Santo António
Santo António, malandreco,
adora moças solteiras.
Aquelas que são casadas…
não gostam de brincadeiras.
No entanto, este santinho,
defensor do casamento,
não brinca com coisas sérias…
é santo de muito tento.
Na noite do dia doze,
toda a gente quer folgar,
entre bailes e comida…
toda a noite sem parar.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Muita Poesia e Pouca Prosa”
Olhares escritos
Olhares escritos
Da rocha vermelha, maravilhosa
Sobressaiu uma vagina perfeita;
Virgem e sem apresentar maleita
Coisas da natureza mui fogosa.
A pintura erótica e cavernosa
Que a tela da terra tão bem enfeita
E o nosso olhar curioso não enjeita…
Uma visão, quiçá maliciosa.
Nesta partilha de formas e cores
Numa atitude deveras marota
Gracejam com a arte estes dois autores...
Desta simbiose quase anedota
Alterando um pouco os vossos humores
Poema e foto geraram risota.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Sonetando”
Modocromia Edições
Até sempre
Muito obrigada Agustina Bessa Luís
por todo o manancial que foste escrevendo
e que muita gente foi comprando e lendo,
por escreveres a prosa que eu sempre quis.
A tua escrita brotou como flor de lis,
um querer de mulher arrojada em crescendo,
mostrando-se ao mundo, seu valor tecendo
em palavras às vezes duras ou subtis.
Dizia-se bem mais conhecida que lida,
escreveu para o teatro e para o cinema,
sempre apoiada pelo homem de sua vida.
Escrever muito e escrever bem, era o seu lema.
Sobre gentes variadas e a sua lida
e recorrendo amiúde ao epifonema.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Muita Poesia e Pouca Prosa”
04-06-2019
Querer insano
Tua boca é fonte onde quero beber
Teu olhar é o lago onde quero navegar
Teu corpo o relevo aonde quero trepar
Teu espírito o remanso onde quero morrer.
Somado todo este puro e insano querer
Correndo o risco de tamanha conta errar;
Partirei, então, desolada, sem desfrutar
Um desejo oculto que esperava viver.
E, vivendo vou, esperançada neste amor
Que às vezes me derruba, outras me completa
Porfiando, neutralizo este desamor.
O fazer poesia também me completa
Com ela consigo afastar a minha dor
Tarefa calma, de todas a mais dileta.
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando"
Modocromia Edições
Hoje, sou outra!
Hoje, acordei enxuta, seca,
mirrada de ideias feitas.
Hoje, recuso a racionalidade idiota.
Quero sonhar,
batizar-me de criatividade,
dar largas à felicidade.
Hoje, quero alhear-me de códigos,
alhear-me de leis,
despojar-me dos anéis…
Quero sentir-te nos dedos.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “ Muita Poesia e Pouca Prosa”
Sonhar não é pecado
Sonhar é bom, não pode ser pecado
Dar muita corda a um coração franco
E preencher as páginas em branco
Tecendo um futuro do nosso agrado.
Sonhar é bom, é alterar o fado
É pegar nosso destino de flanco
Viver a vida com um novo arranco
É cruzar descalço, um imenso prado.
O sonhar não te exige compromisso;
Usar ideias, fazer delas rendas
Rejeitar o mau, clarear o omisso.
Se sonhas muito, nunca te arrependas;
É fácil, não tens que pagar por isso…
E colhes, da vida, benditas prendas.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando“
Revisito-me, às vezes...
Passo de relance na minha vida
E vejo-a a repetir-se
Em histórias humanas
Nem sempre confessáveis:
Histórias de ausências sentidas
De carinhos adiados
De esperanças frustradas
De beijos imaginados
De sentires simultâneos
Emoções de mãos dadas…
E apetece-me voar.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “SENSUALidade 2”
Modocromia Edições
A minha paz
Absorta me acho no meio do nada
Leva-me o vento norte, o pensamento
Esquecendo a maldade, o vil tormento
E regresso menos desanimada.
Luto pelo amor, feito uma danada
Com a alma arejada, com forte alento
Disposta a tudo, a lutar sem lamento
Tendo só para mim, a cousa amada.
E muito briosa do meu lutar
Canto as venturas e a paixão vivida
E jamais canso de o amor celebrar.
Agora, com a alma já sem ferida
Vivo a vida eternamente a cantar
A paz conquistada, não oferecida.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando “
Modocromia Edições
A fome
A fome que te mirra as carnes
Que te embacia o olhar
Que te despe de esperança
É mesma que podia ser aplacada
Pelos excessos da fartura de alguns
Que têm mais olhos que barriga
E contas chorudas que tantas vezes ajudaste a criar.
A fome que te mirra as carnes
Que te embacia o olhar
Que te despe de esperança
É mesma que podia ser aplacada
Pela fartura de alguns, infelizmente muitos, que se vestem de uma importância balofa:
De uma aparência, que à nascença foi igual à tua
E que em nada será diferente na hora da morte
Mas a ganância desmedida que os alimenta…
É CEGA!
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Um Grito contra a Pobreza”
Coletânea do Grupo de Poesia da Beira Ria/Aveiro 2015
Mulher cão
És a mulher “cão”
de um mundo não.
Vida atribulada, consumida,
repetidamente humilhada.
Desde que foste parida...
alguém se encarrega de ti:
de ser teu dono,
de te amar à sua maneira,
de atirar-te ao abandono,
de arranjar-te coleira.
Mulher!
Larga o “cão” que há em ti,
solta a raiva que te verga,
as amarras que te prendem.
Ergue-te! Sorri!
“ladra” ao mundo a tua dignidade,
o teu querer…
busca a tua liberdade!
Sê dona de ti!
Lucibei@poems
In "Muita Poesia e Pouca Prosa"