Moacir Luís Araldi

Moacir Luís Araldi

n. 1963 -- --

Me encontre também em: www.recantodasletras.com.br/autor/ moacir luís araldi www.pensador.com.br www.kdfrases.com

n. 1963-09-18, Carazinho RS

Perfil
194 029 Visualizações

Sereno

E para formar o rio
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.

E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Ler poema completo
Biografia
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)

Poemas

692

Inseguranças e medos

Se eu tivesse tido tempo de saber qual o seu prato preferido
Hoje eu faria pra você.
Se eu tivesse tido tempo de saber qual a sua sobremesa preferida
Hoje ela estaria á mesa.

Se eu tivesse como,
Hoje iria com você na sorveteria.
Qual seria teu sabor predileto?
Poderíamos pedir dois de framboesa?

Hoje traria pra você o mais lindo buquê de rosas.
Da tua cor preferida. Qual seria?

Se fosse possível,
Estaria na tua página na rede social
Parabenizando-te.
Que tipo de postagens eu viria por lá?

Como estaria teu rosto hoje?
De qualquer forma eu te encheria de beijos.

Que roupas você estaria usando?

Que caminhos meus te fariam feliz?

Que músicas te colocariam com olhar contemplativo?

Que tom de voz usarias ao falar comigo?

Nunca tive e nem terei estas respostas.
Contudo sei que mãe quando parte muito cedo,
Deixa com os filhos seu amor para que suportem e superem
Certas inseguranças e medos.
345

Silente

Faça silêncio no teu olhar,
Teus olhos gritados já me disseram tanto...
Emudeça o eficiente penetrar
Teu olhar falante me leva ao desencanto.

Olhar fixo e destemido
De cumplicidade assumida
Finalmente num visual resumido
Brilhou um olhar para a vida.

Meus olhos mergulham na verdade
Que pode não ser a mesma tua.
Ardem de cegueira e saudade
Em cada passo que dou nesta rua.
389

Versos tortos

Meus versos já não mais vejo.
Mal e baixinho apenas os escuto.
Não instigam meus desejos
No meu poema vesti luto.

Fiz silêncio por um tempo
Até mais do que um minuto,
Na saudade que hoje sento,
Até as lembranças eu insulto.

Não vou vesti-los de preto
A cor pra mim não importa,
Depois de mata-los não tem jeito,
Não é a perda, é a tristeza que me entorta.

343

Pressuposto

O reflexo formava um rosto,

era o teu, por pressuposto,

e a chuva gota a gota

clamava tua voz.

No soprar do vento amargo

a nuvem foi afastada

e a luz se apagou.

Sem reflexo e sem voz

Pensei o que será de nós

se a presença não existe

sem a ilusão é ainda mais triste

não há no mundo quem resiste

se o sonho não dá palpite

a vida é só um despiste.

388

É você?

