras. Na verdade sente-se quando perde e a gente sabe como é a história. Você não sabe o que é luxo, quando sempre se tem o luxo do seu lado. Acha que é normal.
Tô passando mal tem um tempo, talvez nem passando, mas só esteja mal mesmo. É assim que se faz o dia.
O agir mecânico natural, cheirando a óleo antiferrugem, por não saber mais entender quem se ama, se torna coisa mais comum por aqui. E acredite se quiser, nunca quisera antes eu ter sentimento parecido com esse. Até poderia ter imaginado, mas nada seria tão Black mirror quanto EU ROBÔ, quanto um eu mecânico.
Hoje é um sopro no calendário mensal, hoje é um dia após o dia de ontem que me disseram que não se tem mais textinhos matutinos. Não tinha mesmo!
É que por aqui se funciona de acordo com o que se sente, é mais difícil fingir ou coisa do tipo, é mais difícil.
Hoje eu tô só aquele abraço com tapinha nas costas, porque ontem, vivi disso!
Por aqui, ultimamente o cheiro do Beck é diferente e acompanha cerveja. A cerveja é só o acompanhamento mesmo, o prato principal é a vontade de levantar e sair correndo, roubar um abraço de verdade, daqueles que se sente e não se passa.
A vida é a trindade da abelha, o Beck a palha e o copo de cerveja, mas eu aprendi com o cigarro branco, de filtro vermelho que vem mais ainda com gosto de câncer, morte. Afinal de contas a gente se mata todo dia, um pouquinho de cada vez, mas todo dia! Cigarro, cerveja, rotina, trabalho, amores, usina! E a gente respira o pó, traga a fumaça e morre, morre de solidão valorosa.
Vale quanto um dia sóbrio?
Clube dos 27
Hoje, mais um dia do ciclo, mas também o dia que o sol nasceu comigo. É uma loucura, talvez um vício esse negócio da existência. Não que eu sinta cem por cento de vontade de estar aqui, mas continuo, estou.
Hoje acordei um pouco mais Kurt e confesso que já devo ter atingido meu nirvana umas cinco ou seis vezes, nem a Amy sabe o quanto eu preciso de uma reabilitação só pra poder gostar mais um pouquinho dessa loucura.
Hoje o norte tá pro sul e eu me obrigo a sentir um pouco mais que um dia comum, que um dia qualquer. Já pensou o quão gratificante é pra si mesmo parar e agradecer as desgraças rotineiras da vida? Amém deus cheguei aos vinte e sete! Primeiro dia do jogo, primeiro caos momentâneo. Coloquei os planos em prática e por agora, dessa vez, não há panos no varal.
Não que eu queira, ou não queira, nesse momento eu não sei exatamente o que eu quero. Não concordo e nem discordo, muito pelo contrário, a mente tá uma discordia, escória e os espólios de guerra estão sendo colecionados.
Por aqui, já podem me levar, acho que vivi demais, senti demais e vi coisas que eu poderia ter deixado na outra vida. A abdução é o alvo e se eu alcanço...
Por fim, eu tô amando os vinte e olha que nem tenho nove horas completas de, mas é que é gostoso sentir essa sensação de se acordar e já ter de escrever seu epitáfio, sem medo ou receio, só escrever. Queria eu desde os dezesseis chegar aos vinte sete, não passar disso, entrar em modo stand by e ter um descanso momentâneo só que eterno. Interno é o que eu sinto e vocês acham que sabem, mas não sabem. Nem a marca do meu lápis de cor favorita, muito menos sobre o que se sente por dentro da couraça. Disfarça, logo logo o dia passa e cê deixa de receber atenção e a tensão fica aqui, acumulada, doidinha pra pular pra fora e gritar: ainda bem que os vinte e sete chegaram.
De barraca a apê
Tudo bem, tudo normal! É que vai passando o tempo, as horas se arrastando e eu? Puro caos!
De nó em nó que eu pego e faço, esvazio a mente dos nós mentais que prendem a vida.
Quantas horas se passaram? Quantas horas tem o dia? Em que dia que estamos? Tudo tá mil maravilhas? É melhor dizer que sim, né? É o que dizem por aí! É o que dizem as más línguas!
Pensei até que o dia seria diferente, menos preguiçoso, mas é que a mesmice faz com que tudo pareça menos gostoso, pareça menos.
