Madalena Daltro Fonseca nasceu no Rio de Janeiro. É escritora e palestrante, têm cinco livros publicados, diversos artigos e participações em antologias. É mestre em Gestão e Auditoria Ambiental.
Não importa que a terra não seja minha,
eu quero é semear,
porque no mundo há os que nascem erva daninha
e não saem do lugar,
e há os que nascem passarinhos,
e semeando voam além mar.
Madalena Daltro nasceu no Rio de Janeiro em 1973. É casada e mãe de dois filhos.
Sua primeira atuação na sociedade foi como voluntária da Cruz Vermelha Brasileira no projeto Operação Ararajuba onde ingressou numa expedição ao interior do Ceará.
Em seguida aderiu ao grupo do curso de teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (TUERJ).
É graduada em Estudos Sociais, especialista em Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística, especialista em ensino de História e Geografia e mestre em Gestão e Auditoria Ambiental.
Escreveu diversos artigos acadêmicos, lecionou, entre outras disciplinas; História da Arte e Planejamento Urbano. Em 2012 foi docente do curso de pós-graduação em Perícia Ambiental.
Tem dois livros de poesias publicados e participações em antologias.
Escreve desde que aprendeu a escrever e sempre gostou de transmitir conhecimento, de alma inquieta, tem sede de conhecimento, curiosidade aguçada e amor pelas Artes, História e Literatura.
Seus livros foram publicados pela editora Multifoco.
...Deprimida anulo os ensolarados dias da minha vida.
Habito num corpo assombrado,
num labirinto de portas trancadas...
Ocupa-me o tempo,
esse devaneio cego...
3 100
Salta aos olhos
Salta aos olhos saltitantes aquela mulher sem salto.
Solta ao vento,
os cabelos soltos
voam
tranquilos,
sem sobressaltos.
Seu passo
salta e
remexe o corpo
livre.
Solto da desconfiança
dos assaltantes
que assaltam
a todo instante
o sorriso solto
nos lábios cintilantes.
3 130
Deus
...É pelo som da lágrima
que Deus me ouve...
3 110
Versos
Às vezes a água fria da pia em que lavo os copos e pratos congela os versos.
Outras vezes a mesma água com que rego as plantas refresca o vaso de onde nasce a paz."
3 257
Golpe do Baú - Crônica
"Quando falo sobre os livros nessa coluna, penso nas pessoas que não gostam de saber o fim da história, mas por outro lado, penso em quem é como eu, que mesmo sabendo que o Titanic afundou, revi o filme dezenas de vezes... Gostamos das surpresas, mas nos relacionamentos procuramos a estabilidade que a confiança estabelece, mesmo sabendo da existência da imprevisibilidade da vida. Engana-se muito quem acha que é difícil de ser enganado. A prática de iludir e enganar o inimigo vem desde que o homem é homem. A camuflagem é um recurso de sobrevivência de muitos animais, não se restringindo às borboletas, camaleões ou à Lagartixa Satânica Cauda de Folha (que de satânica não tem nada). Pois é, o ser humano também se camufla, se por um lado todos sabem que há lobos em pele de cordeiro, por outro há os que acreditam em qualquer aparência, sem julgar se se trata ou não de uma camuflagem. Até mesmo um Noviço desconfia das aparências. A propósito, O Noviço, personagem e título do livro que quero sugerir para leitura, trata-se de uma peça teatral que inaugura a comédia no teatro brasileiro pelo ilustre autor Martins Pena. Ambrósio e Rosa se..."
Leia a crônica completa em: http://folhavalle.com/golpe-do-bau/
2 144
Você guarda mágoa, ou é a mágoa que te guarda? (Crônica)
Estive revisitando o Livro de Mágoas da escritora portuguesa Florbela da Conceição Espanca. Aí está uma pessoa que soube sofrer com elegância! E ela sabia exatamente para quem escrevia; um seleto público de leitores sofredores, daqueles que encaram a dor de frente, olhos nos olhos, estando ou não com medo, esses não saberiam sorrir, guardando dentro de si, um gesto de covardia.
Florbela diz nos primeiros versos desse livro:
"Este livro é de mágoas.
Desgraçados que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados pode,
talvez, senti-lo... e compreendê-lo..."
Então você me perguntaria, e quem é que pensa em elegância na hora do desespero? Bem, não é na hora exata, é depois, é no momento da mágoa, na hora de remoer, nessa hora tem gente que mastiga a mágoa com a boca aberta, e fica ali ruminando, ruminando, mas há os que mastigam elegantemente, de boca fechada, e com o garfo deposita, calmamente, o caroço no prato.
E como falar de mágoas, dores e elegância sem se lembrar, também, dos poemas de Francisco Otaviano e Paulo Leminski? Quase impossível! Eles são dois, dos muitos escritores brasileiros que também souberam, cada um à sua maneira, sofrer com elegância. Dos seus caroços brotaram versos para os quais me faltam os adjetivos, pois transcendem as palavras, as dores, as mágoas... Atingem o âmago da alma, como este de Paulo Leminski:
"um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa, um milhão de dólares
ou coisas que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra"
E este do Otaviano:
"Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu."
