Lista de Poemas

Loucura

Loucura

Gritar....
Gritar....
Gritar....
Expulsar o grito que me agoniza
Atrofia e aperta o meu pensamento
Neste silêncio absoluto que não cessa
E na alma cresce este infinito tormento.
Gritar....
Gritar....
GRITA!!!
Expulsar em mim este fantasma
Que de nome só conheço...solidão
E mesmo vivendo na multidão
A escuridão assim me pasma
Grito...
Não grito...
Grita!!!
Estou preso pela minha ou outra mente
Quem sou eu? Já não sei distinguir.
Um fantasma ou um mero demente.
Estou aqui, sem alma...senti-a ir.
Agonizo...
Respiro lentamente nesta solidão.
Suspiro...
Tanta batalha será sempre em vão.
Registo...
Com a morte
Tudo se cura
Inclusive a loucura!



Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
de Maria Rosa dos Santos Alves
1 618

Tempo

Oh, tempo, que não tem tempo
Dá-me asas para voar
Oh, tempo, que não tem tempo
Deixa-me em ti esvoaçar
O tempo é exuberante
Não há força para o parar
E pelo seu ritmo cantante
Vou deixar-me assim, levar.
Ao tempo e com tempo
Pedi-lhe, então o meu tempo,
Tempo para nascer e viver
Até o meu ser desvanecer
Com as asas que o tempo me deu
Esvoacei ao meu compasso
Nele, aprendi passo a passo
O verdadeiro ser do meu "eu".
E assim no meu tempo e com tempo
Aprendi a ser amado e amar
No meu tempo e com tempo
Tive momentos para saudar.
Obrigado
Ao tempo que não tem tempo
Pelo meu tempo que tem tempo.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
1 583

Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade

Pelo abandono uma lágrima
E uma lágrima pela saudade

São desejos emaranhados, suplícios de alguém que me sussurra ao ouvido e que de certa forma tudo quer dizer mas o sufoco da solidão nada deixa soletrar.
Cantigas de outrora, cantadas num passado longínquo, agora em eco através de um vento fugidio e desassossegado, tal como as almas que o guiam.
Vidas idolatradas...mas esquecidas, algures num jazigo se assim tiveram essa sorte, outras perdidas por aqui ou por ali:
Não temam, não renunciem, porque nós fizemos parte da vida e hoje lá permanecemos, embora para lá da linha do horizonte.
São estes os pequenos murmúrios que as águas revoltas do mar e do rio, que o vento inquietante me vai largando na mente. São histórias de gentes da minha gente, lágrimas que já não são salgadas, mas que vertem em todos os rios, proclamando a sua existência na ausência.
Não me sinto só, mas sinto dó de quem já esqueceu os primeiros passos, os primeiros beijos, os primeiros abraços, de quem já esqueceu a origem das suas lembranças.
Valha-me estes campos verdejantes, onde nela se respira liberdade e esperança. Valha-me o mar e o rio onde o despejo da alma se refresca e se reencontra com velhos amigos e se brinda à amizade que é eterna.

....

De Maria Rosa Santos Alves, 24 de Outubro de 2011
1 558

Destino Incerto


Percorro um percurso incerto
Sem saber bem ao certo
Se na verdade sou quem sou.
Cresci num verso que alguém cantou,
Sou personagem agora em naufrágio
Pois na verdade não sei pára onde vou.
Destino não lido por uma divina cigana
Crenças que decaem em grande patranha.
Serei um livro de páginas em branco?
Não terei história para se contar num banco?
Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo.
Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar
Não me larga...Não me deixa a alma descansar.
Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo
Afinal quem sou? Para onde vou?
Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar
Mar que em histórias alguém o elevou
Entre conquistas, amores e desamores
Que se tornaram mito, crónicas a contar
Por historiadores, gentes ou sonhadores.
Serei um ser entre os seres desta gente?

Piso a terra que os antepassados lavraram
Farei parte desta história...agora, estou crente.
Não sou o vazio, se penso também existo
Se existo... também tenho história.
Uma história de futuro incerto, mas resisto
Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
1 672

O meu amor é uma Primavera constante…


O meu amor é uma Primavera constante, a cada manhã floresce uma flor. Admiro-as, uma a uma, em cada um dos dias que brotam na minha saudade. Sinto a presença de um perfume que me é familiar, inspiro-o no meu íntimo, procurando decifrar as suas lembranças, aquelas que fazem da minha memória um sorriso singular, refrescando-me a alma. As orquídeas que agora florescem no meu pequeno jardim mesuram as promessas de amor eterno com que as regaste. Nas suas pétalas ainda se conseguem ver os teus beijos melados tão selvagens e misteriosos como o despertar desta flor para a Primavera.
Quando partiste elas murcharam afundadas no seu choro constante... Hoje, olho-as com esperança, acordaram de uma nostalgia profunda adivinhando, talvez, o teu regresso. Resistem no seu sonhar aguardando as tuas novas juras de amor e beijos eternos...