Ao longe já ouvi gritos.
Em meio à vegetação avistei a junta de bois puxando o arado que ele, como num desafio razoavelmente radical, tentava segurar sem ser atingido pelas pedras e tocos do caminho.
Olhei firme em sua direção. Tinha a pele dourada pelo sol mesmo estando protegido por um enorme chapéu de palha. Um homem bonito. Demonstrava alguma tristeza, mas ainda assim, lindo.
A calça remendada além de ser um indicativo de dificuldades financeiras era, acima de tudo, a informação que eu estava diante de uma pessoa simples e humilde.
Uma enorme sensação de ternura percorreu meu peito. Senti vontade de abraça-lo fortemente. Contive-me. Apenas o cumprimentei a distância.
Antes ouvi um ôôô. E os animais pararam. Secou o suor da face, ergueu a cabeça, meio desconfiado retribuiu com um baixíssimo “opa”.
Na fração de segundo em que esperei para me apresentar, ouvi o barulho de águas. Depois soube que logo abaixo em meio a mata corria um límpido riacho.
No final do dia mergulhei em suas águas cristalinas e meio frias. De dentro dele se tinha o privilégio de contemplar enormes árvores que avançavam seus galhos sobre o rio.
Onde tinha árvores frutíferas percebi que se formavam cardumes de peixes para esperar as frutas que caia e serviam de alimento.
Ali, o ar era muito puro, leve e agradável.
Percebi, nas margens, vestígios da presença humana, mas ainda assim tudo muito preservado. Moradores da região vinham a noite tentar pescar alguns distraídos jundias. Pelos pequenos detalhes percebe-se que havia sim a preocupação com a preservação ambiental.
Desculpem por fugir do assunto. Eu precisava distrair minha emoção. Só por isso antecipei estes detalhes lindos do rio Jacuí.
Diante daquele homem de traços de lutas e trabalhos estampados no rosto eu me senti um privilegiado por viver na cidade com outra família. Deveria ser muito penoso enfrentar o dia a dia desta forma.
Mas não vim até ele para voltar sem o objetivo estabelecido amplamente superado. Era preciso falar.
Olhei nos seus olhos claros cobertos por sobrancelhas enormes. Busquei em mim uma injeção de adrenalina e coragem. Olhei meus pés já marcados pela terra, respirei fundo e deixei o cheiro mágico da terra lavrada adentrar a alma.
Que esquina a vida me coloca... Pensei.
Senti que não conseguiria me pronunciar, meus olhos me denunciaram. Minha fragilidade inundou a lavoura. Ceguei por um momento.
Por sorte nada precisei dizer, Deus me poupou. Senti um abraço carinhoso enquanto escutava a frase que eu mais esperei até então:
- É você meu filho?
403

Noite

No meio da noite a vida se ativa.

Nos dedos perfume de rosas.

Agora repousam no vaso cristalino.

Ao menos assim imagino.

Aproxima-se delas para cheirá-las,

odor nostálgico dali exala

eu sinto, eu toco, inspiro,

invisível como o ar que respiro.

334

Vivi

Vivi um tempo em que as pontes eram feitas de tábuas eenergia elétrica era luxo no distante distrito de Pinheiro Marcado. Infânciaque no pinheiro da vida deixou marcas eternas.

418

Arranjos de algodão

Hoje quero um buquê de estrelas,
Com arranjos de algodão,
Com duas luas gigantes
E fiapos de vida em cordão.

Quero meu sonho entregar.
Falar apenas palavras breves,
Acordando sonolento escutar
A voz do amor meiga suave e leve.

Quero a luz penumbra da lua.
A brisa noturna motivadora.
Refletir a linda imagem tua,
Linda, leve e sedutora.

Minha alma na tua se espelha
Sempre meiga e formosa.
Mesmo que sejam vermelhas
Pétalas sempre serão de rosas.
352

Um dia II

Um dia tive que entender que sou finito.
Que ninguém ficará pra semente.
Que existem os feios e os bonitos.
Que sendo como for, somos apenas gente.

Um dia me propuseram eliminar as aventuras,
Apenas cuidar da saúde do corpo.
Tocar a vida sem fazer loucuras
Viver na base e esquecer o topo.

Um dia me pediram pra repousar,
A entender que o sonho acabou.
Todos os projetos de vida abandonar.
Só entende, quem por isso já passou.

Impossível. Não nasci pra me acomodar.
Não vou reclamar da sorte.
Lutarei enquanto respirar,
Cessarei sim. Perante a morte.
431

Fosco

O dia chega fosco
Sem nenhum brilho.
Sinto-me meio torto
Caminhando sem trilho.

O sol sem seu dourado.
Está tudo muito triste.
Em vão procuro ancoradouro.
Doideira procurar se não existe.

Dou passos sem movimentos.
O nada é meu alimento.
Lembranças na mente revividas.

Cadê minha rua preferida?
Por que não vejo a linda avenida?
Onde estará agora o amor da minha vida?
371

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.