Lista de Poemas

Verdade ou ficção


                                      
Se há gente que acha que sou mesmo assim
Há outra que pensa que assim não sou;
Que sou aquela que se ficcionou
Ou, então, a que mais se aproxima de mim.
 
Faço das palavras meu espadachim
Digo tudo aquilo que sou e não sou
Aquela que em versos se desdobrou…
Laço-as, golpeio-as, dou-lhes fim.
 
Faço-vos sentir eu, amar ou odiar
Viver versos como se vossos fossem
Valorizando ou não, o meu versejar.

Rimas perfeitas que riem ou tossem
Num esforço enorme de aqui narrar
Emoções minhas, que as dores desossem!


Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando”
MODOCROMIA Edições
47

Desamerdei-me

Hoje, o curtir, que era mais usado no Brasil atravessou o atlântico e instalou-se de vez neste jardim a beira-mar plantado, para ficar. Considerado muito útil, porque dispensou o verbo gozar, fruir, desfrutar...  Agora curte-se tudo…as gajas/gajos, as caipiras e caipirinhas, as gordas de dar dó, as discos, os shots, as ganzas…

Surgem, então, pérolas de palavras nadas de uma ignorância em crescendo, porque o que importa é desenrascar-se, desenvencilhar-se…

Fala-se de imbigos, escupir no chão… ou escrevem-se palavras sui generis: desamerdar-se, sequesso, brilhas, nalgas…

Posto isto, eu, que às vezes me considero poeta, vou tentar desamerdar-me e fazer um poema, à minha maneira, com esta treta.


Desamerdei-me

 
Hoje, chavalita, sunhei cuntigo

Deichei d’ólhar pró meu imbigo

Tirei-te o azimute às nalgas

Desfiz-me das fraldas

Fixei tuas brilhas

Imaginei maravilhas

E órfão de nexo

Sonhei com sequesso.


Lucibei@poems

Lúcia Ribeiro

In “Muita Poesia e Pouca Prosa”
133

Outono


 
Outonam-se as carnes
Entre o estio dos sentidos
E o inverno do destino.
 
E o corpo pede Sol
Um “Sol” esperto…

A formigar desejos
A toldar a vista

A pedir investimento
A retardar o ocaso.
 
 Lucibei@poems

Lúcia Ribeiro

In “Muita Poesia e Pouca Prosa”

111

Nudez


Adivinho a nudez
Com que te vestes...
E visto-te de carícias e beijos
Numa languidez acesa
Num querer rápido e aglutinador
Numa paixão desabrida.
90

Nudez


Adivinho a nudez
Com que te vestes...
E visto-te de carícias e beijos
Numa languidez acesa
Num querer rápido e aglutinador
Numa paixão desabrida.
108

Santo António


Santo António, malandreco,
adora moças solteiras.
Aquelas que são casadas…
não gostam de brincadeiras.

No entanto, este santinho,
defensor do casamento,
não brinca com coisas sérias…
é santo de muito tento.

Na noite do dia doze,
toda a gente quer folgar,
entre bailes e comida…
toda a noite sem parar.

Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Muita Poesia e Pouca Prosa”
143

Olhares escritos

Olhares escritos

Da rocha vermelha, maravilhosa
Sobressaiu uma vagina perfeita;
Virgem e sem apresentar maleita
Coisas da natureza mui fogosa.

A pintura erótica e cavernosa
Que a tela da terra tão bem enfeita
E o nosso olhar curioso não enjeita…
Uma visão, quiçá maliciosa.
 
Nesta partilha de formas e cores
Numa atitude deveras marota
Gracejam com a arte estes dois autores...
 
Desta simbiose quase anedota                                                   
Alterando um pouco os vossos humores
Poema e foto geraram risota.     

   
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Sonetando”
Modocromia Edições
170

Até sempre



 

Muito obrigada Agustina Bessa Luís  

por todo o manancial que foste escrevendo

e que muita gente foi comprando e lendo,

por escreveres a prosa que eu sempre quis.

 

 A tua escrita brotou como flor de lis,

um querer de mulher arrojada em crescendo,

mostrando-se ao mundo, seu valor tecendo

em palavras às vezes duras ou subtis.

 

Dizia-se bem mais conhecida que lida,

escreveu para o teatro e para o cinema,

sempre apoiada pelo homem de sua vida.

 

Escrever muito e escrever bem, era o seu lema.

Sobre gentes variadas e a sua lida

e recorrendo amiúde ao epifonema.

 

Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Muita Poesia e Pouca Prosa”

04-06-2019
149

Querer insano


 
Tua boca é fonte onde quero beber 
Teu olhar é o lago onde quero navegar 
Teu corpo o relevo aonde quero trepar  
Teu espírito o remanso onde quero morrer.  
 
Somado todo este puro e insano querer 
Correndo o risco de tamanha conta errar;
Partirei, então, desolada, sem desfrutar 
Um desejo oculto que esperava viver.
 
E, vivendo vou, esperançada neste amor   
Que às vezes me derruba, outras me completa
Porfiando, neutralizo este desamor. 
 
O fazer poesia também me completa     
Com ela consigo afastar a minha dor         
Tarefa calma, de todas a mais dileta. 


Lúcia Ribeiro
In “Sonetando"
Modocromia Edições
149

Hoje, sou outra!


Hoje, acordei enxuta, seca,
mirrada de ideias feitas.
Hoje, recuso a racionalidade idiota.
Quero sonhar,
batizar-me de criatividade,
dar largas à felicidade.
Hoje, quero alhear-me de códigos,
alhear-me de leis,
despojar-me dos anéis…
              Quero sentir-te nos dedos.


Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “ Muita Poesia e Pouca Prosa”
156

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Biografia

Lúcia Ribeiro, também conhecida por Lucibei, nasceu na Póvoa de Varzim, corria o ano de 1951. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, Variante de Estudos Portugueses e Franceses. Obteve, ainda, o Diplôme Supérieur d’Études Françaises Modernes, de l’Alliance Française e o Diplôme Supérieur d’Études Françaises (D.S.E.F.) de l’ Institut Français, bem como duas Especializações: uma em Orientação Educativa e outra em Administração Escolar. 
Tem trabalhos publicados em alguns jornais e revistas escolares e, ainda, em diversos sítios da Internet. Publicou na página que possui no Recanto das Letras, três E.livros: “Un morceau de moi” em 2011; “Olhares escritos sobre o amor” em 2012; “Erótica MENTE” em 2013 e “Poemas de natal e Ano Novo em 2018. É nesta página, que vai postando tudo quanto escreve. Gere, ainda, as páginas de poesia “Alma Janela” @Lucibeipoems; “Pensée” http://www.luciaribeiro.net/
Participou em 22 coletâneas: 16 em Portugal, 3 no Brasil, 1 em Itália,  1 em Paris e 1 Argentina.
Colaborou na elaboração do “Conto de Natal” a 8 mãos”, um Projeto VianaCriativa e, ainda, na Exposição Fotográfica Solidária “Viana no Feminino”, de apoio ao GAF (Gabinete de Apoio à Família) de Viana do Castelo. 
Escreveu o seu primeiro livro “SENSUALidade 1” em 2006; “BorboLetras” da Modocromia Editora, em 2012; “Erótica MENTE” em 2015; “SENSUALidade 2” em 2017, também da Modocromia Editora; “Do Romântico ao Brejeiro” em setembro de 2018 e “Sonetando em dezembro de 2018, da Modocromia Editora.