In e-book "Poesia ao Luar I" - Desconcertos da Alma, Maria dos Santos Alves, 2013
1 077

Vazio

O vazio

O corpo esmorece,
Em lençóis de seda e tons florais.
A alma carece,
De sustento em forma de desejo.
Mas o vazio permanece
Preenchido pelo silêncio, tormento.
Onde estão as mãos?
O tambor da sedução?
Esvaem-se no sonhar, saudade.
Na janela entreaberta, espreitas,
Lua, amante em noites nuas,
Mas nada mais és do que suspiros!
O corpo desmaia,
O cansaço preenche o vazio
A alma perfumada num sonho
Viaja pra além do além,
Procurando saciar o desejo,
Mas o corpo não trespassa o além
O corpo adormece, esquecido
Em lençóis de seda e tons florais.

Maria dos Santos ALves, 12 de Junho de 2013
1 156

Paixão



Paixão...amiga

Paixão...inimiga

Paixão é um enigma!

...

Paixão...é

Sentimento incontrolável

Sendo em fim tão vulnerável.

Um sopro do momento,

Um beijo em encantamento.

Paixão...

São corpos nus sem preconceito,

Tambores em delírio no peito.

Uma dança em busca de prazer,

Desejo açucarado do nosso ser.

Paixão...é

Intemporal para o momento,

Eterna para o pensamento.

Criadora de quem vive com ardor

A lívida canção do coração em dor.

Paixão...

Fraca permanece no simples desejo

Fortalecida perante o real ensejo.

Feliz daquele que a torna assim...

Imortal.



Paixão...amiga

Paixão...inimiga

Paixão é um enigma!



Maria Rosa Alves, Fevereiro, 2012



http://www.facebook.com/#!/Maria.Santos.Alves







1 200

Canto do Lobos

Canto dos lobos que protegem a noite
Uivem no cimo do monte sagrado
Evoquem a fada celeste do universo
Elevem o divino da sua luz solene.
Surge agora, bela e exuberante,
Invadindo os espíritos delicados,
Usurpando os seus desejos mais íntimos
Procurando o amor que lhe é renegado.
Vampira dos sonhos mais castos,
Feiticeira de corações inocentes,
Lança encantamentos efémeros
Em busca de paixões passageiras.
Ergue-se em mitos e é desejada,
Puro feitiço quando crescente.
Amante misteriosa em lua cheia
Incerta modéstia em minguante.
Saciada em desejos mortais
Será por fim uma lua nova,
Renascendo de novos amores,
Sugando de castos corações,
Desejos, ambições e paixões.
581

Sou Terra, Água, Fogo e Ar



















Sou naturalmente,



Um ser inconstante,



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.



Sou volúvel ao sentimento,



Viajante invisível de



Pensamentos intocáveis.



Viajo sob o vento incansável,



Ansiando ao porto chegar.



Recanto, onde largo desejos,



Ambições, sonhos e encantos,



Para uma nova lua conquistar.



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.



Sou uma gota do universo,



Escorrego no orvalho e, vou



Salgando, num pranto, o oceano.



Fecho os olhos e navego,



No azul mistério, cor deste mar.



Recosto-me no sentir,



Na esperança, verde, verdejante,



Que me desperta a cada amanhecer.



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.



Verto vontades abrasáveis,



Energia reflectida no alvorecer



Fogo, paixão ao entardecer.



Sou naturalmente,



Um ser inconstante,



Sou Terra, Água, Fogo e Ar.







1 766

Poema


Não te leio poema como um todo
Bebo da tua fonte os momentos,
Sacio o meu desejo nas palavras,
Nos sons e delírios de todos os tons.
Não pares de declamar, meu poema
Ri e chora, não me penses ausente,
Se te leio, assim, neste silêncio,
Desnudo-te carente mas bem presente.
Crava no peito de quem julga que sente
As flores efémeras de todos os jardins
As fontes que vertem lágrimas salgadas
E os rios que regam um mar sem fim.
Não me segredes um amor navegado,
Pinta ao de leve a onda perdida,
O abraço que se estende ao abrigo,
Os beijos que o poeta derrete em mel.
Não te leio poema como um todo,
Quero sentir todos os momentos.
Sentir-te, poema, com alma de poeta.

de Maria dos Santos Alves, 12 de Junho de 2013
https://www.facebook.com/pages/Poesia-ao-luar-Maria-Santos-Alves/
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