Poetisa em constante eevolução
Lista de Poemas
Um ato romântico
Um vinho, uma pizza,
nem sempre um "eu te amo".
Você alimenta meu corpo,
mas deixa minha alma vazia.
Meu coração em chamas,
seu olhar preso à pizza no forno.
Calado, sem elogios,
ignora o meu vestido novo.
Você disfarça, olha para o vinho.
E tenta me preencher com pizza,
pensando ser um ato romântico
Você é minha estação Favorita
Apareci como um pôr do sol em dia de chuva,
Cores se misturam no céu, emoções em turbilhão.
Entrei sem pedir licença, porta aberta, ferida exposta,
Seu coração, um labirinto de cicatrizes.
Meu coração aventureiro saltou sem paraquedas,
Anos passando como nuvens carregadas.
Tempo é relativo quando se ama,
Einstein estava certo afinal.
Loucura é primo do amor, ou serão irmãos gêmeos?
Me machuquei tropeçando em memórias do passado suas,
Espinhos de cravo perfuram mais fundo que rosa,
Quem disse que amor não dói? Mentiroso.
Te amei com a força de mil sóis,
Supernova de sentimentos explodindo em cada célula.
Ciúme, cobra venenosa, se enroscando em meus pensamentos,
Olhares atravessam como adagas afiadas.
Família sua ou minha? Fronteiras se dissolvem,
No caldeirão do amor, suportei porque amar é também resistir.
Persistir, insistir - hoje você me ama,
Ou ama quem me tornei?
Metamorfose constante, borboletas no estômago,
Nunca param de voar.
Pôr do sol ou nascer? Todo fim é um novo começo,
Chuva lava a alma, sol aquece o coração.
Você é minha estação favorita, todas elas juntas,
Amor é loucura, é dor, é êxtase,
É tudo e nada ao mesmo tempo.
Como existir sem sentir? Impossível.
Voltar atrás? Tarde demais,
Já me perdi e me encontrei em você.
Pôr do sol em dia de chuva,
Arco-íris de emoções pintando nossa história inacabada.
Sempre em construção, tijolo por tijolo,
Beijo por beijo, olhar por olhar.
Hoje você me ama, e eu?
Eu sempre te amei, mesmo antes de te conhecer.
Rosas Selvagens
Pétalas vermelhas dançam no vento pensamentos de você flutuam como perfume no ar rosas desabrocham em meu peito coração pulsando ritmo de amor selvagem espinhos de saudade ferem dedos ansiosos por tocar tua pele macia como veludo de rosa recém-colhida lembranças brotam em canteiros de memória regados por lágrimas de alegria e dor amor é jardim selvagem cresce descontrolado invade os sentidos sufoca com sua beleza avassaladora rosas murcham renascem eterno ciclo como nossos encontros e despedidas pétalas caem formam tapete para nossos pés descalços dançando sob lua cheia embriagados de paixão e possibilidades infinitas rosas brancas pureza de um novo começo rosas negras luto por amores perdidos todas as cores do arco-íris pintam nossa história em tons de êxtase e melancolia amor é rosa é espinho é perfume é beleza efêmera e eterna simultanemente mortal e divino rosas no cabelo rosas nos lábios rosas espalhadas na cama onde nos perdemos e nos encontramos repetidamente cada beijo uma pétala caindo cada suspiro uma nova flor desabrochando somos jardineiros do destino cultivando com cuidado este amor-rosa que cresce selvagem entre as frestas do cotidiano pétalas ao vento levam meus pensamentos até você onde quer que esteja envolvido no perfume de nossas lembranças compartilhadas rosas e amores inseparáveis eternos efêmeros contraditórios como nós
"Tratar bem as pessoas"
Sentada na orla da praia, sob o sol de dezembro,
Aguardava o famoso caminhão do Papai Noel passar,
Um senhor bêbado se aproximou, não notei de início,
Sua voz arrastada quebrou o silêncio da espera.
