Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Na noite oca
Um grito dizia
A vida é louca
E nem se ouvia.
O eco furou
O grito ficou descontente,
Certo é quem errou
Ao morrer da semente.
Ouviu-se uma explosão
Deveras forte
Ventos soprando intensos
Vindos do lado norte.
A notícia se espalhou
Logo se viu
Um verso não suportou
E, desolado, explodiu.
Enlutando a poesia
Num lamentar sem fim
Ainda bem que o poeta
Não desiste fácil assim.
Longe de plateias,
Isolado de tudo
Na solidão do quarto
é preciso suportar o mundo.
Era uma tarde florida,
Leve, alegre... Mágica
Sai a caminhar pela vida
Tempo para a água ferver.
Tempo para o pão crescer.
Chegou de madrugada,
Leve.
Um vulto que não se ouvia.
Era tarde,
Mesmo na escuridão,
Sorria.
Ah! Passos que temia
Que ao se imaginar
Sentia.
Piscou no novo dia
Tudo ilusório...
Partia.
Sorria...
Nada vai fazer o tempo voltar
Sorria...
Um dia todos irão embora
Sorria...
Viver é enfrentar decepções
Sorria...
A dor ensina e passa
Sorria...
A história já está contada
Sorria...
Transforme as angústias com graça
Sorria...
Logo virá outro amanhecer
Sorria...
Valeu a pena tudo viver
Sorria...
Há o infinito eterno.
Depois a gente chora
Sorria...
Ao menos sorria agora.
Ah! Meu eu menino
confia em mim
Tenho vivência
E alguns sonhos jovens.
Deixa o dia florir
No sol que te abraça,
Ainda há vida
É preciso ser feliz
Até o dia que não amanhecer.
Vivemos a fazer contas
Sem saber que a vida não é exata
O inesperado sempre apronta
Num piscar vai de crédito a duplicata.
Dentro cada um tem o que precisa
Para o caminho que escolher seguir,
Definindo as próprias divisas
As decisões tomadas indicam por aonde ir.
Seremos sempre o que nos fizermos
A ninguém devemos atribuir nada
Somos ônus e bônus do que escolhemos
Resultados das nossas metas certas ou erradas.
Tens pele sedosa com cheiro de amor,
Sob a blusa vermelha trunfos ávidos
Ângulo suave e sedutor
Em marcantes sândalos encantados.
Domada na generosidade da fragrância
Atributos das essências viris,
Adjetivos caracterizados na abundância
Solícitas provocações quase febris.
Deita teu algodão neste braseiro
Tórrida de desejos arrocha os lábios,
Pulsando vertentes no corpo inteiro
Maliciosos segredos outrora guardados.
Sofismadas no sorriso estavam às angustias,
Tremores de quem toca o infinito
Na incerteza do que virá ao abrir a porta
Além do bilhete pendurado
No girassol já sem abelhas.
Fecha-se o portão criado
De um mundo invisível
Ante o abismo....
Cante.
Talvez faltem pernas para o pulo,
Um passo atrás...
O embalo
Três...
Lança-se.
É a própria lança,
É míssil futurístico
Que não se prende a muros.
Levante-se...
Sentado
Nem na melhor música se dança.
Faça a troca;
A uma vida enfadonha
Arisque algumas festanças.
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