E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Manuseio com o cuidado de quem ama. Folha por folha. Uma por vez. A formiguinha do Quintana. Encontrarei logo ali, talvez.
A próxima página tem um grito. Um risco. Um rabisco. Gerúndios. Olhos espiando, café esfriando. Um poeta aflito gestando.
Tem a ilha querendo sair. O rio que entra no mar. A lua começando a surgir. E um beija-flor no pomar.
Vinícius compondo sonetos. Olavo ouvindo uma estrela. Carlos e seus anjos tortos. Em Pasárgada, amando, Bandeira.
Dias escutando o sabiá. Drummond consolando José, Nos versos íntimos Augusto. Na bola! Adivinha que é?
Romeu acariciando Julieta, Titanic começando a afundar. A baderna do boi da cara preta. E um sofá pra Beethoven sentar.
Mona Lisa sempre sorridente. Letras de poetas expoentes. Comédia divina de Dante. O Quixote Miguel de Cervantes.
Não sei o lado certo onde esta. Com a mania que até hoje tenho, De traz pra frente venho Folhando de lá pra cá.
415
Beija-me
'Da vez primeira em que me assassinaram perdi um jeito de sorrir que eu tinha...' Mario Quintana
Debruço nos joelhos a dor da perda. Na pedra fria faço orações. Beijei-te no último adeus. Chorei a perda Do colo amigo, do meu abrigo. Da proteção. Mãe, Deus te levou. Fiquei aqui Pensando em ti, Reunindo forças para seguir. O segundo domingo de maio, É o mais triste do calendário. À noite, Vou adormecer pra Sonhar com você. Quem sabe assim, Encontrarei de novo, O sentido de viver. Talvez eu ganhe teu beijo Como na vida, Que era inteira De qualquer maneira, EU AMO VOCÊ.
352
Falar de você
Falar de você Gonçalves, Faz pensar no canto do sabiá. Em estrelas, palmeiras e flores. Da frustração nos amores. Do viver lá como cá.
Homenagear você Gonçalves, Faz pensar no amor que não viveu. Em todos teus sonhos iludidos E no crime que não cometeu, Mesmo quando a amada perdeu.
Saudar você Gonçalves, Faz lembrar oceano. Um romântico leito de morte. Mesmo com seus poucos anos Selou a tua sorte.
Na presença da morte foste forte, Um guerreiro lutador Nacionalista e sonhador Enalteço com alegria Magnânimo... GONÇALVES DIAS
380
Pandorgas de Deus
Furou-se a bola do destino. Calaram-se Luigi e Mário. Aterrissou-se a pandorga em desatino. Ficaram no quarto os monstros temerários.
O vidro ficou inteiro, A porta não mais se abriu, Dias tristes e sem travessuras Depois que o menino partiu.
A grama dominou os caminhos. Enferrujou a gaiola, O vento soprou sozinho, Sobrou uma mesa na escola.
O sabão não fez mais bolhas, A tristeza fez a vida em pedaços. Do coração caíram todas as folhas. Faltam na alma os infantis beijos e abraços.
288
Pinguela de madeira
Entre as planchas da pinguela, A água me vê pelas frestas. Mães d’água dançam, Em clima pleno de festa.
Do poente o sol se lasca em sombras, Meus pés barulham na madeira. Cresce a vontade voar, Cair na corredeira.
O que há jundiá? Não venho te pescar. Relaxa. Vamos nadar.
606
Sorri
Sorri à noite, Mirando o céu E uma estrela Piscou-me.
Será você anjo? Parece que te vi. Quando Deus, Você vai deixar de sumir?
419
Braços da noite
Lindos braços me acolhem ao entardecer. Elegante desejo de ali pernoitar. Inimaginável véu noturno me faz viver. Se for sonho eu não quero acordar.
Despertamos num mundo em que a alegria aflora. Infantilizo-te em ternuras e carinhos. A felicidade que vemos do lado de fora Vem da certeza de não estarmos sozinhos.
Se necessário, mata-se a poesia Para o amor alegre e livre viver. Louvável poema em sinergia Versos perpétuos pra gente escrever.
Fica um pouco de vida eternizada. Gigantes na mente mapeados. Promessas para a retomada. Sons românticos nos microfones soprados.
Certezas nem sempre a vida nega. Posso ser “poetal” sabendo que não existe. Serei apaixonadamente romântico e brega. Prefiro ser ridículo a ser triste.
350
Fosco
O dia chega fosco Sem nenhum brilho. Sinto-me meio torto Caminhando sem trilho.
O sol sem seu dourado. Está tudo muito triste. Em vão procuro ancoradouro. Doideira procurar se não existe.
Dou passos sem movimentos. O nada é meu alimento. Lembranças na mente revividas.
Cadê minha rua preferida? Por que não vejo a linda avenida? Onde estará agora o amor da minha vida?
368
Sem legados
Quando eu partir, Serei pouco lembrado. Se alguém perceber minha ida Lembrará já conformado.
Não deixo nenhum legado, Nem saudades arquivadas. Deixo apenas um poema inacabado E lembranças do passado.
Depois que a dor ao passar entrou, Nunca. Nunca mais me alegrei. Se a vela Deus assoprou. É que ausente eternamente estarei.
333
Genial
Genialidade nas linhas que escrevias, Que se perpetuam por gerações. Genialidade nos versos que compunha, Para entalhar nos corações.
Genial para exaltar um povo, Uma nação, um país. Genial para buscar o novo, E uma forma de ser feliz.
Gênio triste... Talvez! Que também viveu alegrias, Poeta de enorme altivez. Genial GONÇALVES DIAS.