Hoje, sinto a necessidade de homenagear o pensamento. Que seria do ser humano sem esta característica tão particular como a capacidade de pensar? ... Que seria de mim sem o pensamento? Como daria forma ao meu mundo? Perderia todo e qualquer encantamento. Afundaria num buraco sem fundo.
Viveria numa tela pintada de branco, Imóvel...sem vontade...sem desejos Seria uma só nota num canto.
Que seria de mim sem o pensamento? Seria uma pedra, sem cor ou feitio, viveria num sono profundo, que tormento, seria um mero coração solitário e sombrio.
Gritar.... Gritar.... Gritar.... Expulsar o grito que me agoniza Atrofia e aperta o meu pensamento Neste silêncio absoluto que não cessa E na alma cresce este infinito tormento. Gritar.... Gritar.... GRITA!!! Expulsar em mim este fantasma Que de nome só conheço...solidão E mesmo vivendo na multidão A escuridão assim me pasma Grito... Não grito... Grita!!! Estou preso pela minha ou outra mente Quem sou eu? Já não sei distinguir. Um fantasma ou um mero demente. Estou aqui, sem alma...senti-a ir. Agonizo... Respiro lentamente nesta solidão. Suspiro... Tanta batalha será sempre em vão. Registo... Com a morte Tudo se cura Inclusive a loucura!
Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos" de Maria Rosa dos Santos Alves
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Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
São desejos emaranhados, suplícios de alguém que me sussurra ao ouvido e que de certa forma tudo quer dizer mas o sufoco da solidão nada deixa soletrar. Cantigas de outrora, cantadas num passado longínquo, agora em eco através de um vento fugidio e desassossegado, tal como as almas que o guiam. Vidas idolatradas...mas esquecidas, algures num jazigo se assim tiveram essa sorte, outras perdidas por aqui ou por ali: Não temam, não renunciem, porque nós fizemos parte da vida e hoje lá permanecemos, embora para lá da linha do horizonte. São estes os pequenos murmúrios que as águas revoltas do mar e do rio, que o vento inquietante me vai largando na mente. São histórias de gentes da minha gente, lágrimas que já não são salgadas, mas que vertem em todos os rios, proclamando a sua existência na ausência. Não me sinto só, mas sinto dó de quem já esqueceu os primeiros passos, os primeiros beijos, os primeiros abraços, de quem já esqueceu a origem das suas lembranças. Valha-me estes campos verdejantes, onde nela se respira liberdade e esperança. Valha-me o mar e o rio onde o despejo da alma se refresca e se reencontra com velhos amigos e se brinda à amizade que é eterna.
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De Maria Rosa Santos Alves, 24 de Outubro de 2011
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Tempo
Oh, tempo, que não tem tempo Dá-me asas para voar Oh, tempo, que não tem tempo Deixa-me em ti esvoaçar O tempo é exuberante Não há força para o parar E pelo seu ritmo cantante Vou deixar-me assim, levar. Ao tempo e com tempo Pedi-lhe, então o meu tempo, Tempo para nascer e viver Até o meu ser desvanecer Com as asas que o tempo me deu Esvoacei ao meu compasso Nele, aprendi passo a passo O verdadeiro ser do meu "eu". E assim no meu tempo e com tempo Aprendi a ser amado e amar No meu tempo e com tempo Tive momentos para saudar. Obrigado Ao tempo que não tem tempo Pelo meu tempo que tem tempo.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Destino Incerto
Percorro um percurso incerto Sem saber bem ao certo Se na verdade sou quem sou. Cresci num verso que alguém cantou, Sou personagem agora em naufrágio Pois na verdade não sei pára onde vou. Destino não lido por uma divina cigana Crenças que decaem em grande patranha. Serei um livro de páginas em branco? Não terei história para se contar num banco? Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo. Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar Não me larga...Não me deixa a alma descansar. Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo Afinal quem sou? Para onde vou? Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar Mar que em histórias alguém o elevou Entre conquistas, amores e desamores Que se tornaram mito, crónicas a contar Por historiadores, gentes ou sonhadores. Serei um ser entre os seres desta gente?
Piso a terra que os antepassados lavraram Farei parte desta história...agora, estou crente. Não sou o vazio, se penso também existo Se existo... também tenho história. Uma história de futuro incerto, mas resisto Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Vazio
O vazio
O corpo esmorece, Em lençóis de seda e tons florais. A alma carece, De sustento em forma de desejo. Mas o vazio permanece Preenchido pelo silêncio, tormento. Onde estão as mãos? O tambor da sedução? Esvaem-se no sonhar, saudade. Na janela entreaberta, espreitas, Lua, amante em noites nuas, Mas nada mais és do que suspiros! O corpo desmaia, O cansaço preenche o vazio A alma perfumada num sonho Viaja pra além do além, Procurando saciar o desejo, Mas o corpo não trespassa o além O corpo adormece, esquecido Em lençóis de seda e tons florais.