Já parou para pensar que o ser humano é a única espécie terrestre que paga pra viver. D'Grego me disse um dia que pagou até pra cantar e olha que por ali, se trabalha com isso.
Engraçado né gente, tamo pagando pra viver! É que agora vive-se de BBB, show do milhão. É que tem um milhão de motivos pra pensar na vida.
Porque aqui nos ensinaram a torcer pelo Playstation e ganhar um jogo da vida, Max Stell.
Em larga escala, larga tudo que se tem e foge pro mato, cachoeira, praia. É que tão fazendo guerra no meio do mapa, onde não se é nem oriente, nem ocidente e "nois chama de zoropa."
Hoje é um dia que quem se ama chega na cidade, é um dia de tudo que se pode, que se quer.
Antes barraca, agora apê, antes era rua, agora privê.
Engraçado não é mesmo como o mundo gira, se pá muda...
... Se você não sabe o que se passa pelo mundo, mente. Quem diria eu? Eu não entendo nada.
Dispostos
É que os opostos não se atraem, os opostos se distraem e não tem acaso que proteja da distração. Talvez seja porque os dispostos estão um passo a frente da distração, buscam a atração e a ideia de se querer estar.
Não é que não existe tempo, ou que estamos sem ele. É que colocamos prioridades em nossas vidas e escolhemos também as coisas que não queremos ter tempo.
Fast dois é tão rápido, não é mesmo. As vezes até dá pra aplicar cupom de desconto, aí cê desconta o tempo que já era na disposição que te atraiu até o lanche e descobre que as vezes é melhor se dar tempo as coisas e esperar algo melhor.
Acostumamos com o gosto da rapidez.
O quão disposto se está pra permanecer e entender a ebulição constante do ser? Acima de 100° a água ferve, e eu água, estou entendendo a ebulição do meu eu. Permaneço.
As vezes, não se tem tempo pra esperar que a água ferva e se abandona até a vontade de tomar café. Um pretin por favor que te soca e acorda? Eu não abandono meus desejos por conta do tempo de espera. Gosto da intensidade da ebulição, diz que se constante, chegamos ao paraíso mental.
Reduziram a força da tração das rodas do carro que conduz a vida, agora estou entendendo melhor que de tempos em tempos se precisa de reparos. A alma, a mente, o carro! É que quando se entende de vida cê se sente mais disposto, esquece o oposto e busca a atração.
Que o choque do caminhar diário, não impeça os corpos em ebulição de se chocarem. Que as traças nas roupas da casa, sejam apenas pra se reparar o tempo. Que venhamos a construir tempo, derrubar templos de adoração ao invisível e possamos amar o próximo. E que tudo que se passa entre as mentes, esteja em foco, pra se saber exatamente o que se quer.
Os dispostos se atraem.
F5
Cansei de contar histórias pelas metades ou que arrancam suspiros melancólicos sobre amor. É que antes tudo era mais lindo e tinha um sabor de nostalgia e beleza, agora as águas são densas e refletem a amargura do dipirona dado a criança sem remorso, pra ver se ela melhora.
Depois de um tempo, foquei no trabalho e esqueci de dar trabalho, as vezes só pra mim. Lágrimas me cercam e nem são as minhas, então eu não sei como resolver. Talvez elas deveriam ter rolado e escorrido.
Não se chove na cidade por um bom tempo e quando se choveu, eu estava pra fora e eu sempre achei que o clima semiárido fosse as pessoas.
Perguntei a deus o que estava acontecendo e ele se esqueceu de responder, hoje comemora-se 20 anos sem resposta.
Tá tudo esquisito e eu me forço a rir, nunca entrei em jogo pra perder. Achei engraçado o jeito que eles jogam, sem muita verdade, manipulando as mentes e derrubando quem se quer.
Mas é que tá tudo normal, por aqui se falar de outra coisa sem ser amor, tá tudo normal. Afinal de contas, eu sou poeta e não aprendi amar, só a errar e o erro é quase uma página que não quer carregar mais em minha vida, escrito error not found 404 e que toda hora se aperta f5 pra que ela carregue, mas adivinhem? Não carrega!
Bom dia pra quem é de bom dia, mas nem todo dia dá-se pra cumprimentar assim, afinal de contas é melhor ficar deitado na cama, esperando a tarde chegar, do que se dar um bom dia sem louvor.
4k
É que cê sabe que quando começo a escrever com essas palavras, tô falando do cê. Da vontade de falar e ouvir, do palpitar, cruzar de olhares, e de toda essa loucura que é o permanecer e querer estar.
