Lucas Torres

Lucas Torres

n. 1991 BR BR

n. 1991-05-28, São José dos Campos

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A eterna ânsia do Amor Demais

A tua voz me fora suficiente. Fora.
Teus olhos me eram sossego, e hoje? Agora!
E me bastaria somente Um beijo. Beijei.
E beijei, e beijei e mais uma vez.
Sonhei em te tocar o corpo ternamente - E toquei.
Terna e desrespeitosamente. Como um bicho...
Bicho ingrato, inquieto, atormentado.
Rogava por teu peito, tua vida, tua alma! Rogava...
(Se tenho) anseio a áurea, o espírito, o cósmico.
Amada, anseio inteiramente ter-te. Ter-te.
Ter-te? Hoje não me basta ter-te!
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Poemas

17

A eterna ânsia do Amor Demais

A tua voz me fora suficiente. Fora.
Teus olhos me eram sossego, e hoje? Agora!
E me bastaria somente Um beijo. Beijei.
E beijei, e beijei e mais uma vez.
Sonhei em te tocar o corpo ternamente - E toquei.
Terna e desrespeitosamente. Como um bicho...
Bicho ingrato, inquieto, atormentado.
Rogava por teu peito, tua vida, tua alma! Rogava...
(Se tenho) anseio a áurea, o espírito, o cósmico.
Amada, anseio inteiramente ter-te. Ter-te.
Ter-te? Hoje não me basta ter-te!
439

O passado vive em mim

Ouço ruídos na janela.
Não, Não é o vento.
É Ela. É a Vida rangendo.

Ao olhar meu rosto sulcado,
Intercala a pena e o riso,
ao ver o meu peito crivado,
ao ver o meu ser interciso.
Seu riso tem cuspe afiado,
ferindo com golpe inciso,
Gritando "Estas enfadado
fadado a tornar-se diviso".
A pena me ve atirado,
e logo me faz um aviso
"Precisa esquecer o passado".
Agradeço o conselho conciso.
Oh Vida ja estava avisado,
do oblio ja sei que preciso,
na noite me sinto açoitado,
no dia maquio o sorriso.
E a Vida responde irritada,
e brada "Isto é um motim!"
e chora "Estou sendo sugada"
Implora "Tem pena de mim!".
Diz que está ao meu lado,
mas teme por um estopim,
pra eu não viver de passado,
e que o passado é cupim.
Digo que tenho pensado,
e tenho resposta enfim,
Vida não vivo o passado,
o passado é quem vive em mim.
465

Elegia da Ode

Não sou homem, sou um poeta.
O poeta não sofre, morre.
O poeta não odeia,
se enoja e cospe e pisa,
calado e mudo e com sorriso nobre.
O poeta não ama, ele Ama.
Ama tanto que fere,
Ama tanto que sufoca,
Ama tanto que tanto Ama,
que mata e assim prefere.
O poeta não é feliz,
ele foge da felicidade,
a felicidade o corrói,
o aproxima da mediocridade.
O poeta não é triste,
ele invoca tristeza,
sem ela poesia com beleza
definitivamente não existe.
Não sou homem, sou O poeta.
Um poeta que ao ódio encobre
com abraço falso e sorriso nobre.
Um poeta que não ama. Ama
E sufoca e fere
e maltrata e mata
e assim prefere.
Que é voluvel,
a uma palavra, um olhar,
um espirro, um soprar,
instavel jamais estavel.
Poeta do desencanto.
Que baba sangue e rabisca féu
por vezes e mais vezes, cruel.
E que ao ver a menina e seu encanto
a amou tanto e tanto e tanto...
Que desenha agora sua lírica de céu,
e diz a sua amada palavras belas
e encherga nos teus olhos aquarelas
e ja não mais se deita co aquelas.
E ja não dissimula, faz o que sente
e age insensato, inconsequente
e quando olha, olha intensamente
e quando toca, toca indecente
e quando beija, faz-se incandecente.
E que ja não habita no sublime.
Que ja não é juíz do que é certo,
e que só quer decerto estar perto,
e quando não está se esvazia,
e sente-se isolado no deserto.
E que ama seu sorriso doce e fácil,
que ama seu cabelo lindo e frágil.
E que ama seu jeito louco,
que também ama teu seio pouco
e acha graça no balé torto
ama seu labio prequiçoso quase morto.
Perto da menina o inquieto poeta descansa
respira e faz ode e não se cansa
e então se faz completo, faz-se criança.
O poeta se emociona a cada instante.
O poeta emocionado neste instante.
Poeta, poeta...sempre inconstante.
No mar de variaveis habita uma constante,
Não sou homem, não sou poeta. Sou Seu.
Seu sórdido, celeste e eterno amante.
464

Ouço a Marcha fúnebre da paixão

"No início, flores.
Risos, versos,
palavras eternizadas,
beijos pecaminosos - vão.
Com o tempo tudo é branco, brando, fenecido.
Restam espinhos - nada além de espinhos.
Nada além da dor de saber-se impotente
ante a ação do tempo (vilão da ânsia de quem ama)."