"Bom dia", ele disse, ignorei sem pensar.
"O que você está fazendo aí?", persistiu curioso.
"Esperando o caminhão da Coca-Cola", respondi,
Sua fala meio arrastada, quase incompreensível.
"Puta que pariu, é sério?", ele soltou sem filtro,
Ri, achando graça naquela figura inusitada.
Dercy Gonçalves masculina misturada com velha surda,
Um personagem saído de uma comédia da vida real.
"Sim", confirmei, "o povo está esperando",
"Você é o povo?", ele indagou com ironia.
"Sim, eu sou do povão", respondi sem hesitar,
E ele ficou rindo, compartilhando o momento.
Uma hora se passou, o caminhão não chegava,
Eu ali, conversando com o bêbado filosófico.
Por fim, ele disse: "Vou te ensinar algo da vida,
Se você acerta, ninguém olha, mas se erra, todos julgam".
Olhei para ele e apenas disse: "Verdade".
Atravessei a rua, meu marido e meu gato me esperavam.
O caminhão finalmente veio, trazendo consigo
Um sentimento misto de vazio e de graça.
Naquele dia, na praia, esperando Papai Noel,
Aprendi uma lição de um improvável professor:
Tratar bem as pessoas, ouvir sem preconceitos,
Pois a sabedoria surge nos encontros mais inesperados.
Hoje 5 de dezembro 2024
Praia grande SP
Meu amigo Lobo dos olhos ambâr
Tenho um amigo lobo,
de olhos âmbar,
um eremita das florestas,
morador de uma morada solitária,
engolida pelo abraço da natureza.
É uma alma silente,
que degusta o néctar rubro do vinho,
e deixa seu uivo cortar o véu da noite,
uma oferenda à lua cheia.
Meu amigo lobo,
carrega a alma despida,
transparente como o cristal.
Mas por que tanto exílio?
Olha o arrebol tingir o firmamento,
com lágrimas que escorrem do ontem.
O presente é um eco distante,
esquecido nos confins do agora.
Ele coleciona retratos desbotados,
vestígios de lobas que partiram,
fugiram para estados além,
deixando rastros na memória.
O amor, uma dor cravada no peito,
não conhece epílogo.
Como um devoto do sofrimento,
ele se desfaz, gota a gota,
alimentando-se de lembranças.
Um canceriano, prisioneiro da sina,
que abraça o espinho da saudade,
e dança na chuva das suas próprias lágrimas.
(para meu amigo jean )
Batom na Estátua da Justiça
Justiça cega, surda e muda,
Estátua fria de olhos vendados.
Uma mulher passa batom vermelho,
No corpo da que não fala, não grita, não morde.
Algemas tilintam, sirenes uivam,
Por um crime de cor e expressão.
Enquanto Corvos de toga,
Criam suas proprias leis em tribunais de ouro e marfim.
Batom vermelho, sangue dos inocentes,
Mancha a fachada imaculada do poder.
A balança se inclina, pesos falsificados,
Justiça maquiada de imparcialidade.
Fogos de artifício explodem no céu,
Celebrando uma farsa bem orquestrada.
Mídia grita "Bomba!" sensacionalista,
Verdade se perde em manchetes distorcidas.
No carnaval da democracia fantasiada,
Palhaços togados dançam uma ciranda macabra.
Batom na justiça, ruge nas bochechas do sistema,
Máscara que cai, revela face desfigurada.
Mulher-artista, criminosa da liberdade,
Presa por pintar a verdade em pedra fria.
Enquanto no palácio dos três poderes,
Vendem-se almas no leilão da moral
Pintando a bandeira Nacional
Com o vermelho dos que vomitam o mal.
Perdeu mané o novo hino do imoral.
