Lista de Poemas

Hora certa

Ainda havia um sonho guardado

Entremeado por medo e orgulho

Deixei-o dormir até clarear

Abrigado na alma estava protegido,

Ao natural é a melhor maneira de acorda-lo

Pois será a hora certa de ser vivido.

273

Ondas sensíveis

Todos os encantos

Em cantos da tua boca,

Num olhar de lábios

Mágicos de doçura louca.

Dunas, guarda-sóis e nos,

Um coro meio rouco

Numa consoante voz.

Luzes do chalé

Envoltos em lençóis

Oceanos adormecendo em cafunés

Ondas sensíveis de mulher.

284

Não há

Bastava-me um motivo

E eu sorriria,

Mas não, não havia sorrisos

Muito menos motivos.

Nunca ninguém sorri

Nunca há motivos,

Tudo o que a vida dá

São penitências de fazer santos

E exigências de criar heróis.

Nem com milagres

Nem com promessas

Nem procure sorrisos

Onde nunca antes foi achado.

319

Tem vezes

Tem vezes que encaixamos acomodações onde nem cabem,

Para determos soluços doloridos apertados no peito.

Miramos lados inúteis onde sombras descem

E ao incolor damos na metáfora enormes coloridos.

Nesses momentos em que nada distrai as lembranças

E que até o pisar suave faz barulho na saudade

É imprescindível e salutar toda coerência

Disfarçada no sorriso que estampa falsa felicidade.

285

Noite oca

Na noite oca

Um grito dizia

A vida é louca

E nem se ouvia.

O eco furou

O grito ficou descontente,

Certo é quem errou

Ao morrer da semente.

324

Não brilham

Escolho palavras duras,

Granitos

Valiosos

Diamantes vermelhos.

As mais certas

Não evito

Glórias falsas

Não brilham.

338

Definir

Impossível conceituar

Não tem caracterização correta

Perde-se tempo

Não se define poeta.

298

Tempo menino

O tempo é o menino que toca a campainha da vida

E corre...

É a água que escorre, passa por nós,

E vai...

É vento devastador saindo do mar e

Se aproximando...

É roupa que encolheu,

Não serve mais.

É sorriso substituído por certezas

Angustiantes inimagináveis antes.

Implacável, revela imperfeições,

Que a beleza jovem escondia.

Suplanta sonhos,

Mata sorrisos

Desperta monstros.

Ainda assim te recompensa,

Te encanta,

Te conquista.

(Moacir Luís Araldi)

Enviado para oficina de poesia

274

Menino

Ah! Meu eu menino
confia em mim

Tenho vivência

E alguns sonhos jovens.

Deixa o dia florir

No sol que te abraça,

Ainda há vida

É preciso ser feliz

Até o dia que não amanhecer.

277

Trunfos

Tens pele sedosa com cheiro de amor,

Sob a blusa vermelha trunfos ávidos

Ângulo suave e sedutor

Em marcantes sândalos encantados.

Domada na generosidade da fragrância

Atributos das essências viris,

Adjetivos caracterizados na abundância

Solícitas provocações quase febris.

Deita teu algodão neste braseiro

Tórrida de desejos arrocha os lábios,

Pulsando vertentes no corpo inteiro

Maliciosos segredos outrora guardados.

269

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)