Maria dos Santos ALves, 12 de Junho de 2013
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O meu amor é uma Primavera constante…
O meu amor é uma Primavera constante, a cada manhã floresce uma flor. Admiro-as, uma a uma, em cada um dos dias que brotam na minha saudade. Sinto a presença de um perfume que me é familiar, inspiro-o no meu íntimo, procurando decifrar as suas lembranças, aquelas que fazem da minha memória um sorriso singular, refrescando-me a alma. As orquídeas que agora florescem no meu pequeno jardim mesuram as promessas de amor eterno com que as regaste. Nas suas pétalas ainda se conseguem ver os teus beijos melados tão selvagens e misteriosos como o despertar desta flor para a Primavera. Quando partiste elas murcharam afundadas no seu choro constante... Hoje, olho-as com esperança, acordaram de uma nostalgia profunda adivinhando, talvez, o teu regresso. Resistem no seu sonhar aguardando as tuas novas juras de amor e beijos eternos...
In e-book "Poesia ao Luar I" - Desconcertos da Alma, Maria dos Santos Alves, 2013
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Paixão
Paixão...amiga Paixão...inimiga Paixão é um enigma! ... Paixão...é Sentimento incontrolável Sendo em fim tão vulnerável. Um sopro do momento, Um beijo em encantamento. Paixão... São corpos nus sem preconceito, Tambores em delírio no peito. Uma dança em busca de prazer, Desejo açucarado do nosso ser. Paixão...é Intemporal para o momento, Eterna para o pensamento. Criadora de quem vive com ardor A lívida canção do coração em dor. Paixão... Fraca permanece no simples desejo Fortalecida perante o real ensejo. Feliz daquele que a torna assim... Imortal.
Paixão...amiga Paixão...inimiga Paixão é um enigma!
Maria Rosa Alves, Fevereiro, 2012
http://www.facebook.com/#!/Maria.Santos.Alves
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Canto do Lobos
Canto dos lobos que protegem a noite Uivem no cimo do monte sagrado Evoquem a fada celeste do universo Elevem o divino da sua luz solene. Surge agora, bela e exuberante, Invadindo os espíritos delicados, Usurpando os seus desejos mais íntimos Procurando o amor que lhe é renegado. Vampira dos sonhos mais castos, Feiticeira de corações inocentes, Lança encantamentos efémeros Em busca de paixões passageiras. Ergue-se em mitos e é desejada, Puro feitiço quando crescente. Amante misteriosa em lua cheia Incerta modéstia em minguante. Saciada em desejos mortais Será por fim uma lua nova, Renascendo de novos amores, Sugando de castos corações, Desejos, ambições e paixões.
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Sou Terra, Água, Fogo e Ar
Sou naturalmente,
Um ser inconstante,
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Sou volúvel ao sentimento,
Viajante invisível de
Pensamentos intocáveis.
Viajo sob o vento incansável,
Ansiando ao porto chegar.
Recanto, onde largo desejos,
Ambições, sonhos e encantos,
Para uma nova lua conquistar.
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Sou uma gota do universo,
Escorrego no orvalho e, vou
Salgando, num pranto, o oceano.
Fecho os olhos e navego,
No azul mistério, cor deste mar.
Recosto-me no sentir,
Na esperança, verde, verdejante,
Que me desperta a cada amanhecer.
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Verto vontades abrasáveis,
Energia reflectida no alvorecer
Fogo, paixão ao entardecer.
Sou naturalmente,
Um ser inconstante,
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
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Olhar da alma elevado ao alto
Olhar da alma elevado ao alto
Tracei ao de leve o meu divagar, Estava ausente no silêncio, Tão ausente e distante... Distante do meu pensamento. Procurei-me num olhar perdido, Elevando-o com o sopro do vento.
Lá no alto, bem no alto Onde só a alma alcança O que a mente inventa, Desenhei o teu olhar: Miragem de cor esperança, Sustento desta minha saudade. Porque te esvais nas estrelas, Olhar de menina elevado ao alto? Desce em mim no teu manto real, Mata a sede deste meu desejo ausente. Reflete-te na minha alma extinta Devolve-me a luz do luar esquecido.
Renasce-me a alma agora... E no alto, bem no alto Revejo-me nos vales verdejantes Passeio por entre as flores do amanhã Enquanto te abraço em manto floral.
de Maria dos Santos Alves, 11 de Junho de 2013 (a publicar)