Rosas Na Mesa
as rosas estão na mesa,
em um vaso torto,
como tudo o que vive nesta casa.
algumas ainda têm pétalas firmes,
outras já se curvam,
rendidas ao tempo,
ao calor da lâmpada que nunca apago.
não importa quantas rosas compremos,
sempre acabam assim:
secas,
murchas,
esquecidas no canto,
como amores que prometem durar para sempre.
o perfume?
acabou ontem,
levado pelo vento que entrou pela janela.
o que sobrou foi só o que sempre sobra:
espinhos.
e mesmo assim,
continuo comprando rosas.
talvez porque elas,
como eu,
não sabem quando desistir.
"Ovos Togados"
Na república das galinhas cegas,
Ovos vestem toga, calam o galinheiro.
Gemas autoritárias, claras opressoras,
Cozinham a justiça em banho-maria de poder.
Cascas rachadas de ética podre,
Escorrem yellow justice no asfalto fervente.
Omeletes de lei se fazem
Com ovos quebrados e constituições fritas.
Na frigideira do STF,
Ovos mexidos com direitos básicos.
Quem veio primeiro: a galinha ou a corrupção?
O ovo ou a arbitrariedade?
Togas de teflon, nada gruda,
Escorregam acusações como gema líquida.
No galinheiro supremo, cacarejam sentenças,
Botam algemas douradas, chocam prisões.
Ovos Fabergé de um sistema podre,
Brilham por fora, fedem por dentro.
Na panela de pressão da democracia,
Cozinham-se direitos até virarem gosma.
Omelete au pouvoir, prato do dia,
Servido com uma pitada de censura.
No menu da jurisprudência:
Ovos Benedict Arnold à moda da casa.
Cuidado! Ovos togados à solta,
Caçando galinhas que ousam cantar.
No poleiro da "justiça", só tem lugar
Para aves de rapina vestidas de branco.
Efervescência- Rósea
Contemplava, em êxtase onírico, o prelúdio aquoso,
Gotas diáfanas em coreografia gravitacional,
Precipitando-se do firmamento caliginoso,
Num ballet líquido, efêmero e magistral.
As rosas, em sua pulcritude rubescente,
Recebiam o ósculo pluvial com fervor,
Suas pétalas, numa metamorfose incandescente,
Transmutavam-se em caleidoscópios de cor.
Cada gota, um universo em miniatura,
Refratava a luz em espectros prismáticos,
Criando uma sinfonia visual de textura,
Em acordes cromáticos e aromáticos.
As rosas, antes estáticas em sua exuberância,
Agora dançavam em êxtase hidratado,
Suas corolas, num frenesi de fragrância,
Exalavam perfumes de um éden encantado.
O tempo, líquido em sua essência,
Fluía em câmera lenta, viscoso e etéreo,
Enquanto a realidade, em sua quintessência,
Desdobrava-se em camadas de mistério.
Neste momento de epifania pluviométrica,
Onde o mundano se torna transcendental,
A chuva e as rosas, numa fusão sinérgica,
Pintavam um quadro surreal e atemporal.
E eu, observadora e partícipe deste espetáculo,
Sentia-me dissolver na cena liquefeita,
Minha consciência, um receptáculo
Para esta visão sublime e perfeita.
Rosas Na Mesa
as rosas estão na mesa,
em um vaso torto,
como tudo o que vive nesta casa.
algumas ainda têm pétalas firmes,
outras já se curvam,
rendidas ao tempo,
ao calor da lâmpada que nunca apago.
não importa quantas rosas compremos,
sempre acabam assim:
secas,
murchas,
esquecidas no canto,
como amores que prometem durar para sempre.
o perfume?
acabou ontem,
levado pelo vento que entrou pela janela.
o que sobrou foi só o que sempre sobra:
espinhos.
e mesmo assim,
continuo comprando rosas.
talvez porque elas,
como eu,
não sabem quando desistir.
Comentários (3)
Ameiiii
Pessimo como tudo que você escreveu
ÉS LILA