Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Escolho palavras duras,
Granitos
Valiosos
Diamantes vermelhos.
As mais certas
Não evito
Glórias falsas
Não brilham.
Eu tive medo,
Preferi calar.
Poderia ser a última vida.
Senti-me só.
Ancorei-me lentamente
Para ser coberto pelo pó.
O futuro?
Um elo frágil
Um sopro
Uma interrogação
Um nó.
Ainda havia um sonho guardado
Entremeado por medo e orgulho
Deixei-o dormir até clarear
Abrigado na alma estava protegido,
Ao natural é a melhor maneira de acorda-lo
Pois será a hora certa de ser vivido.
Bastava-me um motivo
E eu sorriria,
Mas não, não havia sorrisos
Muito menos motivos.
Nunca ninguém sorri
Nunca há motivos,
Tudo o que a vida dá
São penitências de fazer santos
E exigências de criar heróis.
Nem com milagres
Nem com promessas
Nem procure sorrisos
Onde nunca antes foi achado.
Piso num solo endurecido
Torrões resistentes
Barro ressequindo.
O sol escalda-me
Suor escorre
Nem uma nuvem
Rebelde acima.
Nenhum girassol
Um colorido qualquer
Para florir um sonho.
Há uma impiedade que assola
Que não aceita emoção,
Que seca; meu Deus!
E eu não sei ligar a razão.
A noite não foi feita para partir,
Sente-se na varanda
Prove o vinho
Enquanto trocamos alguns carinhos.
Não vá agora, espere amanhecer
Talvez a noite te convença a ficar,
Mas se assim não for
Vá de dia
A noite não foi feita para se despedir.
Todos os encantos
Em cantos da tua boca,
Num olhar de lábios
Mágicos de doçura louca.
Dunas, guarda-sóis e nos,
Um coro meio rouco
Numa consoante voz.
Luzes do chalé
Envoltos em lençóis
Oceanos adormecendo em cafunés
Ondas sensíveis de mulher.
Tem vezes que encaixamos acomodações onde nem cabem,
Para determos soluços doloridos apertados no peito.
Miramos lados inúteis onde sombras descem
E ao incolor damos na metáfora enormes coloridos.
Nesses momentos em que nada distrai as lembranças
E que até o pisar suave faz barulho na saudade
É imprescindível e salutar toda coerência
Disfarçada no sorriso que estampa falsa felicidade.
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