Lista de Poemas

Futuro

Sobre o amanhã:
- Tudo é igual, nada vejo;
Pouco sinto,
nada sei

Talvez meus olhos amanheçam cheios
e meu sorriso venha a óbito
ao escutar
o grito sofrido dos homens 
em brados por justiça.

Mundo ingrato!
82

Depois

Vida vindo
ventando vivências
aventando a existência

A rosa escarlata
para a mais bela
Ansioso
ao vê-la na janela

Depois o adeus
envelhece o silêncio.
85

Claves

Duas chaves
abrem a mesma porta

Claves de sol 
Voz noturna-rouxinol

Migrações coloridas
Pássaros de rosas-vidas

Abre-se coração
Ouve-se a canção


Recebe a pétala
solitária na mão.

- O voo não silencia a emoção -
46

Desejo

Se for caminho
ei de enfrentá-lo
pois a fé dá força
para a paz reinar

Se o que eu desejo
for inalcançável
a minha crença 
manter-se-á inabalável

Se faltar brilho
um céu de estrela
pintarei ligeiro
para me iluminar.
76

Faltam infinitos

Muito além de um caminho: 
vida!

Passos ansiosos
nem sempre pensados;
Pés pesados no chão.

Viver é dádiva!

Fulminante o sol se põe
como a brisa da praia

Vive-se o instante!

Faltaram infinitos.
A vida nunca para!

Viver é ser!
66

Pés

Pés calmos não avançam
e a estrada os vence.

Que caminhos percorrem?

Cansados levam os olhos
a ver misérias humanas
criadas pelo homem.

Um olho olha,
o outro cala.

A lágrima ... 

Tão duro construir
a paz!

Repetem-se os passos
- O anexo não salvou Anne -
Nada se salva
O mundo acaba
A humanidade é a mesma.
103

Tinto

Vermelha uva
- Vinho -
Cacho sem espinhos
Ramos podados
Cipós sustentados
e o pássaro em volta

Um grão no papo,
outro no chão

O canto silvestre
de agradecimento
Se não fosse o pássaro
seria o vento.
22

Vida de adulto

Ao final da tarde penso em um poema,
mas me lembro de que não comprei leite
e corro até a padaria

Amanhã a conta da água
e depois a da energia
e sábado tem o aluguel

E domingo tem a fome
e segunda tem a fome
e sempre tem a fome

Em um dia o dinheiro some,
o poema falece,
os olhos tristes
veem outro dia amanhecer.
76

Um dia

Na sombra das asas
voa
Inventa movimentos
Repousa
Sossega
Encolhe
- ImpiedosamenteSome
Perde-se 
do sol.

Nas asas internas
À luz 
na parede
projeta
objetos

Nas asas da noite
silencia,
se ausenta.

Repousa
noturna solidão.
142

Gustativo

Maduras,
escorrem,
colorem, 
fermentam

Esmagadas
transformam-se

As palavras
Ganham gosto.
84

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)