Lista de Poemas

Versos

Às vezes a água fria da pia
em que lavo os copos
e pratos
congela os versos.

Outras vezes
a mesma água
com que rego as plantas
refresca o vaso
de onde nasce a paz."
3 238

Deus

...É pelo som da lágrima

que Deus me ouve...

3 089

Depressão

...Deprimida anulo os ensolarados dias da minha vida.

Habito num corpo assombrado,

num labirinto de portas trancadas...

Ocupa-me o tempo,

esse devaneio cego...

3 081

Salta aos olhos


Salta aos olhos
saltitantes
aquela mulher sem salto.

Solta ao vento,
os cabelos soltos
voam
tranquilos,
sem sobressaltos.

Seu passo
salta e
remexe o corpo
livre.

Solto da desconfiança
dos assaltantes
que assaltam
a todo instante
o sorriso solto
nos lábios cintilantes.
3 111

Golpe do Baú - Crônica


"Quando falo sobre os livros nessa coluna, penso nas pessoas que não gostam de saber o fim da história, mas por outro lado, penso em quem é como eu, que mesmo sabendo que o Titanic afundou, revi o filme dezenas de vezes...
Gostamos das surpresas, mas nos relacionamentos procuramos a estabilidade que a confiança estabelece, mesmo sabendo da existência da imprevisibilidade da vida.
Engana-se muito quem acha que é difícil de ser enganado. A prática de iludir e enganar o inimigo vem desde que o homem é homem. A camuflagem é um recurso de sobrevivência de muitos animais, não se restringindo às borboletas, camaleões ou à Lagartixa Satânica Cauda de Folha (que de satânica não tem nada). Pois é, o ser humano também se camufla, se por um lado todos sabem que há lobos em pele de cordeiro, por outro há os que acreditam em qualquer aparência, sem julgar se se trata ou não de uma camuflagem.
Até mesmo um Noviço desconfia das aparências.
A propósito, O Noviço, personagem e título do livro que quero sugerir para leitura, trata-se de uma peça teatral que inaugura a comédia no teatro brasileiro pelo ilustre autor Martins Pena.
Ambrósio e Rosa se..."

Leia a crônica completa em: http://folhavalle.com/golpe-do-bau/
2 136

Você guarda mágoa, ou é a mágoa que te guarda? (Crônica)


Estive revisitando o Livro de Mágoas da escritora portuguesa Florbela da Conceição Espanca.
Aí está uma pessoa que soube sofrer com elegância!
E ela sabia exatamente para quem escrevia; um seleto público de leitores sofredores, daqueles que encaram a dor de frente, olhos nos olhos, estando ou não com medo, esses não saberiam sorrir, guardando dentro de si, um gesto de covardia.

Florbela diz nos primeiros versos desse livro:

"Este livro é de mágoas.

Desgraçados que no mundo passais, chorai ao lê-lo!

Somente a vossa dor de Torturados pode,

talvez, senti-lo... e compreendê-lo..."

Então você me perguntaria, e quem é que pensa em elegância na hora do desespero? Bem, não é na hora exata, é depois, é no momento da mágoa, na hora de remoer, nessa hora tem gente que mastiga a mágoa com a boca aberta, e fica ali ruminando, ruminando, mas há os que mastigam elegantemente, de boca fechada, e com o garfo deposita, calmamente, o caroço no prato.

E como falar de mágoas, dores e elegância sem se lembrar, também, dos poemas de Francisco Otaviano e Paulo Leminski? Quase impossível! Eles são dois, dos muitos escritores brasileiros que também souberam, cada um à sua maneira, sofrer com elegância. Dos seus caroços brotaram versos para os quais me faltam os adjetivos, pois transcendem as palavras, as dores, as mágoas... Atingem o âmago da alma, como este de Paulo Leminski:

"um homem com uma dor

é muito mais elegante

caminha assim de lado

como se chegando atrasado

andasse mais adiante


carrega o peso da dor

como se portasse medalhas

uma coroa, um milhão de dólares

ou coisas que os valha


ópios édens analgésicos

não me toquem nessa dor

ela é tudo que me sobra

sofrer, vai ser minha última obra"


E este do Otaviano:

"Quem passou pela vida em branca nuvem,

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu

Foi espectro de homem - não foi homem,

Só passou pela vida - não viveu."

Os poemas falam por si. E por isso, fico até sem jeito de continuar escrevendo depois de transcrever versos dessa magnitude.
Mas preciso dizer que ao longo da vida, tenho percebido que as pessoas vêm perdendo a elegância do sofrimento, hoje as pessoas sofrem feio, como se feio fosse o sofrer, quando feio é se mostrar alegre, sem o ser...
Usando o jargão contemporâneo: 'para que tá feio!'
Deixe a mágoa guardar você, te proteger pela experiência de vida, mas não guarde mágoa, não a remoa.
Quanto mais se tenta sufocar a dor, mais tempo passamos remoendo, é preciso tratar a dor, resolver o problema, encarar a dor de frente, mas às vezes o problema só se resolve com a quietude do repouso, com o silêncio.
Nesse tempo de silêncio nós damos tempo para a alegria se nutrir, ganhar sustância e ressurgir com força, com vontade e com verdade.
Para isso é importante ir alimentando a mente com mais arte, com boa música, com bons livros, com mais poesia, esses são bons nutrientes para a mente, são os recursos que ela vai lançar mão na hora do aperto.

