Essa é a Minha Sociedade
Essa é a minha sociedade
eu escrevo e você assina
eu penso e você aparece
eu trabalho e você vadia
Essa é a minha sociedade
uma boa ideia será compartilhada
você a vende
e eu fico sem nada
Essa é a minha sociedade
eu estudo e você pronuncia
eu peço comida e você come
eu lapido e você brilha
Essa é a minha sociedade
pode ser anônima ou limitada
se for anônima, esse será meu cargo
se for limitada, esse será meu cargo
Caberá a você o nome fantasia
e também a visibilidade
Essa é a minha sociedade...
Tigela
Tigela branca de porcelana
Colher de pau, açúcar e trigo
enorme beleza surge ao quebrar dos ovos
Um, dois, três
Girassóis de Van Gogh
em escultura
Tigela branca de porcelana
Mexe a massa quem ama
Assa o bolo e chama
Feliz criança que vê
Criação
Dedicação
Transformação
Tigela branca de porcelana
Ventre que guarda o gosto da massa crua
Inesquecível
Inconfundível
Incomparável
Como lua crescente
vê como mágica
o bolo redondo crescer
Belo sorriso vem ao saber
Que o bolo já pode comer.
(Crônica) Quando o sapato aperta
Coluna: Cultura & Literatura - Jornal Folha Valle.
Quando pensamos na associação entre sapatos e princesas, logo vem à memória a história da Cinderela, que perde o seu
sapatinho após um baile no palácio real.
Mas os plebeus também têm lá as suas fixações por sapatos.
Uma vez ouvi o estilista Clodovil falando que não gostava do sapato feminino com salto plataforma, dizia que era um salto grosseiro ou coisa semelhante. Então, dias atrás li num jornal da capital paulista que a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, não aprova o uso de sapatos de salto plataforma, aqueles com acabamento em cortiça. A notícia dizia ainda que ser da realeza implicava, para as mulheres como Kate Middleton (Duquesa de Cambridge) e Meghan Markle (Duquesa de Sussex), algumas restrições, como a de não usarem este tipo de calçado perto da rainha ou eventos oficiais...
Achei a restrição mais leve do que os saltos dos tais sapatos...
É verdade que Kate e Meghna não são princesas, mas têm potencial para tal, portanto, atenção para os sapatos!
Achei curioso o tipo de notícia que se dá atualmente sobre a realeza. Verdade seja dita, acho tão irrelevante! Não pelos saltos plataformas, ah, sim não tenho nada contra, mas para mim também são irrelevantes, considerando a minha altura, qualquer que seja o salto e qualquer que seja a altura dele, me sinto o próprio e inesquecível Jorge Lafond no auge dos seus 1,96cm.
Pois bem, notícias assim, sobre o gosto da Rainha, são rasteirinhas perto dos feitos da outra Rainha da Intglaterra, a Elizabeth I. Um dos seus feitos realmente dramáticos foi o de manter a sua prima, a bela e alta Mary Stuart, Rainha da Escócia, presa por uns 19 anos e, por fim, decapitada a mando da Rainha. Reza a lenda que foram necessários 3 golpes para que a dita morte limpa fosse finalmente executada.
Conhecendo essas histórias, é difícil achar que realmente seja algo dramático não poder usar um determinado modelo de sapato e também achar qualquer traço digno de correção na atual Rainha da Inglaterra.
Por outro lado, conhecendo o contexto da história nos tempos de Elizabeth I, época que o escritor e dramaturgo William Shakespeare viveu, não é de se espantar com o que chamam tragédia do teatro Shakeasperiano. Também não é de achar assim tão, digamos, tão desesperador quaisquer que sejam as atuais restrições lá nas terras monárquicas.
Shakespeare tinha pouco mais de 20 anos quando Maria Stuart foi decapitada, e a sua (leia mais em: http://folhavalle.com/quando-o-sapato-aperta/ ).
Toca-me o caipira - Poesia Chick Lit 2
Toca-me o caipira da bicicleta
Marcado do sol
Tatuado de corte
Do punhal imposto
Que corta a carne
Os ovos, a fruteira...
