Invado a noite fria e quieta de andar estreito, Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão Onde os sons evasivos são sombras do peito Quebrados por um poema desta dimensão.
Desafio o olhar triste que a lua me oferece Declamando-lhe um verso de amor perdido. Seu rosto encandeia-se à medida que cresce O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.
E no silêncio nostálgico da escuridão, de ar melancólico responde baixinho: - Estou só, nunca soube o que é amar, Vivo aprisionada nestas noites vadias. Ouço os teus e mil outros desabafos, Ilumino a alma que me aclama e enlaça Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.
Neste dia de Inverno... melancólico, Oscilam os sentimentos, tormentos, Sentires de alguém ... nostálgico. Tentações da alma...encantamentos. Azul do mar que se reveste de cinzento, e Lágrimas virgens que caiem do céu. Gritos abafados em trovão, pensamentos, Ira de Zeus sobre os homens e a terra, Alentos de alguém, hoje... nostálgico.
Poema de Maria Rosa Alves, 16 de Novembro de 2011
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Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
São desejos emaranhados, suplícios de alguém que me sussurra ao ouvido e que de certa forma tudo quer dizer mas o sufoco da solidão nada deixa soletrar. Cantigas de outrora, cantadas num passado longínquo, agora em eco através de um vento fugidio e desassossegado, tal como as almas que o guiam. Vidas idolatradas...mas esquecidas, algures num jazigo se assim tiveram essa sorte, outras perdidas por aqui ou por ali: Não temam, não renunciem, porque nós fizemos parte da vida e hoje lá permanecemos, embora para lá da linha do horizonte. São estes os pequenos murmúrios que as águas revoltas do mar e do rio, que o vento inquietante me vai largando na mente. São histórias de gentes da minha gente, lágrimas que já não são salgadas, mas que vertem em todos os rios, proclamando a sua existência na ausência. Não me sinto só, mas sinto dó de quem já esqueceu os primeiros passos, os primeiros beijos, os primeiros abraços, de quem já esqueceu a origem das suas lembranças. Valha-me estes campos verdejantes, onde nela se respira liberdade e esperança. Valha-me o mar e o rio onde o despejo da alma se refresca e se reencontra com velhos amigos e se brinda à amizade que é eterna.
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De Maria Rosa Santos Alves, 24 de Outubro de 2011
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Destino Incerto
Percorro um percurso incerto Sem saber bem ao certo Se na verdade sou quem sou. Cresci num verso que alguém cantou, Sou personagem agora em naufrágio Pois na verdade não sei pára onde vou. Destino não lido por uma divina cigana Crenças que decaem em grande patranha. Serei um livro de páginas em branco? Não terei história para se contar num banco? Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo. Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar Não me larga...Não me deixa a alma descansar. Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo Afinal quem sou? Para onde vou? Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar Mar que em histórias alguém o elevou Entre conquistas, amores e desamores Que se tornaram mito, crónicas a contar Por historiadores, gentes ou sonhadores. Serei um ser entre os seres desta gente?
Piso a terra que os antepassados lavraram Farei parte desta história...agora, estou crente. Não sou o vazio, se penso também existo Se existo... também tenho história. Uma história de futuro incerto, mas resisto Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Tempo
Oh, tempo, que não tem tempo Dá-me asas para voar Oh, tempo, que não tem tempo Deixa-me em ti esvoaçar O tempo é exuberante Não há força para o parar E pelo seu ritmo cantante Vou deixar-me assim, levar. Ao tempo e com tempo Pedi-lhe, então o meu tempo, Tempo para nascer e viver Até o meu ser desvanecer Com as asas que o tempo me deu Esvoacei ao meu compasso Nele, aprendi passo a passo O verdadeiro ser do meu "eu". E assim no meu tempo e com tempo Aprendi a ser amado e amar No meu tempo e com tempo Tive momentos para saudar. Obrigado Ao tempo que não tem tempo Pelo meu tempo que tem tempo.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Vazio
O vazio
O corpo esmorece, Em lençóis de seda e tons florais. A alma carece, De sustento em forma de desejo. Mas o vazio permanece Preenchido pelo silêncio, tormento. Onde estão as mãos? O tambor da sedução? Esvaem-se no sonhar, saudade. Na janela entreaberta, espreitas, Lua, amante em noites nuas, Mas nada mais és do que suspiros! O corpo desmaia, O cansaço preenche o vazio A alma perfumada num sonho Viaja pra além do além, Procurando saciar o desejo, Mas o corpo não trespassa o além O corpo adormece, esquecido Em lençóis de seda e tons florais.
