kennedy Araújo

kennedy Araújo

n. 1987 BR BR

Um poeta de beira de rio

n. 1987-01-14, Santarém, Pará, Amazônia

Perfil
11 450 Visualizações

Espelho d'água

No renitente assobio da coruja, 
a madrugada declina 
               impassível 
à minha dor...

               o céu 
é um vasto rio negro
de densidade fina 
e de profundas ilusões 
onde dispõem-se
                       estrelas,
          planetas,
satélites,
                       distâncias infindas,
além de vazios incontornáveis...

o céu é então 
espelho dos teus olhos de cigana,
                     olhos
de anseios repentinos,
                     olhos
de mistérios insondáveis,
                     olhos donde emergem
confissões impossíveis,
além de poemas indecifráveis...

Ler poema completo
Biografia

Poeta, Filósofo, Professor e Mestre em Educação.

Poemas

33

Espelho d'água

No renitente assobio da coruja, 
a madrugada declina 
               impassível 
à minha dor...

               o céu 
é um vasto rio negro
de densidade fina 
e de profundas ilusões 
onde dispõem-se
                       estrelas,
          planetas,
satélites,
                       distâncias infindas,
além de vazios incontornáveis...

o céu é então 
espelho dos teus olhos de cigana,
                     olhos
de anseios repentinos,
                     olhos
de mistérios insondáveis,
                     olhos donde emergem
confissões impossíveis,
além de poemas indecifráveis...

426

Os olhos cegos da noite

A tristeza rompida em lágrimas 
desvanece-se
na morna luz desse luar...

Na porosidade dos instantes,
o edifício caiado da paixão 
ruína-se
em si e para sempre...

Encarei os olhos cegos da noite
e no silêncio abismal desse momento 
tornei-me inteiro com minha dor.

 

384

Poema em pleno voo

Eu te amo
como se o amor fizesse sentido.
Eu te amo
e nem preciso dizer o tanto,
o tanto que imensuravelmente amo,
o amor, 
que como a poesia
nunca exigiu rima,
tampouco sentido.
Eu te amo
tal qual o primeiro voo do passarinho,
que ignorante da vida e da morte,
entrega-se a elas... como eu me entrego a você,
num único e infinito movimento,
rumo ao meio do céu.


Kennedy Araújo
664

SONETO DA BEIRA DO RIO

Sinto a brisa do beiro do rio, 
Fecho os olhos em lassidão,
Sinto que tudo sempre esteve por um fio,
E que as coisas nunca permanecem como são...

Heráclito, o obscuro, foi quem primeiro viu,
Que a vida é guerra sem fim e não mansidão,
Que tudo que é bom tem sempre o seu lado vil,
E que a fome é que dá sentido ao pão.

Ouço o épico suicídio das ondas infinitas,
Penso na dívida dos homens com Sisifo,
Sei que é preciso ler todos os poetas,

Sinto que no universo não sou nada além de cisco,
Lembro que é preciso abrir os olhos na hora certa,
Para assim ver a face do fim desde o início...

 Kennedy Araújo
761

Poema de todas as causas perdidas

Um poema
escrito despretensiosamente 
numa noite qualquer de verão,
é o testemunho definitivo 
que a vida
mesmo sendo, quem sabe,
uma causa perdida,
nunca foi em vão.


Kennedy Araújo

675

Sobre o menino que queria ser poeta

O menino inevitavelmente cresceu...
Contra a própria vontade,
mas cresceu...
Tornou-se grande?
Não!
Tornou-se triste...
Fez-se poeta. 

Kennedy Araújo
440

A volta do gato

O mais singular dos animais é o gato.
Mais que qualquer mamífero,
qualquer réptil,
ave
ou anfíbio,
mais que qualquer peixe
seja de rio
seja de mar,
mais que o ornitorrinco, eu diria.

O gato é o mais misterioso dos bichos.

Quanto mais gatos,
mais mistérios,
e quanto mais mistérios,
mais poesia.

Baudelaire, Borges, Neruda, Vinícius
exaltaram a sublime existência dos gatos,
como é próprio de todo poeta.

Poeta sem gato
é casa sem mistério,
e casa sem mistério 
é túmulo.

O gato vem do antigo Egito, 
e com a sua felina vadiagem
atravessa sem pressa 
os muros e telhados erguidos sobre o tempo,
seguindo, assim, livre e esguio,
o seu flexível e obstinado caminho
de volta para casa. 


 

434

Poema da desesperança

Depois de acimentada a última praia,
o horizonte se encolherá
até o ponto de não mais existir.
No lugar do antigo sol,
apenas o fogo de uma estranha estrela morta 
aquecerá
os corpos 
mutilados de sonhos e sentidos...

Quando a iminência do adeus,
que tomou conta de todas as coisas,
que um dia nos engendraram de imagens e sons,
se converter em vazio e esquecimento,
então, os deuses
deixar-se-ão eternamente ocultos 
no ventre da terra
e da escuridão,
apenas mais escuridão brotará...

No dia em que as florestas e mananciais
resumirem-se 
a vastos cemitérios 
assombrados pelos espectros da nossa ignorância,
então, a vida humana
ter-se-á reduzida,
como num ato trágico de puro engano
à fria consumação de todo mal.



 

377

O HORIZONTE DOS NOSSOS DIAS É VERMELHO

Frente à absoluta indiferença do capital
marcham
ainda perdidos e sem direção
aqueles
a quem chamo de irmãos e camaradas,
e que pela sua força de trabalho,
enquanto classe social,
produzem
a ferro, fogo e sangue
toda possibilidade
real e concreta
de igualdade, liberdade
e poesia.
O horizonte dos nossos dias
é vermelho.
E na boca daqueles que sustentam,
apesar de todas as barbáries cotidianas,
o valor imensurável das utopias,
o medo não é outra coisa
senão
palavra maldita.

Kennedy Araújo
414

Da ataraxia

No reino do silêncio
só uma palavra é bem-vinda:

Shhh...
(e bem baixinho...) 


Kennedy Araújo 
441

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Luciana

muito linda a poesia ! parabens!!!

Lagaz

Parabéns poeta... é um prazer conhecer os escritos que tem vida

Kaio Gabriel
Kaio Gabriel

Parabéns professor, belos poemas