Amor e só
Simplesmente ame.
Sem justificar.
Amar é que vai te iluminar.
Que sentir pode ir além?
Amar faz luz brilhar,
E sino badalar.
Traz graça no que se faz,
E a certeza de alegrar mais.
Faz musicar os ruídos,
Revelar desejos escondidos.
Faz do quietinho cantor,
E do analfabeto escritor.
Faz sensível o durão,
E dá um basta pra solidão.
Faz rosas mais coloridas,
E dá outro sabor pra vida.
Ame sem saber por que.
Um amor sem entender
Nunca vai desaparecer.
BEM-TE-VI
Quanto canta,
Bem-te-vi.
Se me viu
Também te vi.
Bem-te-vi
Bateu asas.
Sem elas
Fiquei aqui.
Inquietações
Das minhas inquietações
Tem umas que nunca entendi,
Haverá mesmo um amor
Impossível de substituir?
Que dizer destes encontros,
Ainda que acabe sem prantos
Amantes de amor doridos,
Saiam saciados sem ter fingido?
É possível deliciar-se uma só vez
Com alguém, quando convém,
Se amanhã nem mais palavras
Cada qual um amor tem?
ÉBRIO
Um uísque.
Duplo, por favor.
Preciso desentalar da garganta,
Este nó, esta dor.
Só não me sirva com desdém,
Sou humano como você, meu bem.
Não faço isso todos os dias,
Só bebo quando me convém.
Anos de vida me fizeram mole,
Saudade é o que sinto agora,
Por mais que eu me enrole
Talvez eu fique ou vá embora.
Este copo aqui, ó, vazio.
Avermelhou-me o rosto,
Desequilibrou-me o corpo.
Atingiu-me a voz.
Horas paradas
Não é falta de vontade
Se as horas estão paradas.
Isso se chama saudade
De cenas na mente conservadas.
Esta música que te põe em agonia,
Não foi feita pra te fazer sofrer.
É pra trazer alegria
E irrigar um bem querer.
Vista de vez a vontade de ficar,
Umedeça este jardim em flor.
Teu corpo pede pra deitar.
Permaneça morando neste amor.
Cardio
Pretensiosos estes cardiologistas. Pensam entender de coração.
Tenham a santa paciência! Por acaso são poetas?
Bem-vindo sexta feira
O cansaço começa a palpitar
Depois de uma semana corredeira.
Vejo as pessoas comemorar:
Bem vindo seja, sexta-feira.
Este dia é especial,
Aumenta a ansiedade
É sempre um dia magistral
Pra comemorar as amizades.
Tem encontros pra diversão,
Tem mesas lotadas no bar.
Tem balançar do coração
Tem histórias pra contar.
Uma vontade enorme de ficar
De não ver a festa findar.
De esquecer-se de lembrar
Que o dia já vai clarear.
Não pergunte
Não pergunte se estou feliz.
Faça-me.
Não pergunte se estou triste.
Alegre-me.
Não pergunte se esta doendo.
Cura-me.
Não pergunte se estou com saudade.
Mate-a.
Não pergunte se eu quero.
Beija-me.
Não pergunte se te amo.
Entregue-se.
Não pergunte se vou sofrer.
Fique.
Dores
Bom era quando as dores vinham das pancadas.
Das pisadas em pregos.
Do braço quebrado.
Dedo queimado.
Das enroscadas em unhas de gato.
Das caídas em barrancos.
Das picadas de insetos.
Era um tempo em que a cura não demorava.
As dores de hoje atingem a alma.
Degeneram o cérebro.
E não tem medicação.
Felicidade
Definir felicidade.
Só em doses individuais.
Não a deseje de forma permanente
Aí é querer demais.
Oscila em antagonismos inesperados.
Vidros abertos ou ar condicionado.
Grade ou liberdade.
Café ou suco gelado.
Cabelos longos ou raspados.
Faculdade ou não estudar.
Fidelidade ou aventura.
Humilhar ou afagar.
Bronzear-se ao sol ou refrescar-se na chuva.
Tênis novo ou amaciado.
Perder peso ou comer o que tem vontade.
Pintar os cabelos ou não esconder a idade.
Correr descalço ou uniformizado.
Ser discreto ou se fazer notado.
Cartão sem limites ou
Dinheiro contado.
Bem vindo ou
Boa viagem.
Dê o fora ou
Entre e fique a vontade.
Amar de verdade ou
A imensa saudade.