Ela pra mim (II)
É o farol pro Gatsby
É o diálogo pro Tarantino
É o chicote pro Indiana
É a viagem pra Chihiro
É o garrafão pro Jordan
É a garrafa pro sambista
É o dedilhar pro Paco de Lucía
É o bêbado pra equilibrista
É a família pro Corleone
É a laranja pro Coppola
É o samba pra Alcione
É a alvorada pro Cartola
É o céu pra NASA
É a lua pra Ismália
É o mar pra Clara
É o cabide pra Mart'nália
É a ciência pro ateu
É o neologismo pro Guimarães
É o gato pro Schrödinger
É a Areia pros Capitães
É o domingo pro Lionel Richie
É o Museu da Imagem pro Som
É o negativo nº25 pro Walter Mitty
É o ground control pro Major Tom
É a máscara pra Pandemia
É o efeito pra borboleta
É o cabelo pro Dennis Rodman
É a Rússia pra roleta
É o Brasil pro Policarpo
É a quaresma pro crente
É o pandeiro pro Bira
É a Polícia Federal pro Presidente
É o violão pra voz
É a voz pro violão
É o “V” pro Cruz e Sousa
É, pro poeta, inspiração
Boa tarde não existe
Se meio-dia representa a metade do dia
E, meia-noite, a metade da noite
Não resta espaço para um “Boa Tarde”
Em vinte e quatro horas
Doze são Dia
Doze são Noite
Zero tarde
Não faz sentido
Vê-se pela etimologia de “tardar”
Sem postergar, atrasar ou adiar
Das 6h às 18h fala-se Bom Dia
Das 18h às 6h diz-se Boa Noite
Guie-se pelo Sol
Ante Meridiem
Post Meridiem
Ou pelo Inglês
Good Afternoon
“Boa” “após” “meio-dia”
E não “Good Late”
Não há “tarde”
Não havendo tarde
Entendo porque passou reto por mim
Sem cortejar
Acho que você ainda me ama
Mas, não era pra ter dado Bom Dia?
Não existe mais bom dia
Caricatura
Se eu tivesse uma caricatura sua
Abstraía cada traço seu para uma parte do mundo
Seu nariz vinha da França
Suas orelhas, Italianas
Seu queixo era Argentino
Sua boca, Oriental
Seu olhar tupiniquim
Trazia os traços todos de volta pra mim
Ser ou Ter
Quem eu quero não me quer
Quem me quer eu não quero
Alguém quer alguém?
Quem quer alguém?
Alguém quer quem?
Ninguém quer ninguém!
Todos querem o “que”
Entre o que, o quem e o querer
Esqueceram de perguntar, também
O que quer alguém?
Não se fez para se entender
Se entendêssemos o Amor,
poetas e terapeutas estariam todos desempregados
Calendário chinês
Que o presente vira instante
Que o instante vira 9 192 631 770 períodos da radiação
Que os períodos viram segundos
Que os segundos viram minutos
Que os minutos viram horas
Que as horas viram dias
Que os dias viram semanas
Que as semanas viram meses
Que os meses viram anos
Que os anos viram décadas
Que as décadas viram séculos
Que os séculos viram milênios
E você precisa de um tempo?
Eu só te amo no calendário chinês
Em verso inverso (labuta)
Tarde demais
Você acorda...
Mais um despertar
E o tempo não volta atrás
Mas, quando vê que já está ficando velho
Orgulho!!
Lembra dos sonhos inocentes de garoto?
Queria ser jogador
Queria ser artista
Isso nunca foi para você
Por conta da correria
Poderia ser só um piloto
Esse episódio de 8h/dia
É o que você escolheu
Te contaram da cigarra
Te contaram da formiga
E aconteceu
Por viagens, investimentos, e pelas coisas que a TV vende
A família não pode esperar
É tudo o que eles queriam
Você bem
E, falando em família,
Hoje você chega atrasado
Ordens do patrão
Não ligue, só hoje, para
As coisas que você tem em casa
Suas maiores conquistas são
Conquistas Profissionais
Por isso que você deixou todo o resto para trás
(Agora leia de baixo para cima)
Eu te amo nunca é suficiente
eu te amo
amo-te
porque amo
se não amasse não amava
simples assim
mas
te amo
e digorepito um nonilhão de vezes
incessantemente
pois “eu te amo” nunca é suficiente
Ventos em Cartagena
Quem fez o vento
Que bateu naqueles cabelos
E a transformou na criatura mais bela da América?
Foi a asa de uma borboleta
Que bateu noutro canto do planeta
Ou apenas mística esotérica?
Vento que bagunça
Vento que transporta
Vem tomar as dúvidas
Vento sem resposta
A sublime lei da equivalência das janelas
Conduz a entropia e a sorte
Ganhei uma monção
Quando achei ter encontrado um norte
Pois, o belo criador da brisa encantada
É o mesmo do vento que te leva para longe em um gingo
Entre barracos e choupanas
Pela Praça de San Diego
E o Baluarte de Santo Domingo
Como uma cidade turística
Você visita meu coração às vezes
O acha lindo, deslumbrante
Mas não para morar
Escrevo-te escutando um Vallenato
Que me diz
Os ventos que vêm e vão
In vain
Em vão
Ajudam a quarar
Carta, gema, clara e arepa
Cartagena, escura letra
Se eu soltar esta carta
Com todos os meus versos avoados
A direção da corrente se encarrega de me levar a você
O vento que abrevia minha existência
Troca o bendito pelo bem dito
A carta vai ao vento
Que te sirva como um beijo por escrito
Cenários (com Clarice Sabino)
I
Se no fim disso tudo
Sobrar só eu
Sobrar só você
Faço do apocalipse um ensejo
Boto em palavras enfim meu desejo
Ajoelho
Peço
E fico contigo
Dou sorte de casar com a mulher mais linda do mundo
(desta vez sendo inevitável e imune de contra argumentação)
E o azar de não poder espalhar para ninguém a notícia….
II
Se no fim disso tudo
Sobrar só a gente
Faço do apocalipse um ensejo
Boto em palavras enfim meu desejo
Ajoelho
Peço
E você diz não
Cai-se a ficha
Do verdadeiro apocalipse
III
Se no fim disso tudo
Sobrar só tu e eu
Faço do apocalipse um ensejo
Boto em palavras enfim meu desejo
Ajoelho
Peço
E você diz
Que precisa pensar
Dou sorte de
A mulher mais linda do mundo estar pensando na possibilidade de casar comigo
(desta vez sendo inevitável e imune de contra argumentação)
E o azar de a resposta poder ser não
Mas
Se for sim
Lua de mel na Pangeia
IV
Se no fim disso tudo
Sobrar só eu e você
O apocalipse será uma festa
Eu e você abrindo as portas do zoológico
Eu e você pilotando um avião
Eu e você e o mar aberto
Eu e você correndo para
Eu e você fazendo um
Eu e você brigando por
Eu e você repovoando o mundo
Você e eu sambando um choro no chão pós-apocalíptico que nos consagrou
Eu e você até o fim depois do fim de tudo
V
E depois disso
Nada vai melhorar
O planeta não respirou melhor
As pessoas não se conscientizaram
Mas eu vou
E depois disso
Tudo vai melhorar
Para você
Para mim
Para o mundo
Descer?
Subir!
Vou lhe ver
Vais sorrir
Escrever?
Até o fim!
Beber?
Gurufim!