Conseguiria trocar palavras, parábolas com você por eternidades. É que nossas palavras se encaixam. E eu? Gosto o jeito que cê se despe dos costumes rotineiros da vida e das vontades pragmatizadas na alma. É que o estrondo do chocar das mentes, vem só pra mostrar que tudo sempre foi real, mesmo entendendo a não existência do eu e de você!
Por aqui no meu mundo, tudo é passageiro, menos o motorista que guia a vida. Por aqui, também é normal só se receber um bom dia se a última frase antes de dormir foi minha. Por aqui no nosso mundo tem cotas que não falamos de virtual, só de real. É que sorriso é meta, nada de metaverso. Por aqui é mais concreto, sem reboco, só pilastra forte e pronta pra segurar o peso, seja do prédio, seja do mundo.
É que seriam horas de palavras trocadas se não fosse as invasões universais no nosso universo particular.
É que hoje, é um dia depois de ontem e eu nem te vi indo embora.
Mas tá tudo bem, é que eu sei que cê volta e sem revolta, cê vem, fica, troca... E é o que me faz querer render.
GPS
Perdi a localização da mente por seis ou sete segundos inteiros, tentei voltar ao normal, mas era um trabalho difícil pra quem as vezes só não quer existir.
Pensei que tudo ao redor fosse mentira e que nem eu mesmo existia. E não existo.
Somos partículas de algo que nunca vai ser descrito por inteiro e quando percebemos que estamos em campo aberto, tentamos nos proteger.
Tentei aos poucos me localizar até que em três, dois, um, voltei a existir mentalmente, tudo voltou a ser o que era de uma maneira que a mente se linkou ao real.
Realmente preciso entender como essas coisas acontecem, como me perco tão facilmente do real!
Texto qualquer volume 1
Segunda feira, na cidade não tem feira no quarto não tem aconchego. Eu chego a pedir arrego umas três vezes no tempo de fumar um beck a sós. Dias me sinto menina, dias menino, dias nenhum dos dois e dias sozinho… Hoje é uma mistura de tudo isso, uns rebuliços e três doses de ansiedade extra, meu corpo bem, minha mente um fiasco, até acho que era melhor nem ter acordado hoje. Hoje, porque amanhã talvez eu esteja bem. Não é marcado para se estar mal, apenas acontece, sorriso nos vai, tristeza aparece e até parece que nunca me veio outra tristeza antes. A dor é a pior de todas.
Romantizar por aí a depressão, faz com que tudo me pareça confuso. Estou gritando por socorro, eu sei, mas parece que ninguém repara. Ninguém não. Quem eu quero que repare. Respira, não pare. Recue se precisar, não me invade. Ah, que loucura é a segunda feira sem feira e sem lugar pra se aconchegar.
Desculpa a luz forte é que meu forte é escrever no claro. Claro que não é tão fácil deixar a mente trabalhar, deitar e dormir as vezes, mesmo sabendo que levanto antes do sol e escuto o galo cantar. Isso quase todo dia, menos o dia que eu quero descansar. Aí, eu deito na cama, finjo que não acordei, olho no espelho da mente e me afundo mais ainda na cama ou na depressão. Não sei bem.
Me disseram uma vez que escrever faz bem pra alma, calma. Não quero só me aliviar, quero dizer, falar, gritar para que outras pessoas também possam gritar. O silencio as vezes fala muito e você que não quer escutar. O corpo pede descanso e a mente? Não quer parar. Nem sei se meus dedos querem continuar, mas continuo, só pra poder finalizar.
Por fim era um texto qualquer, um desabafo ou um vômito. Se leu até o final e não passou mal, sinal que os deuses te amam.
Alma Diaba
A verdade é que
Nossos demônios gritam
E a gente acha que adora o silêncio
E se perturba com os ruídos ao redor.
Não conseguimos segurar as reações naturais da alma
E entramos em combustão.
Prazer
Sou a alma diaba
Que sempre destrava
A mente babaca
De quem acha que pode
Outros corpos dominar.
Arranquei as vestes
E sodomizei o ego frágil
Absinto puro
E eu não sinto muito
Por existir!
Prazer!
Eu sou a própria diaba
Que bota a cara
E faz acontecer.
Sem medo de culpa
Por fim já me culparam ao nascer!
E não para!
Prazer!
Alma diaba!