Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Seguras com afeto as minhas mãos mas o teu olhar só vislumbra o longínquo horizonte Te revelas a cada instante em dobras infindas ora marejadas, ora ressecadas Teus matizes me incandeiam Me encolho como faz o mar antes que chegue o furacão Eis que nos escutamos no frenesi da vida - Quem és ? - Quem sou? Me instigas a voar para dentro a varar as profundezas a penetrar em noites escuras e a cultivar canteiros em manhãs claras Te sigo por vielas incontornáveis em urbes mutiladas O breu não te emudece Em mim calas o choro o pesar a virulência da dor Ao escutá-lo as tuas angústias ressoam em mim em uníssono! Somos andarilhos nessa caminhada onde a dor do retorno a nós não tem limites Somos um amálgama ao inverso ao reverso no infinito de nós mesmos Nesse universo em verso somos a multidão a penetrar as visceras do mundo a cavalgar o nada à beira do abismo Somos a incompletude a sangrar até que as luzes do teu ser acendam em ti o que és Anseio por teu crescer só para que tenhas aconchegada em ti a tua própria liberdade Enquanto vicejas guardo uma certeza És um grande homem!
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 30 de novembro de 2021- na dor pela ausência que me aparta da minha filha e do meu filho, e dos demais "meus", nessa vida diaspórica.
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O ser da palavra
Se está entre é interstício No presente é herança e patrimônio A sua falta desafia o silêncio Ao se adequar encanta-se no ato Nos confrontos é coragem assimilada Em seus rodeios se desvela em metáforas Se endurece é rocha cristalizada Quando contida é água aprisionada E se liberta é torrente apaziguada Quando cala é explosão represada Se desafia é duelo em linguagem
Ser e renascer é o desafio da palavra.
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A Terceira Via “à direita”
A Terceira Via sentada em berço esplêndido, combina submissão e alienação à direita de todas as situações;
A Terceira Via ignora as veias abertas e sangrentas do Brasil na pandemia;
A Terceira Via ignora até mesmo cenas que no carnaval promovem os cortes-reais, quando vidas negras são negligenciadas nas alturas de modernos edifícios, expressão e ápice do racismo estrutural;
A Terceira Via esconde de si as mulheres e nega-lhes a política, deixando ao seu encargo o sangue escorrendo por suas virilhas, enquanto o presidente veta a lei e vocifera: segurem suas veias, estômagos e ventres!
A Terceira Via ignora os inocentes ardendo em febre e fome, enquanto esses famélicos esperam os céus dos evangélicos e concordam com os católicos negacionistas;
A Terceira Via desconhece as famílias unidas nos cruzamentos urbanos, com suas placas encardidas, a nos lembrarem da crua miséria humana;
A Terceira Via é o leite e o pão de cada dia entregues em fartas cotas ao agro pop no Congresso Nacional, e se “à direita” em todas as estações e dias do ano;
A Terceira Via agrega bilionários arrumadinhos que sonham em colonizar Marte, para não ouvir os ecos dos tiros das favelas, e às escondidas higienizam suas mãos sujas de sangue;
A Terceira Via tenta roubar a cena da luta dos trabalhadores contra a mentira, golpes de consciência desfechados por diferentes linguagens nas Ditaduras: ecos do Auto do Frade, o Frei Caneca, executado nos teatros das salas de aula, narrativas como Os Sertões sobre a destruição de Canudos casa a casa, e filmes como Mariguella, enredo de um militante executado em via urbana;
A Terceira Via esmaga - sob o jugo do capataz da vez no Congresso Nacional -, a memória da Guerra dos Bárbaros, enquanto avança em territórios indígenas com toda a sua boiada;
A Terceira Via oculta, com suas potentes mídias, as mãos solidárias das periferias posicionadas em defesa dos que tombaram em prol da Reforma Agrária, e de Mariele Franco, executada no Brasil, e em Paris homenageada;
A Terceira Via legítima a Necropolítica fascista de todos os dias, mantida pelas milícias-militantes-militares do Estado;
Sentados na precária invenção da Terceira Via os ricos dizem-se sem liberdade para respirar ar puro, e reclamam da opressão em seus carros blindados, helicópteros, heliportos, enquanto gravitam assombrados com as hélices giratórias dos seus pesadelos em noites insones;
Estão os ricos acuados pelas imagens de famílias pobres e confinadas em sua horrível miséria, por idosos- fantasmas e suas famílias piedosas, todos a clamarem por justiça em depoimentos na CPI da Covid 19;
Os ricos do Brasil engasgados com a própria comida - que regurgita em suas estreitas gargantas, em seus estômagos azedos, nas suas bocas sedentas de moedas-, são espectros harmonizados por cirurgias sem-fim, e navegam em busca do desfiladeiro da Terceira Via, sua grande esperança de redenção, Via que os manterão no mesmo lugar, no conforto do seus bankers, ressecados e retesados pelos marca-passos dos dólares, e dos paraísos monetários, confinados e alimentados pelos grilhões insanos da miséria humana.
