Sentimento martelado entre o preto e o branco Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.
Cordas que vibram tornando-se belas melodias Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes Ao comando de compassos e de grande euforia E assim surge aquela magnitude da sinfonia.
Ao de leve martela a corda que vibra livremente Assim como os pensamentos de quem ouve e sente Sons, sentires que impregnam o ar que se respira De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.
Piano bem afinado pelo harmónico coração Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia É pianista que comanda com grande paixão. Alma e corpo florescendo em sintonia.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
Neste dia de Inverno... melancólico, Oscilam os sentimentos, tormentos, Sentires de alguém ... nostálgico. Tentações da alma...encantamentos. Azul do mar que se reveste de cinzento, e Lágrimas virgens que caiem do céu. Gritos abafados em trovão, pensamentos, Ira de Zeus sobre os homens e a terra, Alentos de alguém, hoje... nostálgico.
Poema de Maria Rosa Alves, 16 de Novembro de 2011
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Loucura
Loucura
Gritar.... Gritar.... Gritar.... Expulsar o grito que me agoniza Atrofia e aperta o meu pensamento Neste silêncio absoluto que não cessa E na alma cresce este infinito tormento. Gritar.... Gritar.... GRITA!!! Expulsar em mim este fantasma Que de nome só conheço...solidão E mesmo vivendo na multidão A escuridão assim me pasma Grito... Não grito... Grita!!! Estou preso pela minha ou outra mente Quem sou eu? Já não sei distinguir. Um fantasma ou um mero demente. Estou aqui, sem alma...senti-a ir. Agonizo... Respiro lentamente nesta solidão. Suspiro... Tanta batalha será sempre em vão. Registo... Com a morte Tudo se cura Inclusive a loucura!
Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos" de Maria Rosa dos Santos Alves
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Tempo
Oh, tempo, que não tem tempo Dá-me asas para voar Oh, tempo, que não tem tempo Deixa-me em ti esvoaçar O tempo é exuberante Não há força para o parar E pelo seu ritmo cantante Vou deixar-me assim, levar. Ao tempo e com tempo Pedi-lhe, então o meu tempo, Tempo para nascer e viver Até o meu ser desvanecer Com as asas que o tempo me deu Esvoacei ao meu compasso Nele, aprendi passo a passo O verdadeiro ser do meu "eu". E assim no meu tempo e com tempo Aprendi a ser amado e amar No meu tempo e com tempo Tive momentos para saudar. Obrigado Ao tempo que não tem tempo Pelo meu tempo que tem tempo.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Destino Incerto
Percorro um percurso incerto Sem saber bem ao certo Se na verdade sou quem sou. Cresci num verso que alguém cantou, Sou personagem agora em naufrágio Pois na verdade não sei pára onde vou. Destino não lido por uma divina cigana Crenças que decaem em grande patranha. Serei um livro de páginas em branco? Não terei história para se contar num banco? Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo. Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar Não me larga...Não me deixa a alma descansar. Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo Afinal quem sou? Para onde vou? Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar Mar que em histórias alguém o elevou Entre conquistas, amores e desamores Que se tornaram mito, crónicas a contar Por historiadores, gentes ou sonhadores. Serei um ser entre os seres desta gente?
Piso a terra que os antepassados lavraram Farei parte desta história...agora, estou crente. Não sou o vazio, se penso também existo Se existo... também tenho história. Uma história de futuro incerto, mas resisto Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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O meu amor é uma Primavera constante…
O meu amor é uma Primavera constante, a cada manhã floresce uma flor. Admiro-as, uma a uma, em cada um dos dias que brotam na minha saudade. Sinto a presença de um perfume que me é familiar, inspiro-o no meu íntimo, procurando decifrar as suas lembranças, aquelas que fazem da minha memória um sorriso singular, refrescando-me a alma. As orquídeas que agora florescem no meu pequeno jardim mesuram as promessas de amor eterno com que as regaste. Nas suas pétalas ainda se conseguem ver os teus beijos melados tão selvagens e misteriosos como o despertar desta flor para a Primavera. Quando partiste elas murcharam afundadas no seu choro constante... Hoje, olho-as com esperança, acordaram de uma nostalgia profunda adivinhando, talvez, o teu regresso. Resistem no seu sonhar aguardando as tuas novas juras de amor e beijos eternos...