Maria dos Santos ALves, 12 de Junho de 2013
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O meu amor é uma Primavera constante…
O meu amor é uma Primavera constante, a cada manhã floresce uma flor. Admiro-as, uma a uma, em cada um dos dias que brotam na minha saudade. Sinto a presença de um perfume que me é familiar, inspiro-o no meu íntimo, procurando decifrar as suas lembranças, aquelas que fazem da minha memória um sorriso singular, refrescando-me a alma. As orquídeas que agora florescem no meu pequeno jardim mesuram as promessas de amor eterno com que as regaste. Nas suas pétalas ainda se conseguem ver os teus beijos melados tão selvagens e misteriosos como o despertar desta flor para a Primavera. Quando partiste elas murcharam afundadas no seu choro constante... Hoje, olho-as com esperança, acordaram de uma nostalgia profunda adivinhando, talvez, o teu regresso. Resistem no seu sonhar aguardando as tuas novas juras de amor e beijos eternos...
In e-book "Poesia ao Luar I" - Desconcertos da Alma, Maria dos Santos Alves, 2013
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Paixão
Paixão...amiga Paixão...inimiga Paixão é um enigma! ... Paixão...é Sentimento incontrolável Sendo em fim tão vulnerável. Um sopro do momento, Um beijo em encantamento. Paixão... São corpos nus sem preconceito, Tambores em delírio no peito. Uma dança em busca de prazer, Desejo açucarado do nosso ser. Paixão...é Intemporal para o momento, Eterna para o pensamento. Criadora de quem vive com ardor A lívida canção do coração em dor. Paixão... Fraca permanece no simples desejo Fortalecida perante o real ensejo. Feliz daquele que a torna assim... Imortal.
Paixão...amiga Paixão...inimiga Paixão é um enigma!
Maria Rosa Alves, Fevereiro, 2012
http://www.facebook.com/#!/Maria.Santos.Alves
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Canto do Lobos
Canto dos lobos que protegem a noite Uivem no cimo do monte sagrado Evoquem a fada celeste do universo Elevem o divino da sua luz solene. Surge agora, bela e exuberante, Invadindo os espíritos delicados, Usurpando os seus desejos mais íntimos Procurando o amor que lhe é renegado. Vampira dos sonhos mais castos, Feiticeira de corações inocentes, Lança encantamentos efémeros Em busca de paixões passageiras. Ergue-se em mitos e é desejada, Puro feitiço quando crescente. Amante misteriosa em lua cheia Incerta modéstia em minguante. Saciada em desejos mortais Será por fim uma lua nova, Renascendo de novos amores, Sugando de castos corações, Desejos, ambições e paixões.
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Sou Terra, Água, Fogo e Ar
Sou naturalmente,
Um ser inconstante,
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Sou volúvel ao sentimento,
Viajante invisível de
Pensamentos intocáveis.
Viajo sob o vento incansável,
Ansiando ao porto chegar.
Recanto, onde largo desejos,
Ambições, sonhos e encantos,
Para uma nova lua conquistar.
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Sou uma gota do universo,
Escorrego no orvalho e, vou
Salgando, num pranto, o oceano.
Fecho os olhos e navego,
No azul mistério, cor deste mar.
Recosto-me no sentir,
Na esperança, verde, verdejante,
Que me desperta a cada amanhecer.
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Verto vontades abrasáveis,
Energia reflectida no alvorecer
Fogo, paixão ao entardecer.
Sou naturalmente,
Um ser inconstante,
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
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Poema
Não te leio poema como um todo Bebo da tua fonte os momentos, Sacio o meu desejo nas palavras, Nos sons e delírios de todos os tons. Não pares de declamar, meu poema Ri e chora, não me penses ausente, Se te leio, assim, neste silêncio, Desnudo-te carente mas bem presente. Crava no peito de quem julga que sente As flores efémeras de todos os jardins As fontes que vertem lágrimas salgadas E os rios que regam um mar sem fim. Não me segredes um amor navegado, Pinta ao de leve a onda perdida, O abraço que se estende ao abrigo, Os beijos que o poeta derrete em mel. Não te leio poema como um todo, Quero sentir todos os momentos. Sentir-te, poema, com alma de poeta.
de Maria dos Santos Alves, 12 de Junho de 2013 https://www.facebook.com/pages/Poesia-ao-luar-Maria-Santos-Alves/