Será mesmo essa a nossa via? Fàtima Rodrigues, João Pessoa, 15 de novembro de 2021
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A Terceira Via
A Terceira Via “à direita”
A Terceira Via sentada em berço esplêndido, combina submissão e alienação, sentada à direita de todas as situações;
A Terceira Via ignora as veias abertas e sangrentas do Brasil na pandemia;
A Terceira Via ignora até mesmo cenas que no carnaval promovem os cortes-reais, quando vidas negras são negligenciadas nas alturas de modernos edifícios, expressão e ápice do racismo estrutural;
A Terceira Via esconde de si as mulheres e nega-lhes a política, deixando ao seu encargo o sangue escorrendo por suas virilhas, enquanto o presidente veta a lei e vocifera: segurem suas veias, estômagos e ventres!
A Terceira Via ignora os inocentes ardendo em febre e fome, no inferno de suas vidas, enquanto esses famélicos esperam os céus dos evangélicos e concordam com os católicos negacionistas;
A Terceira Via desconhece as famílias unidas nos cruzamentos urbanos com suas placas encardidas, a nos lembrarem da crua miséria humana;
A Terceira Via é o leite e o pão de cada dia entregues em fartas cotas ao agro pop no Congresso Nacional, que se “à direita” em todas as estações e dias do ano;
A Terceira Via agrega bilionários arrumadinhos que sonham em habitar Marte, para não ouvir os ecos dos tiros das favelas, e às escondidas higienizam suas mãos sujas de sangue;
A Terceira Via tenta roubar a cena da luta dos trabalhadores contra a mentira, golpes de consciência desfechados por diferentes linguagens nas Ditaduras: ecos do Auto do Frade, o Frei Caneca, nos teatros das salas de aula, narrativas como Os Sertões sobre a destruição de Canudos casa a casa, e filmes como Mariguella, enredo de um militante executado em via urbana;
A Terceira Via esmaga - sob o jugo do capataz da vez no Congresso Nacional -, a memória da Guerra dos Bárbaros, enquanto avança em territórios indígenas com toda a sua boiada;
A Terceira Via oculta, com suas potentes mídias, as mãos solidárias das periferias posicionadas em defesa dos que tombaram em prol da Reforma Agrária, e de Mariele Franco, executada no Brasil, e em Paris homenageada;
A Terceira Via legítima a Necropolítica fascista de todos os dias, mantida pelas milícias-militantes-militares do Estado;
Sentados na precária invenção da Terceira Via os ricos dizem-se sem liberdade para respirar ar puro, e reclamam da opressão em seus carros blindados, helicópteros, heliportos, enquanto mantém-se assombrados com as hélices giratórias dos seus pesadelos em noites insones;
Estão os ricos acuados pelas imagens de famílias pobres e confinadas em sua horrível miséria, por idosos- fantasmas e suas famílias piedosas, todos a clamarem por justiça em depoimentos na CPI da Covid -19;
Os ricos do Brasil engasgados com a própria comida - que regurgita em suas estreitas gargantas, em seus estômagos azedos, nas suas bocas sedentas de moedas-, espectros harmonizados por cirurgias sem-fim, navegam em busca do desfiladeiro da Terceira Via, sua grande esperança de redenção, Via que os manterão no mesmo lugar, no conforto do seus bankers, ressecados e retesados pelos marca-passos dos dólares, e dos paraísos monetários, confinados e alimentados pelos grilhões insanos da miséria humana.
Será mesmo essa a nossa via?