Restam o feijão
E o milho da peneira
Toca-me o caipira
Dormindo no colchão
De capim seco
Deixando no chão
A marmita vazia
Toca-me o cairpira
Que carrega o luxo nas costas
Sem costas quentes ou costas largas
Carrega a bicicleta de pneu furado
Toca-me o cairpira
Que não bebe Caipirinha
Não toma Aspirina
Vive de fé e de certa alegria.
Destino e Livre Arbítrio
"Supliquei ao destino um pouco de livre-arbítrio,
para o azar da sorte,
ele me deixou optar entre a cruz e a espada.
Escolhi a espada,
e para a sorte do azar,
até hoje luto contra ele."
Madalena D. Fonseca.
Despedida do desespero
Despedida do desespero
Aqui, os meus valores
não pagam contas,
não viajam,
nem mandam flores...
Aqui, o meu amor
já não tem voz,
já nem te vejo,
como a primeira vez...
Aqui, a minha dor
não tem remédio,
nem culmina
em sacrilégio...
Aqui, (nesse planeta)
a morte (despedida)
é impedida,
por quem defende a vida
apenas para escravizá-la.
Deixai-nos ir.
Deixai-me ir daqui,
na velocidade dessa luz
que ilumina a saída.
Madalena D'Fonseca
A vida não usa relógio (Cultura & Literatura - Jornal Folha Valle)
A Vida Não Usa Relógio
(Madalena Fonseca - Folha Valle 2018)
Quando ele chegou ao ponto, o bonde havia saído fazia 5 minutos.
Em torno dessa informação é que José de Alencar conta a história do romance: Cinco Minutos (1856).
Quem anda ou andou de ônibus conhece bem a sensação de se perder o ônibus. Raramente uma pessoa dirá:
- Ah, paciência!
Em geral é um misto de sentimentos, potencializado pelo objetivo que se tem em percorrer aquele trajeto.
Muitas vezes perder é sinônimo de ganhar.
Parece contraditório, porque nós não fomos educados para lidarmos com a perda de modo a tirar proveito dela ou nem mesmo somos capazes de cogitar a possibilidade de uma perda ser um desvio, que evita uma tragédia.
Vá saber o desenho das teias do destino!
Em vez de ampliarmos a visão do que fica, permitimos que o caos se instale, então vem a ansiedade, a impaciência, o descontrole emocional, assim, de uma perda, perde-se a saúde, perde-se a paz de espírito, perde-se amigos, tudo isso porque só se foca no prejuízo, ou no ônibus que se perdeu, no engarrafamento que faz perder tempo e assim vai...
Li Cinco Minutos em 1988, só me recordo do ano porque foi uma daquelas leituras obrigatórias da #escola, e ele foi um dos livros que ajudou a moldar a minha visão de mundo. Naquela época eu ficara muito impressionada, me perguntava: Como míseros 5 minutos mudariam, para melhor, toda uma história de vida?
O incrível é que, fatos que nem levamos em consideração e nem vemos com o potencial de alguma grande mudança e até mesmo os de aspectos negativos se tornam uma guinada positiva na estrada da vida. E foi o que aconteceu no romance.
O autor do livro não diz o nome do personagem narrador, mas ele conheceu a sua futura esposa, Carlota, no bonde em que subiu algum tempo depois de perder o bonde anterior, por conta dos 5 minutos de atraso. Foi amor à primeira vista, apesar de ele não ter visto o rosto dela, pois estava coberto por um véu. Naquela época o recato e a restrição de comunicação eram entraves para se iniciar qualquer relação. As relações aconteciam por meio de cartas, recados ou bilhetes, e como ninguém sai dando o endereço da casa assim para um desconhecido, o jeito foi ele ir por 15 dias seguidos pegar, pontualmente, aquele mesmo bonde, na esperança de reencontrá-la, mas sem sucesso. O destino quer confirmar que ele age na hora que bem entende.
