Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Tentar escapar da morte parece ser umaconstante normal em nós.
O problema é quando, inadvertidamente,escapamos da vida.
Eles são vivos? As intempéries não os atacam?
Onde vai parar o sereno quando não encontra as pétalas?
Os pensamentos esquecidos onde encontram abrigo?
Onde é o deserto dos amores perdidos?
E de nós mesmos, onde ficamos escondidos?
Não forço a fechadura
Tenho medo...
Falta-me a loucura
Falta-me o hábito.
Gosto da última olhada,
Do barulho da chuva
Na pré-partida.
Continuo pregado
Movimentos não me motivam.
Prevejo uma lagunaenferrujando...
Sem merecer,
Sem glórias pra viver.
Nem um passo
Nem covardia.
Insano...
Medito já sem voz,
Onde encontrarei,
Neste mundo algoz,
Um poema pra morar?
Ainda farei um verso nobre,
Que seja leve como a folhaoutonal,
E saboroso como as frutas doquintal.
Que atropele do caminho a escuridão.
Que seja rápido como raio quese fez.
Que não tema a morte,
E que se acomode nos braçosda vida e da paz.
Que seja superlativo como sonhosinfantis,
E real como a geleia é.
Que seja a estrada da busca
E o melhor ancoradouro dedestinos.
Que não tenha serventia senão puder ter,
Que não seja jardim nem rosasse não der pra ser,
Mas que contemple em cada um
O fascínio encantado de umnovo amanhecer.
Preciso ir. Já escureceu. Papai deve estar preocupado e Mamãe angustiada. Agora que tudo se inverteu Tem noites que acordado Sinto que a vida e danada Sem eles, quem não dorme soueu.
Estrela sem constelação Brilho dando norte Luz marcante de neon Pendurada sem suporte. Muito além do humano alcance Mitológica inspiração divina Feito páginas de romance Ou frescor jovial de menina. Luz que não é lua Com nada se parece No céu da alma flutua Com a força de uma prece. Destemida enfrenta tudo Deixa rastros de decorações Trás gritos de voz dos mudos
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