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A Força do Silêncio
No principio fez-se doído o silêncio Que em latência manteve-se à retaguarda Tu fostes sombra Sempre tão presente E imersa em mim Jamais te ausentastes E eu fiquei então aprisionada Envolta estive em lágrimas vicejantes Que inocentes Me lavavam a alma! Vi o silêncio A ocupar-me inteira Num movimento além do tempo-espaço Foi quando o luto em sua plenitude Abriu-se em luz na escura madrugada Ao aplacar em mim a dor profunda E o desencanto que me ocupava A luz candente me guiou serena A transpor fronteiras antes impensáveis Ergui-me em meio à cascata de lágrimas Que estagnada mostrou-me as veredas Da misteriosa cartografia humana Que para além da sua vã cegueira Nada enxerga além da própria sombra!
Revivido e pleno se fez o entendimento Que em vigilia Nasceu pacificado Em douta e cabal descoberta do humano
João pessoa, 24 de outubro de 2021.
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Te amo
As vezes eu quero dizer mas não consigo E penso... as palavras são tantas! Por que não expressam? É que as sensações são múltiplas e me atravessam Descrevê-las demanda sentidos que a grafia não dá conta Fico oculta Caminhar é diferente O sentido se faz em cada músculo e no ar que respiro Chorar me torna inteira e o silêncio em mim promove encontros Te amo são apenas duas palavras Mas o amor se anuncia num turbilhão Suores, secreções, sensações que atravessam corpos em êxtase Impossível dizer tudo Melhor é sentir.
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Travessias do ser
Atravessei ruas, becos e vielas não via e nem era avistada Senti as madrugadas geladas e o silêncio a contornar-me Um rio caudaloso fez-se em mim de margem à margem Se fez pleno sem barqueiro Só um imenso e angustiante vazio me invadia e eu procurava o calor de um abraço Encandeada atravessei desertos e pântanos e nem na multidão me encontrei Sobram desertos nesse amalgama que é a minha vida Mas em meu ser a graphia é generosa E os mapas ? Desnudam a terra conforme a vista alcança Não desnudam a mim onde o aço e o vazio se alternam numa valsa insana Ser é incongruente, Sei! e nem isso me faz temer Na lua crescente me ergo incólume A vida requer coragem.
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Travessias do ser
Atravessei ruas, becos e vielas não via e nem era avistada Senti as madrugadas geladas e o silêncio a contornar-me Um rio caudaloso se fez em mim de margem à margem Se fez pleno Sem barqueiro Só um imenso e angustiante vazio me invadia e eu procurava o calor de um abraço Encandeada atravessei desertos e pântanos e nem na multidão me encontrei Sobram desertos nesse amalgama que é a minha vida Mas em meu ser a graphia é generosa E os mapas ? Desnudam a terra conforme a vista alcança Não desnudam a mim onde o aço e o vazio se alternam numa valsa insana Ser é incongruente, Sei! e nem isso me faz temer Na lua crescente me ergo incólume A vida requer coragem.
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Transgressões
Eu me embaraço com as minhas emoções É que elas não são duradouras como eu gostaria E por ti fico inquieta a justificar-me Sou fiel até onde posso Até onde chega uma outra emoção e me leva na correnteza Poderia ter heterônimos, pseudônimos, mas de que adiantaria se tudo transparece? Há em minhas profundezas uma montanha de sentimentos que me divide, me distancia e me ajunta Nesse lugar sou cativa de um pensar tão frouxo que alço vôos de toda envergadura Difícil é aterrisar no plano Quero as montanhas Mesmo quando o olhar de cima para baixo me causa vertigens Sou tola quando penso nisso - Melhor é existir.
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Acordar
Leve e tênue pulsar Híbrido que nos traz luz e sombra Sentidos de si e solidão No abrir e fechar dos olhos um quê se indaga enternecido ou decaído Ato em si aberto par a par ante o insólito O novamente visto De novo a crer ou descrer Querer ou negar o ser Acordar sem querer a si Acordar na madrugada enlutada Dar cor de si No amanhecer pleno luzes se esvaindo Ao vento galáxias a perderem-se Na imensidão do cosmos juntam-se e separam-se num circuito entre pequenez e grandeza Na poeira .... Do nada o ser se escuta.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil, 26 de janeiro de 2021