Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Se não vejo
Não aprecio, não tornoreal.
Se não vejo,
Fujo do verso,
Escondo-me.
Assim não vou serlembrado,
Nem vou lembrar.
Se na vi, nãovivi.
Portanto nãoexistiu.
Só há vida no quese vê
Ainda que não se enxergue.
O dia tinha olhos de nunca mais
e nuances de caminhos escuros.
Ângulos desconhecidos
de um túnel sem fim.
contudo não dá pra fraquejar
nem fechar as portas do entendimento,
muito menos correr angustiado e vazio,
pois não se pode represar, na vida
o próprio rio.
Não sabe de amor, exceto sevocê já...
Ficou acordado a noite todaesperando um filho voltar da festa...
Adiou ou desistiu de umprojeto pessoal para dar atenção aos seus pais, tios ou irmãos...
Sentiu a angústia intrínsecaao ouvir as histórias de um idoso, e ainda assim aprendeu com elas...
Chorou com o abandono e atristeza de uma criança que nem conhecia e deixou de almoçar para alimentá-la...
Convenceu a família a deixarum cão de rua na sua casa por uns tempos... Tempo infinito.
Foi a um show sem a menorvontade apenas para ser parceiro...
Admitiu meio encabulado quese emocionou com o carinho de um amigo num dia em que estava de mal com omundo...
Duvidou de Deus, mas nuncadeixou de acreditar Nele e temê-lo...
Apanhou uma rosa de e acabounão entregando a quem pretendia...
Escreveu e reescreveu mais dedez vezes um poema que nunca mostrou...
Ouviu músicas românticas paraprovar e provocar lembranças...
Sentiu saudade...
Sentiu saudades...
E sentiu mais saudades aindade tudo o que viveu, pois viver é construir a própria história, orgulhar-sedela e relembrar sorrindo quando as recordações povoam a mente.
Não sabe de amor...
Exceto se destinou algumtempo para vivê-lo.
Não vou arrancar minha roupa para ser devorado pela ganânciamercantilista e cinzenta da cidade.
Nem tão pouco adormecerei bêbado em algum viaduto abandonado.
Também não vestirei peças novas engomadas e com etiquetasconsagradas.
Assumo meu “look” de camisetas detonadas.
Espero à porta do banheiro.
Não tenho pressa.
Entro só com o creme dental.
Não vou fazer a barba.
Não me importo em ser deselegante.
Se na fila tiver idosos saio dela para ser gentil, nãoprecisam saber o motivo.
É nisso que está Deus, não nas ostentações das imponentes Catedraise nos vestidos de alto padrão que ali entram.
'Bem-aventurados os humildes de coração, pois delesserá o Reino dos Céus'.
A gratidão não se veste de vaidades.
Alimento-me da mais pura simplicidade, não me ajusto comtantos talheres.
Um sanduíche...
Por favor!
A arte poética é sempre um desejo, um sonho, uma busca.
Quando vira fato já deixou de ser poesia.
- Olá doutor. Como vai?
- E aí grande Zé das Moças?
- Onde tens andado Doutor?
- Estou na capital.
- É mesmo? Fazendo o quê?
- Sou lobista.
- Bah Doutor. Eu nem sabia deste teu lado destemido.
- Imagina. Nada disso Zé.
- Mas só tem bicho grande nisso aí doutor.
- Isso é mesmo. Só tem feras.
- E como faz para alimentar todos? Custa caro não é doutor?
- Ah sim, não é barato. Mas sempre se dá um jeitinho. Temmuitas obras e outras oportunidades nestes pais.
- Isso é mesmo...
- Até mais Zé.
- Uma boa tarde Doutor.
Enquanto o finório se afasta Zé pensa: pelo jeito estenegócio de lobos dá bem mesmo. Tá por cima da carne seca o doutor.
Carrão importado.
Beca impecável... Bela loba.
- Bem cuidado aí doutor!
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