Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
A arte poética é sempre um desejo, um sonho, uma busca.
Quando vira fato já deixou de ser poesia.
Com o passar do tempo
acabamos nos afastando de váriosamigos.
Saem suave como a leveza do vento
e alguns nunca mais voltam.
Com eles vai o futebol dosfins de semana,
histórias de amoresfantasiosos,
na mesa de muitas falas ebebedeiras.
Mais tarde as lembranças
Provocam saudades enormes.
Alguns nunca mais veremos;
Outros, um alô e nada mais.
Também há os que ficam porperto
Fieis e leais, outros quemesmo longe estão pertos
destes, permita Deus,
não quero me afastar... Jamais.
A preciosidade é sempre interna
Não depende de externos fatores
Não é pela cor da pele que se
definem-se os louvores.
Na sombra dos escurecidos cílios
pálpebras se abrem reticentes,
o mundo se deslumbra em brilhos
iluminando os olhares carentes.
Na sombra das folhas verdes
formigas marcham exuberantes
despontam raízes na profundeza do mundo
buscando a água da vida,
que corre nas folhas divididas
da vida que alimenta outra vida.
Na sombra dos versos iludidos
repousa o poeta que sonhou
sente seu tempo perdido
marcado pela vida que murchou.
Menino de pés descalços,
Que sua voz empresta ao ronco
de seus tratores e caminhões.
De estilingue inseparável,
e arapucas traiçoeiras.
Imitações selvagens quase perfeitas
desagradando pássaros
nos esconderijos nas capoeiras.
Menino de anzóis e rios,
de solidão memoriadas em imagens
em noites tremidas de frio.
A geada da madrugada
em partes que congelava
a vida se enroscava
no clarear de um novo dia.
Pra ser feliz na existência
bastava sol e comida
escola e carinhos só da vida.
Quando pra cidade veio
com a pele quase nua
renda só de latinhas
sentiu que o bicho era mais feio,
cama de papelão na rua
acordava dolorido
inconformado roubou
uma bala o atingiu em cheio
coração partiu ao meio
indigente foi chamado
lá onde esta sepultado.
Hoje Deus tá orgulhoso
por tê-lo em seu reino.
Agora bem protegido,
sem os perigos por perto,
sente que só depois de ter morrido
é que foi acolhido
agora sim se sente amado.
Minha poesia é nada do que sou,
é noite desgostosa de bebedeiras
é escrita em lugares que não vou
é delírio inocente antes da saideira.
Minha poesia mergulha no seco
ardente como pés no chão quente
sombreada com a ausência sentida
é vazio que ainda assim me dá vida.
Minha poesia intimista é chata,
penso que poucos a admiram,
minha inspiração pode ser ingrata,
mas ainda assim é por ela que respiro.
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