Lista de Poemas

Mais

Sou abstrato

Que se sente.

- Que ironia!

Me absorva

Sou poesia.

More

I'm abstract

That can be felt

- how ironic

Absorb me

I am poetry

312

Longe

Longe de plateias,

Isolado de tudo

Na solidão do quarto

é que se entende o mundo.

267

Pela vida

Era uma tarde florida,

Leve, alegre... Mágica

Sai a caminhar pela vida

Tempo para a água ferver.

Tempo para o pão crescer.

284

Cabe

Ao poeta cabe

Despir a lua.

Aos amantes cabe

Despirem-se.

258

Ônus e bônus

Vivemos a fazer contas

Sem saber que a vida não é exata

O inesperado sempre apronta

Num piscar vai de crédito a duplicata.

Dentro cada um tem o que precisa

Para o caminho que escolher seguir,

Definindo as próprias divisas

As decisões tomadas indicam por aonde ir.

Seremos sempre o que nos fizermos

A ninguém devemos atribuir nada

Somos ônus e bônus do que escolhemos

Resultados das nossas metas certas ou erradas.

231

Última vida

Eu tive medo,

Preferi calar.

Poderia ser a última vida.

Senti-me só.

Ancorei-me lentamente

Para ser coberto pelo pó.

O futuro?

Um elo frágil

Um sopro

Uma interrogação

Um nó.

365

Vindos do lado norte

Ouviu-se uma explosão

Deveras forte

Ventos soprando intensos

Vindos do lado norte.

A notícia se espalhou

Logo se viu

Um verso não suportou

E, desolado, explodiu.

Enlutando a poesia

Num lamentar sem fim

Ainda bem que o poeta

Não desiste fácil assim.

Longe de plateias,

Isolado de tudo

Na solidão do quarto

é preciso suportar o mundo.

296

Ondulante

O vento que nos permeia

Balança as águas

Ondula as areias.

Desafiante entra pelas janelas

Sacode as cortinas

Bate nas telhas.

Apaga-me a voz

Grita-me zunindo levemente

Esvoaça grisalho a cabeleira.

Vá ser feliz,

Por favor, vá-se embora

Vai ventar lá fora.

309

Desisto-me

Todos meus sonhos

Vivem outros sonhos.

Todos meus gostos

Tem outros gostos.

Aquilo que choro

Sorri para vida.

Tudo que eu ganho

Perde o valor.

Meu tropeço

Quebra uma flor.

Tudo o que existo

Não resiste.

Desisto-me.

263

Vulto

Chegou de madrugada,

Leve.

Um vulto que não se ouvia.

Era tarde,

Mesmo na escuridão,

Sorria.

Ah! Passos que temia

Que ao se imaginar

Sentia.

Piscou no novo dia

Tudo ilusório...

Partia.

305

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)