Lista de Poemas

Extremos

Sinto meu egoísmo
Minha voz me diz tanto
com tamanha segurança

Sou eu comigo
... Sigo

Me canso
Me abandono
Fico distante
Perco o sono
Sou eu assim:
às vezes comigo,
outras sem mim.
98

Atemática

A imaginação atemática:
Razão em equações enigmáticas,
versos perdem a rima,
grafias fonêmicas anímicas
sem acentuar nada da alma.
Sensibilidade dorme esquecida
Sem sonhos
Sem poesia
Sem vida
68

Visão

Deixei de ver o passado
Faltam-me olhos compridos

E na divisa
sentei-me à sombra
e a encolhi até meus pés

Risquei o chão
de limites

Asas me voam 

Sigo o caminho
Sou feito de corações.
71

Fluxo

Não há culpa
O tempo erra
e a vida segue

O que choramos 
não é a morte,
talvez a dor

Jeito de não ser;
Águas
sem rio,
Humanos sem brios.
70

Confissão

A crença é o ofício do pecador
Repetida ecoa a prece
como se a salvação
estivesse ancorada na vida
e viver fosse razão...

A santidade é involuntária
Bondade é obrigação
Se acontece o milagre
ilumina-se o coração.
94

Andejo

Caminhando desatento
sem hora, sem rumo
lentamente;
O que importa?

Coração aquietado,
bolsos cheios de mãos,
preso ao desejo de assim não ser:

Silencioso 
Ausente
Invisível
Incrédulo

Não há vida
nas ruas...

Nem no íntimo
do andarilho.
71

Desacerto

A estrela que não brilhou
A semente que não germinou
A flor que o veneno queimou

O ponto cego
O atoleiro inesperado
O vento frio da madrugada
A parte íngreme da estrada

O lixo que o cachorro virou
A carta que voltou
A luz que se apagou

O nada
A vaga negada
O intruso da fruta estragada

Nota destoada
O dente que dói
A mosca da feijoada

Ausência não sentida
Nascer nasceu,
mas nunca teve vida.
64

Sorte e azar

Melhor não pensar
O que tiver que nascer
nascerá.

E se pensar
melhor é calar
Se tiver que crescer
crescerá.

O tempo resolve
Pra lá ou pra cá
Nem toda falta de sorte 
é azar.
69

Olhar

A janela apoia meu peito
Vejo a multidão aglomerada
pelas calçadas
na rua Solidão

Em mim a comoção
Desejos de abraçar 
Enviar-lhes missivas de amor

A ternura enche-me o peito
faz brilhar meus pensamentos
Partículas doces de um sentimento

Jogo ao vento…
66

Animais

Despidos, 
pobres bichos!
E a chuva a lhes umedecer.

Outros cantam!

Tais felicidades às avessas
parecem sorrir
risos saciados
sem sede
sem medos.

Em que reside a alegria?

Na água e milho
- Dirão eles!

E eu sem respostas
Sem cantos
Sem risos
Sisudo
cara amarrada,

Vestido!
68

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)