Lua Barreto

Lua Barreto

n. 1971 BR BR

n. 1971-05-02, Goiânia

Perfil
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Efeito Borboleta

O tempo parou um instante
E eu, tornada anti-matéria
Fui totalmente absorvida por teus olhos.

E aquele olhar
Causou um tsunami na ásia
Terremotos na áfrica
Maremotos na Europa
Um vulcão eclodiu na América

E o mundo acabou.

De lá pra cá, tudo o que parece existir
é ilusão.
Só o que existe são teus olhos.
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Poemas

24

Campo Minado

Hoje meus versos têm garras
Poesia de palavras armadas
Exércitos delas.

Pingam letras
Chuva ácida

Dinamito romances inteiros
Espalho boatos em bilhetes
Planto falsos fatos
Falácias
Factoides

Amasso pequenas bombas
E jogo no lixo
Apenas pelo prazer de escrever novas granadas

Hoje só prestam
Versos com veneno
Poemas com cicuta
E pequenas injeções de poesia na veia

A poesia quando fura
Não é desejo
É necessidade.
1 308

Melhor Assim

Eu choro,
Sofro um pouco
E sigo meu caminho.
773

Mitose

Hoje estou dividida em duas
Sou duas
Hoje não consigo me juntar
Sou pedaços

Um inteiro, hoje, não me diz nada
Sou fatias
Gomos
Tiras
Sou metades

Hoje não sou capaz de escolher um só caminho
Sou toda bifurcações
Cruzamentos
Trevos

Não sei ser um pensamento
Sou toda divagações

Hoje você reclama da minha dualidade
Mas se esquece que ontem
Foi o gume de tua alma tão plural
Que me dividiu

Multipliquei-me para sobreviver
Para não ficar por aí
Contorcendo-me acéfala

Se minha mitose, hoje, te incomoda
Te fere
Te corta
Lembre-se que foi teu fio que me separou
De ti.
2 118

Imaginação

Se for imaginação
Quero ficar aqui,
Do outro lado do espelho.

Só cruzo a fronteira
Se for pra fazer acontecer

Caso contrário fico aqui
Do lado de cá
Te olhando...
Te olhando sem parar

Porque daqui vejo seus olhos
Me vendo
Daqui enxergo teus sinais
E eles são claros
Eles me dizem o quanto você também quer.
1 374

Ah, solidão
Este monstro devorador de almas.

Por tanto tempo dividimos dores
Companheiras de exílio
Tantas manhãs chuvosas
Em que fomos felizes
Juntas

Te chamei enquanto todos te recusavam
Te acolhi quando todos te repeliam
Te amei pelos mesmos motivos que outros te temiam

Por que, então, agora
Me abandonas?
Agora, que estou aqui, perdida
Neste vácuo
Neste onde
Neste tempo-espaço em que as perguntas ecoam
Por onde andas?

Não me iludo com teu silêncio
(tua definição)
Não estou só.
Só sou íntegra
E estou aos pedaços.

Entregue à minha própria entropia
Sem sequer a solidão,
Este monstro devorador de almas,
Para me fazer companhia.
1 389

Epitáfio

Se eu morrer amanhã
Quero dizer aos meus filhos
Que leiam Fausto
Para tentarem entender
A teoria que eu tentei viver.

Que leiam Nietzsche
E Artaud
E vejam Van Gogh
E Dali
Por nada,
Só pra saber
O que eu ousei querer.

Se eu morrer amanhã
Quero que saibam
Que não me arrependo
De ter tentado a utopia
Até a última gota.

E que venha a morte
E me encontre inteira.

E que bom que veio
Antes da capitulação
Daquilo que eu quis ser.

(Poema escrito em 12/06/02, durante pesquisas de linguagem pra um espetáculo que talvez só sejam colocadas em prática em 2012.)
1 297

Quando eu juro

Quando eu juro que não quero mais saber
Você chega
De surpresa
E eu quero tudo
De novo.
1 223

Hybris

Você vai ser sempre meu pecado
Minha hybris

A minha tentação
Pra sempre
Meu arrependimento
A traição que não consumei

E eu sigo te deixando pistas
Pequenas provocações
Enigmas
Que você não entende
Ou finge não entender

Vou deixando meu rastro
Minhas marcas
Meu cheiro e meus perfumes

Sempre na esperança de causar,
De não ser esquecida
De ficar na sua vida
Um pouco mais
Que uma lembrança

Te deixo
Bibelô na cristaleira
E me conformo em ser memória

No fundo
Sei que este é o seu lugar
Que você está exatamente onde deveria estar.
1 091

Só por força consigo o olhar branco

Só por força consigo o olhar branco
Com que te cumprimento
Enquanto as entranhas
Antropofágicas
Hermafroditas
Se devoram
Se fecundam
E geram o amor
Ácido
Corrosivo
Que te ofereço e você
Educadamente
Sorve a pequenos goles
Sem nunca digerir
De todo
1 049

Sou

É assim que eu sou
Prolixa
Perdida
Complicada

Não sei fazer joguinho
Nem sei contar piada

Sem meio-termo
Sem meias palavras

Quero sempre tudo
Muito
Inteiro
E rápido

O que guardo me incomoda
Feito sapato apertado
E se me der espaço,
Falo.

Sou assim também
Fálica, bobagenta
Apaixonada sem medida

Se cruzar eu chuto
Se der sopa bebo a vida
De um gole.

Herança de vó:
Pés no chão
Cabeça nas nuvens.
1 189

Comentários (8)

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CORASSIS

Grande poetisa talentosa encontrei!lindo e interessante o que liPARABÉNS !

joaoeuzebio

DEIXAREI MINHA VISÃO POÉTICA ENTRE TEUS POEMAS BELOS ASSIM COMO UMA ESTRELA A BRILHAR

joao euzebio

LINDO POEMA GOSTO DE TUDO O QUE FAZ UM GRANDE ABRAÇO

Malu Silva

Creio que os seres humanos - homens ou mulheres - são um pouco atemporais! Boa noite!!!

luiscarlos
luiscarlos

ah tambem moro em goiania!