Lista de Poemas

Nem vi

Desculpem minha falta de memória

Repito os velhos versos

Como a canção antiga

Que cantei na infância.

Desculpem minhas frágeis lembranças,

Vividas desde dos tempos de crianças

Que não querem se apagar.

Desculpem - me

Nem vi a vida passar.

298

A vida

Evito ao natural manusear

Vou lendo de lá pra cá,

Prefiro não saber se acabei

Ou se estou apenas a começar.

279

Sossegar

E quando anoitecer

Use o prazer

Que a noite dá

Para fazer

Uma lágrima

Sossegar.

300

Florir

Floriu o poema que plantei.

Flores lindas!

Perfumadas de vida.

Escuto o assovio do menino

Em seus galhos empoleirado.

Doçura de versos germinado,

Na poesia, que mesmo tardia,

Faz sombra para lhe abrigar.

425

Partir

Em pleno devaneio

Já no centro de mim,

Refleti-me desajeitado

E no meu espelho,

Em prantos sorri

Por fim...

Parti.

289

Injusto

Fui ensinado a ser correto,

A suportar os solavancos

A ter comportamento reto,

A ser autêntico e franco.

Manter-me honesto e honrado

Evitando o mal fazer

Melhor dormir sossegado

A ver a consciência fenecer.

Vencer mentindo é injusto

Uma vitória enganosa

Para maldade não se faz busto

é uma escolha nada glamorosa.

A vida é implacável em seu custo

Sustento o orgulho em dizer:

Prefiro perder por ser justo

A ganhar por justo não ser.

303

Humildade morta

Talvez nunca chegue para ficar,

Nem nunca levante para ir embora.

Talvez a multidão escondeu

No tremor da respiração

Em que você se perdeu

E foi-se pela contramão.

Nem mais copo, nem mais corpo

Acolhendo os desejos acordados.

Não há boca esperando outra,

Apenas um movimento sem jeito

Um corpo conduzindo a roupa.

Na parede pendurado um recado

De um tempo a ser lembrado,

Um sorriso nunca esquecido

Contrastando com o hoje amarelado.

Findou assim, sem terminar

Foi tudo e sempre tudo será

Amor que ama tem vida eterna

O que morre é a humildade de amar.

309

Cenário

é preciso encontrar ao menos um poema

Ou mesmo um simples verso sem rima,

Uma frase rabiscada na folha dobrada

Para fazer voltar na memória

O que agora é apenas história.

Na necessidade de se ir adiante

Vê-se o cenário da antiga cena

E hoje ensaia-se só.

Nesta hora tem-se a certeza

O que era um caminho

Transformou-se em estrada

De se caminhar sozinho.

Foi-se a vida

A velhice chegou.

265

Na arte nada limita

Sou poema que desconhece distância

Já que o virtual aproxima,

Sou verso longínquo de relevância

Comungando a mesma rima.

Na arte nada limita,

Sem fronteira demarcada,

A cultura se unifica

Para ser admirada.

Poeta virtual eu sou

Não me ausento da escrita

Este gênero me conquistou

Poesia é a minha favorita.

265

Eu não paro de sonhar

Só o fim dos sonhos me faria parar,

Mas tenho estoque para uma vida

E se necessário vou fabricar.

Eu não paro...

Eu não paro de sonhar.

256

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)