Os jovens apaixonados se reencontraram em outras ocasiões. 💖
A questão do tempo, ou melhor, da relatividade do tempo e de sua força é algo que marca o texto. Se por um lado 5 minutos fazem diferença no destino, por outro lado, a ansiedade modifica a percepção do tempo, mas para o que já está traçado não causa nenhuma alteração, porque o que tinha de acontecer aconteceu independente dessa percepção atormentada do passar do tempo, como nesse trecho:
"Vivi um mês, contando os dias, as horas e os minutos; o tempo corria vagarosamente para mim, que desejava poder devorá-lo. Quando tinha durante uma manhã inteira olhado o seu retrato, conversado com ele, e lhe contado a minha impaciência e o meu sofrimento, começava a calcular as horas que faltavam para acabar o dia, os dias que faltavam para acabar a semana e as semanas que ainda faltavam para acabar o mês."
Essa conduta do personagem em nada alterou o curso dos acontecimentos, a não ser um serviço doméstico que ele poderia ter feito em vez de ficar fazendo essas contas inúteis.
A vida não usa relógio, ela segue o curso que tem de seguir, no tempo dela.
Por vezes nós também perdemos um tempo enorme calculando o tempo para isso ou aquilo, e as coisas mais importantes acontecem fora do nosso tempo programado. Carlota era alguém que, no começo da narrativa, se mostrou ser uma jovem sedutora, mas que vai se revelando uma moça sem vigor, doente de morte, mas que teve a vida salva pelo beijo e abraço do personagem apaixonado. "- Oh! Quero viver! exclamou ela."
Essa cena remete ao beijo que desperta a Bela Adormecida...
Se por um lado o personagem tem um pulso que ousa querer controlar o tempo e o rumo das coisas, por outro lado, Carlota até então, não tem força vital. Eu a chamaria de 'mosca morta', mas que despertou com a força da paixão do amado, que viajou para a Europa atrás dela, onde ela teria ido para tentar curar a sua enfermidade.
"Desta pequena causa, desse grão de areia, nasceu a minha felicidade; dele podia resultar a minha desgraça. Se tivesse sido pontual como um inglês, não teria tido uma paixão nem feito uma viagem; mas ainda hoje estaria perdendo o meu tempo a passear pela rua do Ouvidor e a ouvir falar de política e teatro."
Acho curioso ele achar que ele não teria conhecido a Carlota se não tivesse perdido o bonde anterior, mas quer saber o que eu acho? Acho que se ele tivesse sido pontual, ela poderia ter se adiantado por alguma razão e ter pego o bonde anterior.
Afinal de contas, quem nunca chegou um pouco mais cedo em algum lugar?
Como disse Manuel Bandeira em um poema: - "o cálculo das probabilidades é uma pilhéria".
http://folhavalle.com/vida-nao-usa-relogio/
A fita métrica
A fita métrica
mediou
minha medida
pela medida de quem
nem me viu.
Ou ouviu,
nem eu o vi!
Ou ouvi dizer.
Nem sei quem foi
que deu medida,
à fita métrica
que me mediu.
Assim sou medida
pela medida
da fita criada
por quem
não conheceu
a minha medida.
Ana
Longe me vou de ser Ana...
Perto estou de ser Ana
Mulher Ana
Nome Ana
Ana Santa ou
Santana
Ana loira
Ana morena
Ana Cora Coralina
Ana Cunha ou
Ana de Assis
Anna Nery
Ana Bolena
Anita Malfatti ou
Anita Garibaldi
Ana moderna
Ana Maria
Ana Rosa
Ana Paula
Ana Carolina
Ana Júlia
Ana Cañas
Ana para todas as estações...
Ola, espero poder acompanha-la nos versos e, sendo sensível saberá ler nos escritos que a vida tem três tempos:- passado, presente e futuro. Até o próximo verso.
Muitas vezes fazemos coisas que realmente são impraticáveis, mas, quando assumimos fica bem mais fácil de acertar os passos. Poemas muito bem escritos...
Gostei muito dos seus poemas... E essa é minha sociedade!