Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Nem me (a)trevo,
Neste entrevero
De trevo a trevo,
Decisões,
Esquinas
Descidas
Atrevidas
E ao fim
Há (a) vida.
Entre o céu e o coração
Há pedaços aindadesconhecidos.
Romãzeiras espalhadas
Frutos nunca comidos.
Entre o céu e o coração
Há milongas não dançadas
Sombras virgens inexploradas
Velas esquecidas e apagadas.
Entre o céu e o coração
Há crianças injustiçadas
Armas empunhadas a revelia
E almas silenciadas.
Entre o céu e o coração
Há um antro de arrogância,
Mas verte no ponto alto
Uma mina de esperanças.
O dia foi-se em chamas
Gordurosas...
Extintas a gás carbônico.
Entre sem relutar ó noite branca
Embalada pelos ponteiros lacônicos...
Implacáveis...
Devastadores.
A espuma no copo e nos lábios é
Mar recomeçando em mim.
A deriva...
Não valho nada.
Sou pobre,
Descrente, imperfeito, imundo.
Não vivo... Vago...
Vagabundo.
E tenho o agravante oceânico,
Incorrigível...
De crer em versos
Dominando o mundo.
E salvando a poesia o mundo estará salvo. Largue as pedras,troque seu alvo por um poema de amor.
A janelamostrava-me o mar.
E eu sentia amaresia,
Voar eu queria
Só arrisca quemsabe nadar.
Não nado,
Não tudo.
Neste meuminúsculo mundo,
A grandeza dooceano
É onde mergulho algunsplanos,
Pra nada, nem pranadar me serve o mar.
Aindacarregas sonhos não vividos,
Já sem graçadepois de tanto passado.
Profeciastão sérias que acreditavas
Agoradesconsidera para não se ferir.
A rua davida se tornou larga,
Lembrandodos sinais que passou no vermelho.
Uma fotoirreconhecível,
Com pose dequem jurava que tornaria o mundo livre.
Quantas condenaçõesque aos outros queria impor
Hojesilencia para se proteger.
Quantaspalavras que pronunciavas
Entusiasmadojá nem quer ouvir.
Quantasafirmações de eternidade
Que precocese foram.
Quanta vidadita infinita
já findou.
Quantos rostosdesejou beijar,
Tão poucos beijou.
Sorvetes e sorrisosno parque,
Só eramdeliciosos por ter
uma mãosegurando na sua.
Hoje os poemasde amor sem nenhuma arte
Estão emalgum caderno esquecido no mundo.
Ninguém maiste reconhece.
Ficou nocaminho a beleza que tinhas.
Pessoas queamavas desapareceram.
Divagaspensando e nem lembra mais,
Que valeu apena,
Mesmo tendoficado pra trás.
Sem verdades todo poema é triste,
O passar dos dias condena,
Nenhum poeta consciente resiste
Não é ator pra representar na cena.
Por isso a verdade foi decretada
Ninguém pode ficar indiferente,
Um só bloco de pessoas animadas
Contagiando toda a gente.
Pipocas, sorvetes, chocolates,
Pincéis na tinta formando aquarelas,
Poemas coloridos em verdadeiras artes
Belezas reais em todas as janelas.
Crianças transbordando pureza
Um só sorriso, uma só cidade,
Cenários humanos de profunda beleza
Verdadeiros poemas de solidariedade.
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