kennedy Araújo

kennedy Araújo

n. 1987 BR BR

Um poeta de beira de rio

n. 1987-01-14, Santarém, Pará, Amazônia

Perfil
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Espelho d'água

No renitente assobio da coruja, 
a madrugada declina 
               impassível 
à minha dor...

               o céu 
é um vasto rio negro
de densidade fina 
e de profundas ilusões 
onde dispõem-se
                       estrelas,
          planetas,
satélites,
                       distâncias infindas,
além de vazios incontornáveis...

o céu é então 
espelho dos teus olhos de cigana,
                     olhos
de anseios repentinos,
                     olhos
de mistérios insondáveis,
                     olhos donde emergem
confissões impossíveis,
além de poemas indecifráveis...

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Biografia

Poeta, Filósofo, Professor e Mestre em Educação.

Poemas

33

Tons de azul

Um gato espreguiça-se na janela
e arranca-me um sorriso tímido e inesperado.

Lá fora, a luz refletida sobre o verde do quintal,
absoluta e graciosa, 
diz-me tão-somente de você.

Em silêncio, 
por dentro da perspectiva do verso,
n’um singelo, porém cerimonioso movimento,
delineio sem pressa, os tons de azul no céu, 
assim, sem mais nem porquê...

Montanhas de horizontes dilatam-me a retina,
enquanto meu corpo e meus sentidos,
agora absortos, 
talvez pela amiúde melancolia,
oferendam-se por fim, aos imperativos vãos
do amor e da poesia...

204

Rio de estrelas

Instantes de eternidade dispersos no vento,
fragmentam-me a tênue noção de identidade.

Meus versos, 
agora despidos da ironia de outrora,
delineiam sem medo do ridículo 
a desmesura de toda esperança. 

No breu da noite 
tudo é revelação.

Meus olhos perplexos de juventude,
de repente, cerram-se em prontidão ao sublime, 
e tudo que há pouco era realidade indubitável, 
expressão talvez, 
de sua mera aparição à minha subjetividade, 
converte-se em objeto da mais rudimentar superstição.

O que me resta da noite
é este rio de estrelas,
este silêncio remontado de saudade,
este deslumbre frente à imensidão,
esta vontade incontida viver
para sempre ao lado teu. 

 

289

MEU SILÊNCIO

Meu silêncio é um templo pagão
pairando luminoso sobre toda palavra,
por ele adentro as entrelinhas do tempo,
de lá vislumbro as dores do mundo.

Dele precede meus presságios,
minhas fantasias de poeta,
esta minha predileção ao etéreo.

Do meu silêncio vejo emergir: 
os tons do crepúsculo, 
o brilho das estrelas,
a transparência dos teus olhos,
a precisão desse verso, 
o prelúdio da eternidade.

 

254

Comentários (3)

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Luciana

muito linda a poesia ! parabens!!!

Lagaz

Parabéns poeta... é um prazer conhecer os escritos que tem vida

Kaio Gabriel
Kaio Gabriel

Parabéns professor, belos poemas