Lista de Poemas

Pensamento ao entardecer







Quem me dera cruzar esta linha de horizonte



Beijar o infinito como quem cheira uma flor



Penetrar neste mistério que me atormenta



Não pelo mal mas pelo bem que me quer.



Quem me dera estender a mão e poder tocar,



Sentir o calor desta imensa chama de conforto,



Chama que me prende nos pensamentos,



Nos seres que me embalam ao entardecer,



Nas doçuras e canduras desta áurea a adormecer.









Quem me dera cruzar esta linha de horizonte,



Deixar-me enfeitiçar pelas suas histórias



Pelas suas gentes e melodias imaginárias.



Quem me dera cruzar esta linha de horizonte.









Parece tão distante e vive tão perto de mim,



Faz parte do meu ser e faz-me rejuvenescer.



Linha em espelho, reflector da minha alma,



Onde uma áurea com mil desejos em fogo



Apazigua o desejo e o pensamento...e



Aquece o espírito inquietante que há em mim.







769

Fénix - Vida para além da morte

Quem me dera uma Fénix ser
E a morte que é certa prever
Renasceria sob uma chama ardente
Num amanhecer cheio de esperança
Uma nova vida para quem sente
E o passado passa a lembrança.
Não temer a morte.
Não temer a extinção.
Não pensar no além ou na sorte
Que a alma sente com o coração.
Nasci ontem e vivo no presente
Amanhã abrirei a porte à morte
E renascerei num novo dia.
Serei a Fénix dos meus sonhos
E renascer de grande esplendor.
Ser livre e voar com asas luminosas
Cumprimentar o sol que me ilumina
E percorrer mundos, sem destino.
De peito bem aberto e ao de leve
Soprarei para quem me entende
Um sopro de conforto,
Um sopro de amizade,
Um sopro em forma de beijo
E que a paixão acenda o desejo
De continuar a viver no presente.
A amar quem me compreende
Nesta coerência e incoerência
De que a imortalidade será eterna
De quem alma de Fénix veste
Sob a pele nua que nos reveste
A humildade de ser quem somos
Numa vida para além da morte.

Maria Rosa dos Santos Alves
723

Para onde vai o meu País?

Onde está o meu País?
Aquele verde, verdejante
Em esperança cantante.
Onde está o meu País?
Erguido num hino sonante,
Elevando conquistas e vitórias.
Onde está o meu País?
Portugal trovado por Camões
Já lá vai o tempo e são histórias.
Portugal erguido sob canhões
Coração de Homens em glória.
Onde está o meu País?
Agora, poema de desencanto,
Saudoso dos mares velejados
E gentes com almas desgastadas.
Para onde vai o meu País?

Resta-nos o verde verdejante
Manto real de esperança de outrora,
Terra regada pelo sangue do meu sangue
Onde jaz a vitória do povo do meu país.
Ergue-se a vontade dos antepassados
E a união das gentes que são gente
Farão de novo, vitorioso, o meu País.
956

Amar Novamente


A terra treme num suspiro imenso
Mar sereno de pensamentos vadios
Ar renovado com cheiro a incenso
Retorno de sonhos até então vazios.

Nada supera o renascer do amar, em
Odores florais de jardim proibido,
Vaidade despida entre lençóis de cor é
Arte de amar no seu crescente libido.
Marcos que reforçam a nossa paixão
Evitados pelo tempo, rugas do enfado,
Norte perdido e reencontrado agora, então,
Tentação abandonada, saudada e desejada.
Ensejo de amar maltratado, agora revivido.

de Maria Rosa dos Santos Alves
699

Um segundo de paixão

Podia num suspiro teu, ler-te a sina
Beijar-te em cada linha da tua mão.
Sentir o pulsar do peito e a adrenalina
Que escondes no fundo do teu coração.

Podia num suspiro teu, chamar-te minha
Prometer-te num abraço terno, amor eterno.
Sentir o pulsar do peito e a adrenalina
Que ocultas com o gelo de um Inverno.

Podia num suspiro teu, sentir o teu alento
Não fosse este jogo de sedução, um tormento
Uma falsa chama nesta canção, o teu ardor,
Um segundo de paixão, o desígnio do sonhador.
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