ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!





Querida Sobrinha, com muita sabedoria e propriedade vós abordais em recente postagem, tema de grande valia: O do ser-Eu e O do ser-Outro. Enfim, do Eu tornado o Outro, o Plural. Em virtude disso, é de se lamentar comumente que nem o ser-Outro e nem o ser-Eu, enxerga o Eu quão enxerga o Outro. O que observo frequentemente, são deveras, mormente nas redes e nos convívios sociais, uns Eu’s e uns Outros “zumbis”. Umas vezes postando dizeres e palavras bonitas, citações e profundos pensamentos extraídos de outras páginas da net [de preferência pela comodidade de não querer saber, nem pensar e nem refletir], como meros “papagaios” à repetição enfadonha, apenas na rasa “profundidade” de uma poça-d ’água ou duma bátega qualquer, anunciam ser um ser-Eu para o ser-Outro, ou vice-versa, que não condiz absolutamente na prática com a verdade do que diz ser-se.
Sendo assim, nesse viés sou obrigado a concordar com Terêncio [dramaturgo e poeta romano], quando diz: Nada do que é humano me é estranho. Portanto, caríssima sobrinha, entre uns zumbis e outros nauseabundos e perambulantes, se arrasta a humanidade: pobres, hipócritas e covardes, quão medíocres de alma e de espírito. Ó seres que se arrastam!
Tomo aqui, não como verdade absoluta, mas como mera relatividade os ensinamentos de Jean-Paul Sartre, que de muito afirmara: “Estamos condenados a ser livres. Essa é a sentença de Sartre para a humanidade. O filósofo e escritor francês, ao lado do argelino Albert Camus, foi um dos maiores representantes do existencialismo, corrente filosófica que nasceu com Kierkegaard e reflete sobre o sentido que o homem dá à própria vida. Para Sartre, a existência do ser humano vem antes da sua essência. Ou seja, não nascemos com uma função pré-definida, como uma tesoura, que foi feita para cortar, por exemplo.
Segundo o filósofo do Existencialismo, antes de tomar qualquer decisão, não somos nada. Vamos nos moldando a partir das nossas escolhas. Toda essa liberdade resulta em muita angústia. Essa angústia é ainda maior quando percebemos que nossas ações são um espelho para a sociedade. Estamos constantemente pintando um quadro de como deveria ser a sociedade a partir das nossas ações. Defendia que temos inteira liberdade para decidir o que queremos nos tornar ou fazer com nossa vida. A má-fé seria mentir para si mesmo, tentando nos convencer de que não somos livres. O problema é que nossos projetos pessoais entram em conflito com o projeto de vida dos outros. Eles, os outros, tiram parte de nossa autonomia. Por isso, temos de refletir sobre nossas escolhas para não sair por aí agindo sem rumo, deixando de realizar as coisas que vão definir a existência de cada um. Ao mesmo tempo, é pelo olhar do outro que reconhecemos a nós mesmos, com erros e acertos. Já que a convivência expõe nossas fraquezas, os outros são o “inferno” – daí a origem da célebre frase do pensador francês.
A relação com o outro é conflituosa porque implica em posse. Se a perspectiva inicial da relação é a captura pelo olhar do outro, a consciência sente-se capturada, presa, possuída por este olhar:
Sou possuído pelo outro; o olhar do outro modela meu corpo em sua nudez, causa seu nascer, o esculpe, o produz como é, o vê como jamais o verei. O outro detém um segredo: o segredo do que sou. Faz-me ser e, por isso mesmo, possui- me, e esta possessão nada mais é que a consciência de meu possuir. E eu, no reconhecimento de minha objetividade, tenho a experiência de que ele detém esta consciência. A título de consciência, o outro é para mim aquele que roubou meu ser e, ao mesmo tempo, aquele que faz com que “haja” um ser, que é o meu. (SARTRE, 1999, p. 454-455).
Para Sartre, em especial – não há interioridade da consciência: ela consiste justamente neste ato de sair de si para perceber o outro. A consciência – que Sartre, hegelianamente, chamada de Para-Si, enquanto o corpo, os objetos físicos são o Em-Si –, portanto, é essencialmente a relação com o outro.
Já para o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma de suas teorias mais conhecidas era a da “modernidade líquida” – que compreende um período de intensa mudança na humanidade: tudo que era sólido se liquidificou. De acordo com o conceito, agora “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso”.