In e-book "Poesia ao Luar I" - Desconcertos da Alma, Maria dos Santos Alves, 2013
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Vazio
O vazio
O corpo esmorece, Em lençóis de seda e tons florais. A alma carece, De sustento em forma de desejo. Mas o vazio permanece Preenchido pelo silêncio, tormento. Onde estão as mãos? O tambor da sedução? Esvaem-se no sonhar, saudade. Na janela entreaberta, espreitas, Lua, amante em noites nuas, Mas nada mais és do que suspiros! O corpo desmaia, O cansaço preenche o vazio A alma perfumada num sonho Viaja pra além do além, Procurando saciar o desejo, Mas o corpo não trespassa o além O corpo adormece, esquecido Em lençóis de seda e tons florais.
Maria dos Santos ALves, 12 de Junho de 2013
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Paixão
Paixão...amiga Paixão...inimiga Paixão é um enigma! ... Paixão...é Sentimento incontrolável Sendo em fim tão vulnerável. Um sopro do momento, Um beijo em encantamento. Paixão... São corpos nus sem preconceito, Tambores em delírio no peito. Uma dança em busca de prazer, Desejo açucarado do nosso ser. Paixão...é Intemporal para o momento, Eterna para o pensamento. Criadora de quem vive com ardor A lívida canção do coração em dor. Paixão... Fraca permanece no simples desejo Fortalecida perante o real ensejo. Feliz daquele que a torna assim... Imortal.
Paixão...amiga Paixão...inimiga Paixão é um enigma!
Maria Rosa Alves, Fevereiro, 2012
http://www.facebook.com/#!/Maria.Santos.Alves
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Canto do Lobos
Canto dos lobos que protegem a noite Uivem no cimo do monte sagrado Evoquem a fada celeste do universo Elevem o divino da sua luz solene. Surge agora, bela e exuberante, Invadindo os espíritos delicados, Usurpando os seus desejos mais íntimos Procurando o amor que lhe é renegado. Vampira dos sonhos mais castos, Feiticeira de corações inocentes, Lança encantamentos efémeros Em busca de paixões passageiras. Ergue-se em mitos e é desejada, Puro feitiço quando crescente. Amante misteriosa em lua cheia Incerta modéstia em minguante. Saciada em desejos mortais Será por fim uma lua nova, Renascendo de novos amores, Sugando de castos corações, Desejos, ambições e paixões.
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Sou Terra, Água, Fogo e Ar
Sou naturalmente,
Um ser inconstante,
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Sou volúvel ao sentimento,
Viajante invisível de
Pensamentos intocáveis.
Viajo sob o vento incansável,
Ansiando ao porto chegar.
Recanto, onde largo desejos,
Ambições, sonhos e encantos,
Para uma nova lua conquistar.
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Sou uma gota do universo,
Escorrego no orvalho e, vou
Salgando, num pranto, o oceano.
Fecho os olhos e navego,
No azul mistério, cor deste mar.
Recosto-me no sentir,
Na esperança, verde, verdejante,
Que me desperta a cada amanhecer.
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
Verto vontades abrasáveis,
Energia reflectida no alvorecer
Fogo, paixão ao entardecer.
Sou naturalmente,
Um ser inconstante,
Sou Terra, Água, Fogo e Ar.
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Suspiro
Suspiro ou suspirava Num ensejo soprado baixinho, num ânimo. Numa carícia suave, num pensamento voado, Esvoaçado por entre o infinito de ar ameno.
Suspiro ou suspirava Num deleite banhado no brilho dáum olhar Num reflexo gemido, lamento ou saudade. Num choro calado prendido ao luar.
Suspiro ou suspirava Num sopro de alento em paixão vivificada. Num sorriso perdido em corpo saciado, Numa maré repleta, alma renovada.
Suspiro ou suspirava Envolvendo-me nas nuvens divagadas Sendo brisa da alma navegada no tempo Sobre marés, águas do agora ou passadas.
Suspiro ou suspirava Em mim e de mim para a saudade Amando para uma tal de eternidade.
Mas suspirar porquê? Suspirar para quê? Se a alma ninguém vê, Neste suspiro vadio!