Lista de Poemas

Vãos

Pelos vãos dos seus dedos

Com maestria incontida

Passaram tantos segredos

Escapou tanto da vida.

Por eles vazaram poesias

Num galope ultra frenético

Incrédulo e imóvel você permitia

Contemplava com olhar poético.

285

A gente

A gente se doa em cada gesto de carinho

A gente se dá em cada flor que oferece

A gente se perde no outro quando ama

A gente renasce quando tem o que viver.

357

Meu mundinho

Posso espalhar poesias pelo mundo

Viajar por onde for,

Mas levo comigo meu mundinho

- Lembrando com grande amor-

Meu Pinheiro Marcado

No interior de Carazinho.

303

Sol

Conte-me do sol prometido,

Disseste-me que ele ainda brilha,

Inquieto-me sem que o veja

A espera é castigo insano.

Vida de nuvens é vida que troveja,

Venha para mim sol que tanto amo.

344

Faliu a sociedade

E a mãe perdeu o filho

E se fechou.

E outra família perdeu o pai

E se fechou.

E outros perderam outros

Humanos, honestos, bravos...

Faliu a sociedade

O crime reduziu a idade

Os valores reduziram nas cabeças

Intoxicadas.

E a mãe generosa

De coração sem limite

De bondade divina

De amor e luta

Perdeu outro filho,

E a sociedade não viu

O policial não viu

O juiz não puniu,

Mas o filho sumiu.

Coração de mãe cabe mais um,

Mas por Deus,

Há uns que não merecem ter mãe,

Há uns que não tem Deus,

Mãe nunca vai entender

Por qual motivo outro filho

Assassina um filho seu.

264

Hoje não acordei

Hoje passei no bosque.

Em trilhas que antes já fiz

Revi vestígios da amarelinha

Em apagados riscos de giz.

Com a chegada da noite

Me fiz anoitecer também.

322

Medos

Na velha casa de madeira

O quarto ao lado do meu

Um mostro escolheu para morar.

À noite, destemido, ele subia no foro

E fazia a madeira estalar.

A lua espiava os meus medos pelas frestas

- Que vergonha!

Ao longe, uivava algum bicho noturno,

Desconfio que em meio as palhas do colchão

Morava outro, mais barulhento, mais enfadonho.

Hoje a casa é adulta

Do menino já nem sei,

Mas os medos?

Deles nunca me livrarei.

320

Hostil

Para seguir em frente

É preciso detonar minas internas,

Cavar túneis na alma,

Fazer pontes nos sentimentos,

Abrir picadas nas muralhas da vida.

Neste ambiente hostil

Dos meus olhos nasce um rio

Dou a ele brilho sutil

Águas mornas de frio.

265

Para ser lido

O livro leva o silêncio

Leva a vida

Seus personagens

Suas passagens

Leva calado

O que foi grafado

Para ser lembrado.

O livro transporta

Tudo o que se quer,

Leva saudades

Em cada linha

Uma historinha

Que alguém inventou

Ou a verdade

Que o autor contou.

O livro é fiel

Leva de tudo, mas

Fica calado

Seu conteúdo

Não é revelado

Se não for folheado.

236

Que vida!

A algazarra cessou.

Apenas uma lâmpada, ao fundo,

De resto e de alma tudo sombreou.

Um menino sonhando corria sozinho

Perdido, desconecto do caminho.

De dia viu voarem passarinhos,

Mas pernoitou sem sequer ter um ninho.

Sem travesseiro,

Querendo a noite passar ligeiro

Como se fosse dela apenas um passageiro.

Sonhos reais

Horrores,

Temores...

Tremores.

Um timbre de galo .... Distante,

O dia entrante

Angústia alarmante.

Desejou plantar a poesia

Na ilusão de colher o café da manhã,

No orfanato da agonia.

Desacreditou no amor

Angustiado calou.

Sem mundo

Humano imundo.

Matou as aventuras,

Matou as canções,

Sepultou ilusões.

- Que vida meu Deus...

Que vida!

277

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)