Matheus Nascimento

Matheus Nascimento

n. 1997 BR BR

phunky buddha----033--024----

n. 1997-10-12, Caratinga, MG

Perfil
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QUARTA ÀS VINTE

A cada quinze dias
nas quartas
às vinte
eu me sinto bem,
tenho horário marcado
com os ocultos
desse vai e vem.

As dores de um moribundo
que não cabem nesse mundo
se dispersam num feitiço
escondido nesse assunto,
ontem calado,
hoje profundo.

À doce confidente que me escuta
e sabe bem como chegar,
como eu queria devolver
os abraços que me dá.


Petrópolis, agosto de 2021.
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Poemas

17

RESPLENDOR

Finório deflagra solto
Flecha pousa na corda
Ao peito lança a chama
Chama arde acalento

Desatento a toda forma
Verso livre é alimento
Horda e rosa do vento
Girassol que desabrocha

Limo ócio adora rocha
Titubeia ao movimento
Todo tempo é agora

Ainda que a passo lento
Água que perfura pedra
Mora cálida no momento.


Governador Valadares, abril de 2020.
260

A PERSISTÊNCIA VITAL

Um poema nunca deve ser escrito a lápis,
muito menos deve-se usar borracha.

A poesia é o reflexo da vida e nada pode ser apagado,
os erros se tornam lembranças como feridas que cicatrizam a pele.

Uma atitude errada vira uma mancha,
um verso errado vira um borrão.

E a função do poeta é desafiar os problemas,
os caminhos e o vento que sopra contra seus objetivos.

Governador Valadares, 2012.
271

OS OLHOS DA ALMA

Verde janela
de várias imagens
diverge na alma
o voar de bons ares.

Me olha de fora
e com muito talento
tira toda agonia
que havia aqui dentro.

Quem me dera ser um pássaro
pra entrar em seus jardins
ser formiga em passo a passo
ser todas as árvores
ou apenas um cupim,
mas pra mim basta enfim,
respirar o seu afago.


Petrópolis. agosto de 2021.
286

O PRIMEIRO BLUES

Eu poderia estudar
Poderia ler clássicos
Poderia ver filmes

Poderia ouvir músicas
Poderia tocar músicas
Poderia fazer músicas

Poderia correr
Poderia beber
Poderia tentar me mexer
Procurar alguém
Que me traga o prazer

Poderia fazer tantas coisas
Que acostumava a fazer
E a única coisa que faço
É pensar em você

Não faz sentido eu deixar de viver
Pra pensar em você
Não me anima assistir futebol 
Meu violão não sorri pra mim
Os pratos gourmet não tem graça
As mulheres viraram homens
Nada mais faz sentido

Apesar disso,
Texturas macias lembram sua pele
A beleza dos acordes soam sua voz
E o espetáculo do por do sol
Reflete o brilho dos seus olhos

Estou ficando louco, ou é apenas amor?

Eu não sei o que é,
Mas são 3 da manhã e estou te escrevendo
Sem ao menos saber se um dia vai ler

As perguntas não tem respostas
As dúvidas não tem soluções

É só você que pode me fazer voltar a viver
E tudo irá fluir novamente
Tento dormir, não consigo
Mas eu quero sonhar
E meu maior desejo
É acordar
E esperar
Que não termine em poesia.
 


Petrópolis, 2019.
267

CORDAS E BAMBAS

Torna-se um assassino quem busca estatísticas antes de apostar;
quem busca dinheiro antes de trabalhar;
quem diz que ama sem se expressar;
quem transa com a mesma mulher sem se animar.
Porém o mais cruel também é ignorante
e sobrevive sem se arriscar.

Tropeças quando soma números
se sonhas letras,
pois vive na ilusão do exato.

Esqueceu-se dos sonhos nesse encontro desmarcado,
são dez pras quatro e meia,
compre meia passagem pro trem das memórias,
e o infinito num instante,
em retratos na estante.


Cachoeiras de Macacu, fevereiro de 2021.
248

UNTITLED, UNMASTERED.

Melodias progressivas 
tocam sem soar
Ouvidos que entonavam
 já não querem escutar
A curiosidade do infinito 
tangencia o horizonte
através de olhares
 que enxergavam atrás de montes
A arte vagabunda é o meu chão,
a música boêmia é o meu teto
Mas sem afeto
nada existe 

se não aquilo que é concreto.


Governador Valadares, 2013.
264

CONFUSO CONFÚCIO

Tão efêmero quanto o mero fiasco da lâmina que encosta no esmero,
sai a faísca que brilha num escuro tão enfermo.

O sangue fino escorre pelas alterosas de meu peito,
tão sentido de intensos suspiros desmentidos eu suspeito
se a novidade desse sujeito não é mais do outro mesmo.

Inseguro só desejo
Que esse mimo e quente beijo
Se acerte a termo
a priori ou a esmo
E nas páginas de minha história
realce tudo que vejo.


Petrópolis, setembro de 2021.
280

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