A filosofia, a cultura, o individualismo, o avanço da desigualdade, a revolução digital, a efemeridade das relações a partir dessa revolução são algumas questões estudadas pelo pensador – que se tornou uma figura de referência em diferentes campos do conhecimento.
Afirma ainda o pensador que: “Nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas”.
E segue o filosofo: “Na hierarquia herdada dos valores reconhecidos, a ‘síndrome consumista’ destronou a duração, promoveu a transitoriedade e colocou o valor da novidade acima do valor da permanência”. Trecho extraído do livro Vida Líquida: "Em nosso mundo de furiosa individualização, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Na maior parte do tempo, esses dois avatares coabitam - embora em diferentes níveis de consciência. No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência." Trecho extraído do livro Amor Líquido.
Sobre identidade e redes sociais, afirma ainda Zygmunt Bauman, que: “A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo [...] As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”. Trecho extraído de entrevista ao El País.
Eis o retrato da realidade que vivenciamos no hoje e no agora do mundo atual, em que o homem social caminha cada vez mais para a abjetificação crescente do sujeito.
Uma sociedade que ceifa vidas, que ceifa sonhos, que ceifa saúde e que enfileira seres humanos como meros objetos para serem classificados de forma incoerente.
É o que podemos dizer de lteridade (ou outridade) que é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende do outro. Assim, como muitos antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o Outro - a própria sociedade diferente do indivíduo).
Ensina-os a filosofia nietzschiana do Retorno: “Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser. Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constrói-se a mesma casa do ser. Tudo separa-se, tudo volta a encontrar-se; eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser. Em cada instante começa o ser; em torno de todo o ‘aqui’ rola a bola acolá. O meio está em toda a parte. Curvo é o caminho da eternidade”.
Sobrinha Isadora, é assim, ainda com virtudes e defeitos, que temos enquanto o Eu de aceitarmos o Outro, o Distinto, o Plural em um contexto de emancipação e solidariedade, desprovidos de conceitos pré-concebidos, arrogância, intolerância, rotulações, e qualquer tipo de desconstrução do Eu e do Outro, mas infelizmente o que se vê são tantos os contrários do Eu como o do Outro.
Portanto, sem mais delongas, gosto mesmo é do coração que sabe tolerantemente escutar, compreender, pois a compreensão é a árvore da vida. A compreensão é a saúde d’alma que eleva o espírito, o que nos sustenta, o que nos eleva, é a fonte de sabedoria que descansa no coração.
Ó pobre consumidor de si mesmo, nunca fui “Maria-vai-com-as-outras”, prefiro viver e morrer de filosofia e poesia do que morrer de hipocrisia.
"Quem Olha para si mesmo, não Ilumina o mundo"! [Lao-Tsé]
Um carinhoso abraço.
Manoel Serrão.

Dali online? Dali sem design no layout com know-how e arte? Ó Ketchup? Abre-te sésamo? Tem kamikazes na web e net meu compadre. Dali surreal sem backup era muito melhor.
Abracadabra!! Ops! Olha lá não é o Ali Baba de ki pá e kart sem Da Vinci diferenças repetidas em 40 das suas revisitações ao passado dos Ava tares. É o Ali concordando que algo é assim mesmo só porque tem alguém afirmando que o é? Ou se deve examinar dali o quê quem fala está falando?
Sofista? Copidesque? Copista? É tutti buona gente. Ou um "... mais sábio que esse homem; pois corremos o risco de não saber, nenhum dos dois, nada de belo nem de bom, pois enquanto ele pensa saber algo, não sabendo, eu, assim como não sei mesmo, também não penso saber... É provável, portanto, que eu seja mais sábio que ele numa pequena coisa, precisamente nesta: porque aquilo que não sei, também não penso saber". [Platão - Apologia de Sócrates - A Defesa - pag. 73/74].
Em pouco tempo então também a respeito de alguns poetas percebi isto: Bardos descalibrados na verborragia, asfixiados em soníferos do tipo: Le xotam - um boa noite cinderela, vertem-se em metamorfose de uma letal e venenosa serpente [...] - talvez! - Poetas que não acertam a agulha, as cobiçadas amadas em perene desdém das suas destravadas pessoas [...]. Os inditosos ensaiam preces lacrimejantes, convocando a comiseração alheia [...] e que amnésicos da ordem reinante no mundo dos ponteiros de que tudo avança, segue, passa e que vai mudando conforme os acontecimentos, vergastam, imprecam males aos lexicais, e nos higiénicos labirínticos de tão metódica mente insistam na repetitividade das coisas, sejam eles ditos terminológicos, lexicográficos, lexicológicos, e outros do campo; tanto quanto para aqueles que laboram para apreensão de fatos socioculturais, ou mesmo até para o estudo do nível lexical correspondentes às linguagens orais ou escritas "... que não era por sabedoria que poetavam o que poetavam, mas por certa natureza e inspirados, tal como os adivinhos divinos e os proferi dores de oráculos, pois também esses dizem muitas e belas coisas, mas nada sabem do que dizem. Os poetas [alguns] me mostraram passar também por uma situação assim" [Platão - Apologia de Sócrates - A Defesa - pag. 75].
