Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Insisto na tecla desbotada,
Deslizo a deriva - Nem perdido nemdestinado.
Não importa onde estão as divisas
O que ficou pra trás já percorri,
Nem a luz da ilusão permitirá repetir.
Ao meu grito segue-se o insano silêncio,
Saliento, me sento, me ausento.
Mesmo de alma limpa falta a paz,
Enterro-me já em ossos e pelos.
Minha carne não é pra vermes
Se não tenho nobreza, tenho orgulho,
Sou superficial, mas também mergulho.
A eles ofereço minha indiferença
Que degustem - fartem-se iludidos –
De vocês eu ganharei - nada mais sei –
Cutucam-me as folhas secas
Envoltas à raiz que tropecei.
Estrela sem constelação Brilho dando norte Luz marcante de neon Pendurada sem suporte. Muito além do humano alcance Mitológica inspiração divina Feito páginas de romance Ou frescor jovial de menina. Luz que não é lua Com nada se parece No céu da alma flutua Com a força de uma prece. Destemida enfrenta tudo Deixa rastros de decorações Trás gritos de voz dos mudos
O dia foi-se em chamas
Gordurosas...
Extintas a gás carbônico.
Entre sem relutar ó noite branca
Embalada pelos ponteiros lacônicos...
Implacáveis...
Devastadores.
A espuma no copo e nos lábios é
Mar recomeçando em mim.
A deriva...
Não valho nada.
Sou pobre,
Descrente, imperfeito, imundo.
Não vivo... Vago...
Vagabundo.
E tenho o agravante oceânico,
Incorrigível...
De crer em versos
Dominando o mundo.
Eles são vivos? As intempéries não os atacam?
Onde vai parar o sereno quando não encontra as pétalas?
Os pensamentos esquecidos onde encontram abrigo?
Onde é o deserto dos amores perdidos?
E de nós mesmos, onde ficamos escondidos?
A perfeição pode estar nosorriso,
na mudança que sofremos
na mesmice de não mudar.
Pode estar no risco vazio degiz na calçada,
no grito ecoando no nada,
no vazio da alma nãolavada.
levada pela estrada vazia,
da ânsia ou da agonia.
Talvez nunca seráencontrada
Pois é sinônimo de utopia.
Ainda farei um verso nobre,
Que seja leve como a folhaoutonal,
E saboroso como as frutas doquintal.
Que atropele do caminho a escuridão.
Que seja rápido como raio quese fez.
Que não tema a morte,
E que se acomode nos braçosda vida e da paz.
Que seja superlativo como sonhosinfantis,
E real como a geleia é.
Que seja a estrada da busca
E o melhor ancoradouro dedestinos.
Que não tenha serventia senão puder ter,
Que não seja jardim nem rosasse não der pra ser,
Mas que contemple em cada um
O fascínio encantado de umnovo amanhecer.
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