Lista de Poemas

Fosco

O dia chega fosco
Sem nenhum brilho.
Sinto-me meio torto
Caminhando sem trilho.

O sol sem seu dourado.
Está tudo muito triste.
Em vão procuro ancoradouro.
Doideira procurar se não existe.

Dou passos sem movimentos.
O nada é meu alimento.
Lembranças na mente revividas.

Cadê minha rua preferida?
Por que não vejo a linda avenida?
Onde estará agora o amor da minha vida?
361

Simbologia

A tinta no papel faz a simbologia.
Redijo nele sentimentos selecionados e profundos.
Uma lágrima inevitavelmente cai.
Até sem dor,
Talvez solitária.
Talvez carregada de amor.
Este papel que tudo aceita,
Não traz da felicidade a receita.
Nem tem a perfeição do amor infinito.
Ainda assim o amor sempre ama alguém.
Ele é bom. Ele vale sim, a pena.
Nas esquinas do coração tem marcas,
Que o tempo ali fez.
Tem incertezas, tem dúvidas e um mínimo de lucidez.
Por vezes corroído de saudades.
Por outros de desejos e vontades.
Se paga o preço,
Quando o amor não se sente amado.
Que a ternura, ainda assim, nunca saia de você.
Nunca perca este teu jeito carinhoso de ser.
Mantenha sempre mole o coração
Para o amor se instalar.
Crescer e se consolidar.
E se não puder ser pra sempre,
Que seja só e tão somente eterno.

379

Desejos

Que o peso nas asas não aborte o voo.
Que o medo não chamusque o amor.
Que o calor dos corpos aqueça o sentir.
Que os lábios se toquem mesmo sem partir.
Que meu amor te abrace na noite calada.
Que te sintas envolvida por inteira.
Que ao meu lado perceba-se plenamente amada.
Que o tédio da vida não nos leve á morte.
Que o desgaste do rosto não nos torne estranhos.
Que o erro amoroso não criminalize.
Que a chegada desejada não se transforme em partida.
Que os desejos sejam intensos na madrugada.
Que não se condene o amor mesmo quando não se está amando.
Que se durma feliz e,
Que se acorde sonhando.
396

Sonhos

Que a certeza da morte
Não sirva de pretexto.
Que se morra pelos sonhos
E não com eles.

Ainda que ao acordar
Finde o devaneio num segundo.
Que não se deixe de ancorar,
A utopia de um justo mundo.

Fantasias e vida se misturam.
Feito pedras e concreto.
A vida tem anseios que não duram.
Mesmo efêmeros, sonhar é sempre correto.
393

Flambar

O vento embala e a hora se aproxima.
Cresce na fronte a pulsação.
Minha emoção entra no clima
O ponteiro do sim sufoca o não.

Ainda busco o verso perfeito.
Que expresse, no momento o que sinto.
Que tire a angustia do peito
E desvende da alma o labirinto.

Flambe teu beijo apaixonado
Deixa a chama de amor aquecer.
Quero gosto etílico na boca entranhado,
Dos lábios bons não dá pra se esquecer.

Entre, como sempre, sorridente.
Esbanje a sensualidade só tua.
Meus braços são como rosas ascendentes
Cipós que te entrelaçam e te deixam nua.
394

A noite

A noite tem seus encantos,
Suas magias.
Seus romances.
Suas poesias.

A noite tem prantos,
Bijuterias.
Tem desencantos.
Tem agonias.

A noite é sedutora.
Acolhedora.
Reveladora.
À noite...
É sonhadora.
398

Voz

Voz que conquista em orações.
Que faz a pele arrepiar.
Que mobiliza multidões.
Que inflama na hora de protestar.

Voz que enaltece e condena
Que também fala o que não quer.
Que identifica em cena
O homem e a mulher

Voz que aproxima pessoas,
Que de amor faz declarações.
Que canta melodias boas,
Pra espantar solidões.

Voz que unifica o mundo
Na ternura da canção.
Que toca a alma bem no fundo.
Que provoca uma lágrima de gratidão.

Voz que ovaciona o ídolo.
Que agradece os favores.
Que diz coisas sem sentidos.
Que reconquista os amores.

Voz que faz o rádio viver
Que enaltece a fé,
Voz que saúda ao receber,
Que ao partir dá um breve até.

Voz silente na tristeza,
Que na rua se pode ouvir,
Que quer um pão para a mesa.
De quem se humilha pra pedir.

Voz que fertiliza pensamentos.
Meiga, doce ou agressiva,
Que expressa desenhada nos ventos
Ideias diretas ou subjetivas.

Voz baixa e romântica,
Aveluda ou sensual.
Voz que na intimidade encanta
Voz única tocante sem igual.

Voz humana que imita
Voz rouca ou disfônica
Insana que chama e que grita.
Na rotina narrada em crônicas.

Voz grave ou aguda,
Voz gritada ou sutil
Voz que na memória gruda,
Amadas vozes do nosso Brasil.
349

Pinguela de madeira

Entre as planchas da pinguela,
A água me vê pelas frestas.
Mães d’água dançam,
Em clima pleno de festa.

Do poente o sol se lasca em sombras,
Meus pés barulham na madeira.
Cresce a vontade voar,
Cair na corredeira.

O que há jundiá?
Não venho te pescar.
Relaxa.
Vamos nadar.
597

Nuvem nua

Não serei o mar.
Apenas a imagem solitária,
Do romântico triste a olhar.
Contudo adeus amada,
Estarei por perto
Vagando pelas madrugadas.

Não serei a lua
Apenas a imagem da saída.
Coberta pela nuvem nua.
Contudo, adeus meu amor.

Não serei o vento.
Apenas a música de despedida.
Assobiada na partida.

Não serei o sol,
Apenas a sombra que parte agora.
Não chore. A história acaba aqui.
Deixo-te e vou-me embora.
Vês. Também choro.

Não serei o caminho.
Apenas uma estrada de chão.
Que balança, machuca
E quebra o coração.

Estarei sempre por perto.
Mantenha teu sonho,
A areia continua no deserto.

Do trem partindo verei uma vez mais o jardim.
Ele continuará jardim
Será só teu. Nada mais terá de mim.

À noite te verei em cada estrela.
Rezarei no quarto solitário e triste.
Distante só estará,
O amor que não mais existe.


440

Genial

Genialidade nas linhas que escrevias,
Que se perpetuam por gerações.
Genialidade nos versos que compunha,
Para entalhar nos corações.

Genial para exaltar um povo,
Uma nação, um país.
Genial para buscar o novo,
E uma forma de ser feliz.

Gênio triste... Talvez!
Que também viveu alegrias,
Poeta de enorme altivez.
Genial GONÇALVES DIAS.
349

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)