É um conflito que adorna a lucidez. Ainda que razoáveis - no approach das revisitações - de que há estudos terminológicos modernos apontando claramente para uma passagem de uma terminologia de perspectiva normativa para um paradigma de perspectiva pragmático - comunicacional.
Longevo, brindar é um verbo polirrizo ancestral comemorativo, festivo, alegre para um drink do legítimo scotch, de preferência on the rocks, servido pela élégance do barman, "verdadeiro" Lord num happy hour de um Pub Inglês. Então The show must go on - O show tem que continuar - com palavras + luxuosas; No weekend da semântica e seus signos [Oh! que trash?] metalingua na califasia [e não é que a pronúncia é boa?] - tem a arte do falar. É tudo da primeiríssima qualidade anunciava um paparazzo de mini kilt com voz estentórea, que tal um lindo kit de prenomes? Ou talvez prefiram um remake de substantivos. Porque não levar em making off um kilo de felizes revisitações? São muitas + práticas - e bastante úteis para uso em caso de um check-up contra: Tabuísmos, palavras, locuções consideradas chulas; vocábulos que se referem ao metabolismo orgânico, aos órgãos e funções sexuais, expressões tabuizadas e de caráter eufemístico; gírias, ou contra a kappa das palavras em formas ditas populares e polissêmicas expressas por verbos, palavras onomatopaicas que podem trair-nos e levar-nos a olhar para certos problemas como problemas reais, quando eles não passam de puzzles importados que devem ser desmontados.
Penso então que tais coisas sejam mesmo assim, pois se em contextos diferentes o mesmo verbo apresenta transitividades distintas; se a polissemia contrariamente à sinonímia, que é o facto de várias palavras terem o mesmo significado, a polissemia é o facto de uma mesma palavra poder ter muitos significados diferentes - não necessariamente relacionados uns com os outros - que variam conforme o contexto em que a palavra é utilizada, porque então torcer [ou não] o nariz para as palavras lexicais de significado lexical - que são a representação da realidade extralingüística - agrupadas nas seguintes categorias: substantivo, adjetivo, verbo e advérbio, tampouco para as expressões de lexia complexa - uma gama de soldadura entre os elementos componentes de uma seqüência lingüística; com um forte índice de coesão interna, postas nos fins dos verbetes.
Por um fio, queira-se ou não, entre significantes e significados "Se o vinco da calça não está paralelo à costura" não importa, o colarinho da camisa é que define o nó da gravata. Não obstante os empréstimos estrangeiros como os falares populares ameaçarem de decadência o idioma, eis que no primeiro caso assistimos uma invasão de vocábulos estrangeiros, mormente do Inglês, descaracterizando e podendo levar a desagregação do idioma, no segundo porque neles, não se observa as regras gramaticais que regem o dito falar culto, o que de fato importa é que a palavra pode ter sabor de [kiwi, apple, orange ou seja lá o que for, etc.] saber profundo e transcender a infatigável exigência de atribuição de sentido inflexo para "arte". Condenada, ou ao exílio, ou à atimia, não sou nem "pró" nem "anti" lexias, muito pelo contrário, o certo é que entre próteses consumos e prosacs, entre lápis e borracha da Faber Castell a pinup do terceiro milênio se torna parte da cultura Pop. Si agi mal amiga... O mínimo é o mínimo. E não é que amo a risada do siri ema. Ufa! Putz! Que confusão? Preciso de um relax, senão o analista pode diagnosticar stress ou deprê.
Cooper pelo playground que circunda a Maison blanca de muitas suítes. Perdão! Sem delongas vou dar um time lendo um Best-seller no living do meu flat ou no Loft Libert Home.
Em grande style no outdoor, anuncio: The Book Is On The Table? Trank you very much!
São Luis [MA], 28 de outubro de 2010.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.