E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
O sol se pôs, neste dia interminável, de ruas infindáveis e pessoas apressadas...
Escureceu.
Estrelas, lua e a calmaria...
Me verei no sono cansado após mais um dia superado.
(Do livro Abstratos poéticos)
97
É assim
Pouco adianta a mim conhecer teus anseios.
Afinal, o mundo é cheio de perigos e ameaças.
Por isso, sonhe o possível.
Há presunção de culpa deliberada contra a liberdade. E somos só mais um, diante do fuzil municiado.
Basta um disparo, nem tão raro, nem tão caro. (Do livro Abstratos poéticos)
83
Às vezes
Às vezes, nada digo.
Aposso-me de alguma solidão para acompanhar a minha.
Perco-me em labirintos.
Sinto.
Gosto de absinto.
E espalho versos, pintados de ilusão.
(Do livro Abstratos poéticos)
107
Imagens fugazes
Primeiro, a boca, a fala, o encanto...
Depois, o beijo.
E depois, bem depois:
- Os olhos: espelhos frios, fixos e sombrios.
Imagens fugazes, detalhes sutis, um olhar... feliz.
Como réstia de sol e cheiro de flor.
Longe e visível, léguas de um girassol e o sol a acariciá-lo, - suavemente!
Na memória, voltam versos, que o vento levou.
Era intenso o brilho, mas a vida apagou.
Da boca do beijo veio o silêncio que...
Para sempre se calou. (Do livro Abstratos poéticos)
128
Notas
Canções intensas sem notas, versos sem métrica, amor sem medida.
Nem todas as belezas as mãos alcançam.
- Há flores mortas –
E há também obstáculos imperceptíveis.
Quando o amor toca a alma nem o silêncio (dos passarinhos) cessa o voo.
Ele é música, é poesia, desconhece fronteiras, alimenta o espírito e aniquila barreiras.
(Do livro Abstratos poéticos)
86
Fragrância
O poema fez brotar lindas flores, em essências especiais.
cada verso, uma fragrância. Cada estrofe, um acorde com notas olfativas e concentradas.
Um poema meigo e perfumado para ser sentido, para ser abrigado.
E, pela alma, acalentado.
(Do livro Abstratos poéticos)
87
Paraíso
Permita-me voltar ao lugar onde se escala pelo ar sem ruídos, sem plateia, sentindo o perfume das azaleias.
Sacadas enormes, suspensas, cheias de vazios brilhantes, onde o tempo corre diferente e as horas são meros instantes.
Ali se vive a felicidade. Tudo branco, tudo igual. Há troféus abundantes, que ninguém quer levantar.
Não, não é o céu que se desenha, nem o paraíso do desejo sonhado. É um lugar de fantasias naturais, hoje, atual - sem futuro, sem passado. (Do livro Abstratos poéticos)
86
Arco-íris
Preferi colorir meus olhos, deixando a natureza como estava.
Não pintei caminhos, não criei arco-íris, não desmatei sentimentos. O mundo ficou Multicor:
- Porque nos meus olhos nasceram lindas flores.
(Do livro Abstratos poéticos)
112
Química
A química é que faz o vaga-lume brilhar e a noite destaca a luz no horizonte de trevas.
Vaga o luzente inocente em seu voo, num lume poético, luzindo no infinito.
Iluminado, o mundo é bem mais bonito.
Luz é poesia.
(Do livro Abstratos poéticos)
115
Paz e poesia
Não dá para ver a poesia como estática, pacífica e calada. Ela tem que derramar, tem que escorrer, tem que ter versos que se entortem para passar entre pedras, em fendas minúsculas.
Tem que ter a rebeldia objetiva de quem luta, de quem protesta e sai à rua.
Poesia tem que ser expelida pela pele, em gotas suadas de inspiração, tem que causar reações calorosas na mente.
Tem que limpar o corpo e a alma e ,ainda assim, ser combativa. Tem que nascer tomada de insatisfação.