Lista de Poemas

O pecado que ainda não fiz

O pecado que ainda não fiz

Chego em casa, a imagem da Santa chora.
Nem pequei ainda, Nossa Senhora!
Não encaro a imagem e peço perdão
Pelo que não fiz. Sinto solidão,
Frio, medo, silêncio e abandono.
Ela nada me diz e eu finjo ter sono.
Deito-me a observar a lua nova,
Que passa e lentamente vai embora.
Fecho os olhos, abrem-se os olhos da alma.
A tez da amiga distante me acalma,
E sua voz preenche todo o espaço,
Oscilante entre o choro e o riso fácil.
Choro de olhos fechados e peito aberto,
E durmo a pensar sobre o inatingível.
Será que há o plenamente perto?
Há o longe totalmente impossível?
Beijo os lábios da lua distante,
Na ilusão infernalmente feliz.
No sonho não há espaço nem Dante,
Cometo o pecado que ainda não fiz.
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Nunca nunca esquecido

NUNCA, NUNCA ESQUECIDO.


Meu grande amor,
Amor chorado,
Cantado em verso,
Amor solitário,
Unilateral.
Amor perdido,
Deixado para trás, mas nunca, nunca esquecido.

Amor de menino, que virou gente grande e se comportou como tal.
Ah! Teus cabelos dourados, teu pescoço com sal.

Um quarto de século se foi,
Sobrevivemos ao bem e ao mal . Eu, em carne e osso,
Mais em osso,
Tu... Nem sei.

Como vai a vida da qual eu não participei?
Tuas alegrias,
(Tiveste alegrias, suponho.)
E tristezas,
E alergias.
O vestibular,
A gripe forte,
O corte no dedo,
O acidente que quase foi.

Eu perdi manias,
Adquiri outras tantas...
Perdi minha Maria,
No céu faltava uma santa.
E a tua Maria, como vai?

E a música que nos unia,
O "rock" mudou, não dá mais para ouvir.
E as baladas, as danceterias, o cigarro e o álcool.
Tiveste uma paixão louca?
E "amassos" no portão?
E tua primeira vez, ai... ai...
E deu em casamento, em filhos?
Filhos...
Noites inteiras sem dormir.
E nas tantas noites alerta, lembraste de mim,

E do meu amor infantil, e riste?

De manhã a vida sempre continua,
A tua vida eu não sei... A minha é triste, triste...
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A Visão

A VISÃO

O poeta sente frio,
Surge um rio álgido de entre seus dedos,
Tremores inexplicáveis destroem seus edifícios.
Perdido, não mais sabe onde está.
Escondido nas grutas fechadas dos seus medos,
Um grande frio, muitíssimo frio.

Agulhas no peito,
Algemas na língua,
Garganta seca.
Vontade de ser um deus,
De inventar novas seitas,
De parar o tempo,
Reinventar o espaço.
De morrer e ser Lázaro,
De ser bom e mau.

À visão da eleita,
O poeta é simples mortal.
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Karol santo, Carol nem tanto

Karol santo, Carol nem tanto


Quando Karol Wojtyla chegou ao céu,
Na sua mochila de campanha havia então...
Um uniforme surrado das batalhas vencidas,
Um cajado e uma velha bíblia.
Sem paramentos,
Sem ouro,
Sem mitra,
"Franciscanamente" rico.

Recebido foi com intimidade por Pedro:
- Entre amigo, quisera todo Karol fosse santo como tu.
- Entre amigo, sabemos qual Karol tu foste.
- Entre amigo, mas ainda há uma Carol sem fé...
Ainda Carol que mente...
Ainda Carol que se avilta...
Ainda Carol serpente...
Que envergonha os pais,
Que desperdiça a vida.

- Alegra-te amigo, tu salvaste Marias, Joanas e uma Carol.
Ah! Se inda houvesse a foice,
Se inda fosse o martelo...
Carol perderia as mãos,
Carol perderia a liberdade,
Carol perderia a vida,
E o pai perderia Carol,
E a mãe perderia o pai.

- Bem-vindo, Karol Wojtyla, que a Carol do mundo tem tempo.

E Karol Wojtyla se aquietou pensativo.
Tinha salvado Carol, da foice e do martelo.
Mas subiu aos céus, com um olho no novo inferno.
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Por onde anda

Por onde anda o anjo de olhos tristes,
Voz de brisa,
E pele de nuvem,
Que brinca de me amar,
E enquanto brinca,
Devolve-me a vida...

Aonde anda meu ar.

Por onde anda o anjo,
Que fala e enrubesce,
Que sorri e enrubesce,
Que me olha nos olhos e vê no fundo a alma,
E enquanto enrubesce, eu fico roxo.

Por onde anda o anjo,
Que nunca mais me deixará só,
Que se está longe, não se vai de mim.
E quando está perto, paro o pensamento.
Que, quando amanhece, faz render-me em agradecimentos,
E quando anoitece...
Não... Trevas nunca mais,
Nunca mais insônia,
Nunca mais inércia.

Por onde anda o anjo-pétalas-orvalhadas...
Anjo-pássaros-cantando...
Anjo-água-de-bica...
Anjo-peixes-no-riacho...
Anjo-descalço-no-areal...
Anjo-frutas-no-quintal...
Anjo tudo que esqueci,
Deixei de ver.

Por onde anda,
O anjo que desvendou os olhos meus.


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Luz

LUZ


Luz de um astro,
Rastro do mais absoluto inferno,
Da mais imponderável fornalha.
Transcende a si e a fonte,
Rondando o impalpável
E o impossível eterno.

Sendo luz é onda,
E anda,
Entre o abissal e o píncaro.

Oscila,
Entre o cósmico
E a partícula,
Da partícula,
Do infinitamente ínfimo.

Entre o plano e o multidimensional.

Entre a harmonia e o caos,

Assim é a mulher amada,
Caótica e harmônica,
Louca e santa,
Aleatória,

Mas antes...
Intencional.
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Helton timoteo
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Mondolfo
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