Os poemas falam por si. E por isso, fico até sem jeito de continuar escrevendo depois de transcrever versos dessa magnitude. Mas preciso dizer que ao longo da vida, tenho percebido que as pessoas vêm perdendo a elegância do sofrimento, hoje as pessoas sofrem feio, como se feio fosse o sofrer, quando feio é se mostrar alegre, sem o ser... Usando o jargão contemporâneo: 'para que tá feio!' Deixe a mágoa guardar você, te proteger pela experiência de vida, mas não guarde mágoa, não a remoa. Quanto mais se tenta sufocar a dor, mais tempo passamos remoendo, é preciso tratar a dor, resolver o problema, encarar a dor de frente, mas às vezes o problema só se resolve com a quietude do repouso, com o silêncio. Nesse tempo de silêncio nós damos tempo para a alegria se nutrir, ganhar sustância e ressurgir com força, com vontade e com verdade. Para isso é importante ir alimentando a mente com mais arte, com boa música, com bons livros, com mais poesia, esses são bons nutrientes para a mente, são os recursos que ela vai lançar mão na hora do aperto.
É preciso ter bons ingredientes estocados na mente para dar a volta por cima; mas se a pessoa vai lá e estrangula o sofrimento, não vive a 'quarentena' da dor, da mágoa, do luto, ela perde os frutos dos seus caroços, num esforço vão de impor uma alegria pálida. E acabam estocando mágoa e sofrendo sem elegância.
Madalena Daltro Fonseca. Coluna: Cultura & Literatura Jornal: Folha Valle http://folhavalle.com/voce-guarda-magoa-ou-e-magoa-que-te-guarda/
2 653
Chora a morte em vida (do livro: Poesia Chick Lit II)
Chora em vida a própria morte Foi um desperdício da natureza Um lixo a mais no lixão da tristeza É um coração maltrapilho Tosco e sem brilho.
Se árvore fosse Seria lenha Teria o colo do lenhador Passaria no braço da cozinheira Manteria aceso o fogo Que aquece, ilumina, alimenta Espantando a tristeza Soltando fagulhas saltitantes, brilhantes... cintilantes...
Agora cintila a lágrima Que apaga o fogo dos sonhos Mas resistente como pedra Continua desejando... vida, brilho, fogos e alegria!
Madalena Daltro Fonseca.
2 594
Se me ama...
Se me ama se declare, para que eu declame meu amor.
Madalena Daltro.
2 921
Inteiro
Não quero um fragmento
ou uma citação que cause impacto
quero um poema inteiro
mesmo que seja ácido
Não quero uma esmola
quero o nada que dá impulso
o nada que move a força
a força que move tudo
Não quero uma cópia
quero o original
quero uma trova,
mas que não haja igual
Não quero ser mesquinha
conformada com quase tudo
Sacuda meu corpo com a simplicidade,
mas que seja inteiro.
Então dá-me uma música!
Quero a intensidade
O suspiro profundo
Sair desse mundo
Quero uma palavra
não abreviada
que seja inteira
distinta ou camuflada
Que me faça rir
que me surpreenda
que me faça refletir
que me compreenda
que me faça amante
que me encante
que seja inteira
que me faça inteiro.
3 093
Eu tão moleque
Os adultos são tão bem comportados
tão sérios
tão sabichões
tão, tão...
E eu?
Eu tão moleque
E eu tão moleque achava que aos 25 seria adulta
aos 25 tão moleque
achava que aos 30 seria adulta
aos 30 tão moleque
vesti-me como adulta,
mas por dentro, descalço, sem camisa...
tão moleque...
Achei que aos 35 seria adulta
e aos 40 tão moleque
pensei em quem não teve infância
e descobri que
uns não têm infância
e outros não têm "adultez"
Olham-me como um ser estranho
e eu tão moleque
sigo em frente
deixei de sonhar
em ser comportada
fazer o que com o meu eu tão moleque?
Eu tão moleque fui pra guerra
e tão moleque tornei-me soldado
eu tão moleque sou mais sério
que muito adulto comportado.
Gostaria que vc lesse. Vanise O caminho e tortuoso Fica distante Carece de palavras Tem o olhar no infinito Busca o sentido Dos poetas e poetisas Para abraçar o tempo Acena no ar etéreo Para voltar a sonhar O sonho da busca Do aguardado sorrir Para todos os amanhãs. Licroceh Usalsolo Ml14ri07re18
No deserto de sentimento,buscamos porta que nos leve ate os amores esquecidos. Ah como é doce encontrar no caminho sua mão acenando para o abraçar e descansar.
Na imagem, seu sorriso No olhar a docura da busca Nos escritos a pureza De um sentimento Sempre no sol, no luar Na inspiração dos sonhadores. licroceh usalsolo
SURGIMENTO Sem uma causa, sem um alerta Eis que surge no caminho O encontro de poemas e versos De buscas e pensamentos Tragados pelo nascer de cada amanhecer Voce chegou. licroceh usalsolo ml11lc5rr18 me informe os nomes do seu livro e como compra-los.
Ola, espero poder acompanha-la nos versos e, sendo sensível saberá ler nos escritos que a vida tem três tempos:- passado, presente e futuro. Até o próximo verso.
Muitas vezes fazemos coisas que realmente são impraticáveis, mas, quando assumimos fica bem mais fácil de acertar os passos. Poemas muito bem escritos...
Olá Madelena agradeço seu comentário, espero poder coloca-la em meu círculo. Vou tmar a liberdade e enviar-lhe um convite e ficaria muito honrado caso aceite. Boa semana. Fernando Serrate ([email protected])
Ola, espero poder acompanha-la nos versos e, sendo sensível saberá ler nos escritos que a vida tem três tempos:- passado, presente e futuro. Até o próximo verso.
Muitas vezes fazemos coisas que realmente são impraticáveis, mas, quando assumimos fica bem mais fácil de acertar os passos. Poemas muito bem escritos...
Gostei muito dos seus poemas... E essa é minha sociedade!
Olá Madelena agradeço seu comentário, espero poder coloca-la em meu círculo. Vou tmar a liberdade e enviar-lhe um convite e ficaria muito honrado caso aceite. Boa semana. Fernando Serrate ([email protected])