Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Evito ao natural manusear
Vou lendo de lá pra cá,
Prefiro não saber se acabei
Ou se estou apenas a começar.
Floriu o poema que plantei.
Flores lindas!
Perfumadas de vida.
Escuto o assovio do menino
Em seus galhos empoleirado.
Doçura de versos germinado,
Na poesia, que mesmo tardia,
Faz sombra para lhe abrigar.
Pelos vãos dos seus dedos
Com maestria incontida
Passaram tantos segredos
Escapou tanto da vida.
Por eles vazaram poesias
Num galope ultra frenético
Incrédulo e imóvel você permitia
Contemplava com olhar poético.
Vou apelar ao faz de contas
Hoje não quero o real
Nem vou saber se o sol aponta
Nem quem está bem ou mal.
Não quero notícias nenhuma,
O mundo vou esquecer
Superar medos guardados
Ser feliz pelo fato de viver
Hoje serei corpo sem matéria,
Sem futuro me puxando
Vou sorrir como quem vive em férias
Sonhar como quem está amando.
Fui ensinado a ser correto,
A suportar os solavancos
A ter comportamento reto,
A ser autêntico e franco.
Manter-me honesto e honrado
Evitando o mal fazer
Melhor dormir sossegado
A ver a consciência fenecer.
Vencer mentindo é injusto
Uma vitória enganosa
Para maldade não se faz busto
é uma escolha nada glamorosa.
A vida é implacável em seu custo
Sustento o orgulho em dizer:
Prefiro perder por ser justo
A ganhar por justo não ser.
Conte-me do sol prometido,
Disseste-me que ele ainda brilha,
Inquieto-me sem que o veja
A espera é castigo insano.
Vida de nuvens é vida que troveja,
Venha para mim sol que tanto amo.
Na esquina tem tudo,
Danças cambaleantes
E verdades do mundo.
Tanto riso solto
Pódio para quem mostrar
Dinheiro pelos bolsos
Na esquina a festa é contínua,
O que mais tem é algazarra e
Música que nunca para.
A ilusão te põe no altar
Desculpa te decepcionar
Na esquina tem apenas um bar.
Se o céu me for dado
Minha alma
Apreciará do alto,
Sem castiçais dourado,
Mistérios vivos
De algum vale encantado.
Deixe-me calado,
Hoje estou assim:
Sinto a chuva
E me basta.
Deixe-me quieto.
Banhar-se como criança -
Nas lembranças -
Faz bem.
A inocência floresce
Nas ilusões bonitas
Que a vida matou.
A tristeza passa
Como passa o tempo.
Deixe...
O que guardamos em nós
Quando fechamos os olhos
Podemos até ver.
Sensações que
Dizem ou nada dizem,
Deixe...
Basta-me o viver.
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