Lista de Poemas

Jurava

Narcisismo marcante,

Fotos e mais fotos com

roupas curtas

pouco elegantes.

Viajava nas noites,

tinha um amargo regresso,

ela jurava que era amor

ele sabia que era sexo.

259

Onde

Por onde entram os sonhos depois que fechamos a porta?

Eles são vivos? As intempéries não os atacam?

Onde vai parar o sereno quando não encontra as pétalas?

Os pensamentos esquecidos onde encontram abrigo?

Onde é o deserto dos amores perdidos?

E de nós mesmos, onde ficamos escondidos?

309

Trevo

Nem me (a)trevo,

Neste entrevero

De trevo a trevo,

Decisões,

Esquinas

Descidas

Atrevidas

E ao fim

Há (a) vida.

369

Remo

Se o poema fosse barco
A caneta seria o remo
A folha seria o mar
E a poesia...
Seria com é
Pois o poeta
Cria o cenário
Metafórico,
Imaginário
Como quiser.
474

Falta-me a loucura

Não forço a fechadura

Tenho medo...

Falta-me a loucura

Falta-me o hábito.

Gosto da última olhada,

Do barulho da chuva

Na pré-partida.

Continuo pregado

Movimentos não me motivam.

Prevejo uma lagunaenferrujando...

Sem merecer,

Sem glórias pra viver.

Nem um passo

Nem covardia.

Insano...

Medito já sem voz,

Onde encontrarei,

Neste mundo algoz,

Um poema pra morar?

268

Madrugada

Passou pela meia noite,

duas meias noites

que semeias,

meias luas

luas e meias.

Pensamentos

fazem zunir as orelhas em

noites de contar ovelhas.

Enquanto o sereno

repousa sua leveza nas telhas.

285

Vento escuro

Se saíres de mim ondepassarás a noite?

Não se dorme em águasestranhas.

Mantenha a mala cheia depoeira

Deixe os perfumes napenteadeira

Desfrute a espuma densa nabanheira,

Coloque o pé na aguamorninha.

Acomode-se ao meu lado,

Lá fora só o vento escuro

Zunindo nas costas do muro.

Ao fundo o mar e suaselvagem maresia

Ouça a canção escolhida,

Sirva o champanhe danostalgia

Alegre-se até clarear o dia.

303

Largue

E salvando a poesia o mundo estará salvo. Largue as pedras,troque seu alvo por um poema de amor.

287

Túnel

O dia tinha olhos de nunca mais

e nuances de caminhos escuros.

Ângulos desconhecidos

de um túnel sem fim.

contudo não dá pra fraquejar

nem fechar as portas do entendimento,

muito menos correr angustiado e vazio,

pois não se pode represar, na vida

o próprio rio.

287

Romãzeiras

Entre o céu e o coração

Há pedaços aindadesconhecidos.

Romãzeiras espalhadas

Frutos nunca comidos.

Entre o céu e o coração

Há milongas não dançadas

Sombras virgens inexploradas

Velas esquecidas e apagadas.

Entre o céu e o coração

Há crianças injustiçadas

Armas empunhadas a revelia

E almas silenciadas.

Entre o céu e o coração

Há um antro de arrogância,

Mas verte no ponto alto

Uma mina de esperanças.

332

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)