E quando a última poeira apaixonada esvai-se, de repente,
partem com ela a flor, o espinho e todo sentimento que reside neste mundo.
Aos amantes? Nada além de amor,
na expressão mais pura e celeste da palavra.
590

Dom-luCasmurro

Quanta falta me faz a solidão!
Sofro meus inúmeros fantasmas,
que deturpam penar em meu plasma.
disseminando sua infecção.
Seus brados arrancam-me o sono,
e as miragens sempre tão reais,
corrompem meu ultimo entono,
irrigando-me com fel, com bílis.
A dúvida transborda-me aflição,
todo colapso, taquicardia
defrontam-me em desintegração.
Eterna trova de perfídia,
nodoa de dor e humilhação.
Eco de pranto e poesia.
470

Enfado de vida

O dia era tão lento,
o riso era tão pouco,
o gim era tão sóbrio,
o abraço era tão falso,
o beijo era tão morto,
já não havia amigos,
e não havia amores.
Não existia o pranto,
já não ouvia o canto,
e já não via cores,
murchavam-se meus versos,
morriam meus temores,
o dia era tão lento,
o tédio era latente,
o mundo era tão falso,
a cama era tão quente,
eu era tão covarde,
e o dia ia caminhando,
a vida se arrastando,
a vida era tão lenta,
e não dizia nada,
e não havia intento,
meu peito fatigando,
meu mundo ia morrendo,
meu pulso ia rasgando,
o pulso era tão lento,
a vida ia murchando,
os olhos se fechando,
meu tédio descansava,
e tudo era tão turvo,
voltaram meus temores,
mas era tão tardio,
meus órgãos em falência,
e veio o desespero,
e o nada se perdeu,
e parecia tudo,
mas era tão tardio,
e a vida enfim morreu.
488

Lamento

Conto-lhes agora a mesma história que o pobre garoto contaria e adormeceu.
Mas...

Ó garoto como invejo-te
feliz és tu que no sono
podes agora de tudo esquecer-te.

Quisera eu dormir assim,
adormecido poderia encontrar
essa paz que tanto busco,
e por um instante, olvidar.

Ah, como queria tudo esquecer,
mas a cada esforço vão,
vejo seu doce semblante,
tatuado na retina e no coração.

A paz me foi arrancada, ai de mim!
Ela.. sempre ela, me corroendo
A noite sou madeira, ela cupim
Pensando bem, de que me vale o sono?

Ela voltará logo no alvorecer
"Meu Deus, vós que estás no trono
melhor que dormir. Deixe-me morrer!"
375

Não há poesia nos homens

Hoje quero sentir os homens,
Quero escrever a poesia dos homens.
Hoje prometo não pensar o verso,
Só quero exaltar a beleza dos homens.
Quero ver encanto em cada rosto parco que me cerca.
Quero despir a malícia dos homens,
Quero despir a mentira dos homens,
Quero, por um instante, extirpar o pudor da terra eternamente.
Hoje só quero a nudez inconsútil dos homens.
Quero sentir sentimento nos homens,
Quero enxergar poesia nos homens.
Hoje, só quero sentir que há vida nos homens.
344

Devagarzinho à morte

Quando partires feche a porta bem devagarzinho, de modo que eu possa contemplar o derradeiro pranto no teu rosto amarguradamente meu.
Celebremos assim os quatrocentos e vinte e dois dias do arrastar de um amor sombrio, nebuloso, úmido.
Ah vida minha, deixa que eu contemple a beleza desta mágoa infinda, deste último instante de palpitação, deste corpo fugindo dos meus braços lentamente - centímetro a centímetro.
Querida, quando partires feche a porte bem devagarzinho, de modo que guardes os quatrocentos e vinte e três dias em que fomos desumanamente tristes...
Dias que chovemos hora a hora, paúra a paúra numa inquietude sólida como a morte.
Horas que passaram cálidas e sujas e murchas e pálidas... e todos os segundos que nos rasgaram impiedosamente.
Feche a porta bem devagarzinho simplesmente, para que guardemos enfim, a última intensidade, os últimos momentos em que estaremos absurdamente vivos.
362

A Vela

E vela é ela
Vela sou eu.
Ela tão bela,
Tão mais que eu.
A chama delas
Em apogeu,
Derrete ela,
Derrete eu.
Num mar de cera
Resto de vela,
Unem-se alegres
Em aquarela,
O lume dela
E o fosco meu.
486

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