Matheus Nascimento

Matheus Nascimento

n. 1997 BR BR

phunky buddha----033--024----

n. 1997-10-12, Caratinga, MG

Perfil
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QUARTA ÀS VINTE

A cada quinze dias
nas quartas
às vinte
eu me sinto bem,
tenho horário marcado
com os ocultos
desse vai e vem.

As dores de um moribundo
que não cabem nesse mundo
se dispersam num feitiço
escondido nesse assunto,
ontem calado,
hoje profundo.

À doce confidente que me escuta
e sabe bem como chegar,
como eu queria devolver
os abraços que me dá.


Petrópolis, agosto de 2021.
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Poemas

17

A PERSISTÊNCIA VITAL

Um poema nunca deve ser escrito a lápis,
muito menos deve-se usar borracha.

A poesia é o reflexo da vida e nada pode ser apagado,
os erros se tornam lembranças como feridas que cicatrizam a pele.

Uma atitude errada vira uma mancha,
um verso errado vira um borrão.

E a função do poeta é desafiar os problemas,
os caminhos e o vento que sopra contra seus objetivos.

Governador Valadares, 2012.
268

ÁGAPE

A campainha toca
Ela abre a porta

Suas íris esverdeadas penetram meu olhar
Sinto seu cheiro entre amassos
tão íntimos e carinhosos que não ouso separar.

Nem percebo
sinto um beijo
recheado de desejo

e encontro a beleza em tudo que vejo.

O mundo para por um momento
Não tenho o que falar
Esqueço os problemas, jogo fora os esquemas
Só penso em sentir o seu corpo e ver o tempo passar.

Fico reparando
Enquanto ela vai
Pequena
olhar brilhante
Morena
sorriso cativante
basta ficar por um instante
e me conquiste
me encante.

 


Belo Horizonte, 2015.
253

O PRIMEIRO BLUES

Eu poderia estudar
Poderia ler clássicos
Poderia ver filmes

Poderia ouvir músicas
Poderia tocar músicas
Poderia fazer músicas

Poderia correr
Poderia beber
Poderia tentar me mexer
Procurar alguém
Que me traga o prazer

Poderia fazer tantas coisas
Que acostumava a fazer
E a única coisa que faço
É pensar em você

Não faz sentido eu deixar de viver
Pra pensar em você
Não me anima assistir futebol 
Meu violão não sorri pra mim
Os pratos gourmet não tem graça
As mulheres viraram homens
Nada mais faz sentido

Apesar disso,
Texturas macias lembram sua pele
A beleza dos acordes soam sua voz
E o espetáculo do por do sol
Reflete o brilho dos seus olhos

Estou ficando louco, ou é apenas amor?

Eu não sei o que é,
Mas são 3 da manhã e estou te escrevendo
Sem ao menos saber se um dia vai ler

As perguntas não tem respostas
As dúvidas não tem soluções

É só você que pode me fazer voltar a viver
E tudo irá fluir novamente
Tento dormir, não consigo
Mas eu quero sonhar
E meu maior desejo
É acordar
E esperar
Que não termine em poesia.
 


Petrópolis, 2019.
263

RESPLENDOR

Finório deflagra solto
Flecha pousa na corda
Ao peito lança a chama
Chama arde acalento

Desatento a toda forma
Verso livre é alimento
Horda e rosa do vento
Girassol que desabrocha

Limo ócio adora rocha
Titubeia ao movimento
Todo tempo é agora

Ainda que a passo lento
Água que perfura pedra
Mora cálida no momento.


Governador Valadares, abril de 2020.
259

FORMIGA-DE-EMBAÚBA

Para o piloto,
Correr
Para o mercante,
Vender
Para o estudante,
Aprender
Para o fantasioso,
Pretender
Para a terra,
Chover
Para o sol,
Nascer
Para mim,
Você.

Governador Valadares, 2017.
248

OCASO MANIFESTO

Te peço um verso
ao avesso inverso,
seja daqui,de outro universo
e até de Madrid.

Pode escrever,
até salvo e imprimo
registro impresso.

Vamos andar pela rua
olhar paisagens
à barista
por favor, um expresso.

Pois longe de ti
fico louco, possesso.

Só me falta dizer
que te amo,
confesso.



 Governador Valadares, 2016.
253

NO CLARÃO DO CANDEEIRO

Ninguém dança quadrado
No jogo de roda
A cadência do samba
Faz desembolar.

Se o caminho é breu
Agradeço a mãe lua
E de olhos fechados
Hei de enxergar.


Governador Valadares, abril de 2020.
261

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