Lista de Poemas
CÓRTEX [Manoel Serrão]

Pensando bem?
Pensar é vital para o córtex cerebral.
No fundo tem um quê de metabólico.
É que o cérebro tem mais juízo do que voz!
E LA NAVE VA [Manoel Serrão]

E - voilá - vou ‘stár por lá, vou!
Vou condigno se outro não haja cordado em vão, ou
por dêsengano as Três Marias por sorte, encantou!
E lá na nave vá, vou pôr um amor imortal consagrado vou!
Vou que ad eterno id o céu a Déia ficou.
Ó - voilá - vou 'stá na Constelação de Órions vou!...
SERAPHIM [Manoel Serrão]
Ó d'ingrata o labéu, errância, desdouro confeito infiel, inda que amargue-me com oo vosso fel.
Ostento em terra os pés, do que sê-lo "céu", e o servil no "paraísio" do teu bordel.
Não! Não sou o Pégaso, nem o Ego alado “solipso” dos vossos desenfastos.
Não! Não sou a verme, nem a rês do canzil, a marca à ferro dos vossos cobiçados.
Não! Não sou a presa inútil no calabouço da vossa purga, nem o surto de Tântalo o suplício:
Ora tão perto e, ora distante, tornado a pedra agastada do vosso anel.
Ó vês, sei d’Eu tanto quanto mais sei do que sei, e quem sou,
E do que sei, não sabendo, eu, assim como não sei, quem não sou:
Ora cheio de nãos, outras vaguezas de sins?
Ser afim, de per si, assim: solitude soluçada, queiras ou não?
Inda A insita liberta da minha orbe calejada.
Inda A gota suicida estilada, clara, tão útil, tão alma, tão cava na bátega afogada.
Inda O papel crepom azul, ora leve brisa sul, ora plúmbico céu encrespa, sob o manto celeste dos meus ceos.
Anjo ardente de mim, Seraphim! Sou o meu único e, insito fim.
PRENDA QUE BATE-BATE [Manoel Serrão]

Poesia que versa o vate.
Poemeto que asa bateu...
Se gostar do verbo Ter?
Paga prenda com o verbo Ser!
BACO & MORFEU [Manoel Serrão]
Como DEUSCOMO, Deus Morfeu.
Como Deus Baco bebeu tanto?
Como nos teus braços Deus Morfeu, dormiu Baco?
Como DEUSCOMO, como pode?
Como pode o Deus Baco andar de gatinho!
Cair Deus Morfeu no teu colo, roncar tão sonoro?
Como DEUSCOMO, Deus Baco, Deus Morfeu, como pode?
Como pode no plano terral beber-se tanto, ficar de fogo com cara de porre?
Ó ouvi-me, pois, ouvi-me bem!
Como Deus Baco, Deus Morfeu,
Como DEUSCOMO, como beber-se tanto assim!
Ó como se phode Deus ?
CHICANA [Manoel Serrão]
Ó espiai! Despertai! Despertai! Dá-me vossa mão, apressai-vos! Vem! Sentai-vos em seu lugar? Mas correis à vossa maldita ingratidão,E rogais remissão pela boca morta do cão.
Não tardeis! Não tardeis! Não! Por ser-lhe grata compaixão: a vida A espera para serdes a vox d'alma desperta no coração.
Ó sê bem-vinda, poeta! Sê bem-vinda! Sê bem-vinda até que o pó do chão a torne Universo infinito Humana Vibração!..
ENDEREÇO DE DESTINO [Manoel Serrão]

Não importa o meio nem o fim a quê ou à quem se destina.
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.


