Lista de Poemas

Propriedade, trabalho, valores...


Não importa que a terra não seja minha,
eu quero é semear,
porque no mundo há os que nascem erva daninha
e não saem do lugar,
e há os que nascem passarinhos,
e semeando voam além mar.
3 152

Prosa poética

Na porta da capela
Numa rua de pedra
Em Paracatu
Ela acendia uma vela
E entregava seu coração duro
Em troca de um coração de carne
Cheio de virtudes, amor e mansidão.

E eu?
Eu de tanto ver meu coração sangrar
Esfaqueado pelo desprezo,
Cravado de balas metralhadas pelos olhares mesquinhos
queria dela, com toda ânsia e desejo da minha alma aquele coração de pedra.
Um coração de pedra era tudo o que eu queria
e precisava para sobreviver,
e não falecer em hemorragia.

Mas não tinha a tal vela, para fazer o pedido.
Meu coração ingênuo sempre andava desprevenido
Nunca tinha velas, nem barcos, ou ancoradouros 
Andava descalço, exposto às ventanias e às flechadas dos Cupidos.
Sua carne dilacerada sobrevivia sangrando,
Minando artéria, alma e ventrículos.

Queria propor uma troca.
Mas como trocar com ela,
se nem olhava pra mim?
Nem imaginava que invejava nela
Aquele coração impávido, de pedra polida
Sem pontas, sangue ou cicatrizes. Nada!
Apenas mineral, que ela queria despedir.

E eu com tantas despedidas
que deixaram o meu coração esburacado
queria apenas um coração novo,
duro como as rochas
Para suportar as novas facadas.
3 177

Verso

Verso versátil
que versa o avesso
do eu perverso,
em verbo pervertido
pelos versos
do universo em que habito,
ao avesso dos seus
versos certos.


3 181

Eu... Eu faço coisas indizíveis

Eu faço coisas
Indizíveis
Eu digo coisas
Impraticáveis
Mas assumo as minhas
Insanidades.

Eu como coisas
Intragáveis
Eu trago coisas
Indispensáveis
Sou gente, humano, homem,
mas somos
Incomparáveis.

Eu tenho sonhos
Impossíveis
Eu sofro de
Infidelidades
Meu coração
Interditado
Vive na
Impessoalidade.

Eu tenho muita
Incapacidade
Eu existo na
Invisibilidade
Escrevendo palavras
Impublicáveis
Vivo como réu
Indiciado

Mas assumo as minhas
Indignidades.
3 120

Mente atormentada


"Meu sangue não circula como
águas de um rio tranquilo.
Ele passa pelas veias
em ondas 🌊 de tormenta, forma um maremoto,
tendo a mente
como epicentro.
Assim nasce essa mente atormentada."

Madalena D'Fonseca.
705

Vim ao mundo nua, parto sem nada...


Todos os meus delírios
foram ambição.
Todos os meus anseios,
devaneios.

Todas as conquistas,
ilusão.
O que acreditei serem: Meus,
não foram, nem são.

Assim passou a minha vida,
esse invisível quinhão alucinado,
indo do nada para lugar algum,
uma lástima!

Vim ao mundo nua, parto sem nada.

Madalena Daltro Fonseca.
2 609

Manifestação da dor...


É dor pra todo lado,
a vida em tormentas,
e há quem só pense
em estocar alimentos.

Eu, de choro farto,
já nem faço questão
de sobreviver, em meio a
caos e caminhão.

Brasil, 26 de maio de 2018.
Madalena Fonseca.
2 607

'Amor de Perdição'

Aquele nó na garganta
Sempre vem acompanhado
De um vazio abissal sob os pés.

Roo unhas, estalo dedos,
Perco anéis...

Agarro-me numa esperança

Despenco
Atônita, ensanguentada e fria
Mas afinal de contas,
O que é o amor, utopia?

2 758

Vida, morte e vodka...

Que esta vida trágica
traga um pouco de lógica
Para que a morte seja
como uma dose de vodka.

Madalena Daltro.
2 792

Conto de Fada Fatigada entre a Cruz e a Espada

Conto de Fada Fatigada entre a Cruz e a Espada.

'Gosto
da Fada Sininho, da Barbie e da Bela Adormecida...
Gosto
de Nossa Senhora de Fátima, Assunção e Conceição Aparecida...

Mas sou da linhagem das Fionas
e minha devoção é de
Santa Joana D'Arc
e
São Nuno de Santa Maria...

Como os de Santo Expedito
meus pés estão no chão.
O alto da torre é para as
Rapunzel, Fátima e
Assunção
Preciso de precisão
porque a mim sobrou o fel...

O meu Castelo,
É um elo casto, de lenço, sem véu ao vento,
atravesse o pântano para entrar na festa...
Lá, um tonel aguarda ardente,
com água doce, e sal com mel...'

2 959

Comentários (8)

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wilson1970

Sua vocação é ser poetisa

luiscoelho

Gostaria que vc lesse. Vanise O caminho e tortuoso Fica distante Carece de palavras Tem o olhar no infinito Busca o sentido Dos poetas e poetisas Para abraçar o tempo Acena no ar etéreo Para voltar a sonhar O sonho da busca Do aguardado sorrir Para todos os amanhãs. Licroceh Usalsolo Ml14ri07re18

luiscoelho

No deserto de sentimento,buscamos porta que nos leve ate os amores esquecidos. Ah como é doce encontrar no caminho sua mão acenando para o abraçar e descansar.

luiscoelho

Na imagem, seu sorriso No olhar a docura da busca Nos escritos a pureza De um sentimento Sempre no sol, no luar Na inspiração dos sonhadores. licroceh usalsolo

luiscoelho

SURGIMENTO Sem uma causa, sem um alerta Eis que surge no caminho O encontro de poemas e versos De buscas e pensamentos Tragados pelo nascer de cada amanhecer Voce chegou. licroceh usalsolo ml11lc5rr18 me informe os nomes do seu livro e como compra-los.

Madalena Daltro nasceu no Rio de Janeiro em 1973. É casada e mãe de dois filhos.

Sua primeira atuação na sociedade foi como voluntária da Cruz Vermelha Brasileira no projeto Operação Ararajuba onde ingressou numa expedição ao interior do Ceará.

Em seguida aderiu ao grupo do curso de teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (TUERJ).

É graduada em Estudos Sociais, especialista em Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística, especialista em ensino de História e Geografia e mestre em Gestão e Auditoria Ambiental.

Escreveu diversos artigos acadêmicos,  lecionou, entre outras disciplinas; História da Arte e Planejamento Urbano. Em 2012 foi docente do curso de pós-graduação em Perícia Ambiental. 

Tem dois livros de poesias publicados e participações em antologias.

Escreve desde que aprendeu a escrever e sempre gostou de transmitir conhecimento, de alma inquieta, tem sede de conhecimento, curiosidade aguçada e amor pelas Artes, História e Literatura. 

Seus livros foram publicados pela editora Multifoco.


http://pesquisa.livrariacultura.com.br/busca.php?q=Madalena+Daltro