É preciso ter bons ingredientes estocados na mente para dar a volta por cima; mas se a pessoa vai lá e estrangula o sofrimento, não vive a 'quarentena' da dor, da mágoa, do luto, ela perde os frutos dos seus caroços, num esforço vão de impor uma alegria pálida.
E acabam estocando mágoa e sofrendo sem elegância.


Madalena Daltro Fonseca.
Coluna: Cultura & Literatura
Jornal: Folha Valle
http://folhavalle.com/voce-guarda-magoa-ou-e-magoa-que-te-guarda/
2 647

Chora a morte em vida (do livro: Poesia Chick Lit II)


Chora em vida a própria morte
Foi um desperdício da natureza
Um lixo a mais no lixão da tristeza
É um coração maltrapilho
Tosco e sem brilho.

Se árvore fosse
Seria lenha
Teria o colo do lenhador
Passaria no braço da cozinheira
Manteria aceso o fogo
Que aquece, ilumina, alimenta
Espantando a tristeza
Soltando fagulhas saltitantes, brilhantes... cintilantes...

Agora cintila a lágrima
Que apaga o fogo dos sonhos
Mas resistente como pedra
Continua desejando... vida, brilho, fogos e alegria!

Madalena Daltro Fonseca.
2 586

Se me ama...

Se me ama
se declare,
para que eu declame
meu amor.

Madalena Daltro.
2 916

Inteiro

Não quero um fragmento
ou uma citação que cause impacto
quero um poema inteiro
mesmo que seja ácido

Não quero uma esmola
quero o nada que dá impulso
o nada que move a força
a força que move tudo

Não quero uma cópia
quero o original
quero uma trova,
mas que não haja igual

Não quero ser mesquinha
conformada com quase tudo
Sacuda meu corpo com a simplicidade,
mas que seja inteiro.

Então dá-me uma música!
Quero a intensidade
O suspiro profundo
Sair desse mundo

Quero uma palavra
não abreviada
que seja inteira
distinta ou camuflada
Que me faça rir
que me surpreenda
que me faça refletir
que me compreenda
que me faça amante
que me encante
que seja inteira
que me faça inteiro.


3 067

Eu tão moleque

Os adultos são tão bem comportados
tão sérios
tão sabichões tão, tão... E eu?
Eu tão moleque

E eu tão moleque
achava que aos 25 seria adulta
aos 25 tão moleque
achava que aos 30 seria adulta
aos 30 tão moleque
vesti-me como adulta,
mas por dentro,
descalço, sem camisa...
tão moleque...

Achei que aos 35 seria adulta
e aos 40 tão moleque pensei em quem não teve infância
e descobri que uns não têm infância
e outros não têm "adultez"

Olham-me como um ser estranho
e eu tão moleque sigo em frente
deixei de sonhar em ser comportada
fazer o que com o meu eu tão moleque?

Eu tão moleque fui pra guerra
e tão moleque tornei-me soldado
eu tão moleque sou mais sério
que muito adulto comportado.

Poesia Chick Lit 2
http://www.livrariacultura.com.br/s/resenha/resenha.asp?nitem=42269453&sid=921196222162354135577874

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Comentários (8)

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wilson1970

Sua vocação é ser poetisa

luiscoelho

Gostaria que vc lesse. Vanise O caminho e tortuoso Fica distante Carece de palavras Tem o olhar no infinito Busca o sentido Dos poetas e poetisas Para abraçar o tempo Acena no ar etéreo Para voltar a sonhar O sonho da busca Do aguardado sorrir Para todos os amanhãs. Licroceh Usalsolo Ml14ri07re18

luiscoelho

No deserto de sentimento,buscamos porta que nos leve ate os amores esquecidos. Ah como é doce encontrar no caminho sua mão acenando para o abraçar e descansar.

luiscoelho

Na imagem, seu sorriso No olhar a docura da busca Nos escritos a pureza De um sentimento Sempre no sol, no luar Na inspiração dos sonhadores. licroceh usalsolo

luiscoelho

SURGIMENTO Sem uma causa, sem um alerta Eis que surge no caminho O encontro de poemas e versos De buscas e pensamentos Tragados pelo nascer de cada amanhecer Voce chegou. licroceh usalsolo ml11lc5rr18 me informe os nomes do seu livro e como compra-los.

Madalena Daltro nasceu no Rio de Janeiro em 1973. É casada e mãe de dois filhos.

Sua primeira atuação na sociedade foi como voluntária da Cruz Vermelha Brasileira no projeto Operação Ararajuba onde ingressou numa expedição ao interior do Ceará.

Em seguida aderiu ao grupo do curso de teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (TUERJ).

É graduada em Estudos Sociais, especialista em Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística, especialista em ensino de História e Geografia e mestre em Gestão e Auditoria Ambiental.

Escreveu diversos artigos acadêmicos,  lecionou, entre outras disciplinas; História da Arte e Planejamento Urbano. Em 2012 foi docente do curso de pós-graduação em Perícia Ambiental. 

Tem dois livros de poesias publicados e participações em antologias.

Escreve desde que aprendeu a escrever e sempre gostou de transmitir conhecimento, de alma inquieta, tem sede de conhecimento, curiosidade aguçada e amor pelas Artes, História e Literatura. 

Seus livros foram publicados pela editora Multifoco.


http://pesquisa.livrariacultura.com.br/busca.php?q=Madalena+Daltro