Moacir Luís Araldi

Moacir Luís Araldi

n. 1963 -- --

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n. 1963-09-18, Carazinho RS

Perfil
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Sereno

E para formar o rio
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.

E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Ler poema completo
Biografia
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)

Poemas

692

Liberdade

Só sonha liberdade
quem preso está
e brada por socorro
na incerteza das caminhadas.

Os versos pulsam,
sacodem, dançam
e explodem de alegria.

Comemoram, aplaudem,
elogiam, criticam.

Lamentam,
afugentam angústias
 e se calam. 

Falam, escutam,
declamam, rimam.

Versos têm alma.

Verso é vida!

(Do livro Abstratos poéticos)
77

Plurais

O tempo nublou
e a chuva virá
ao anoitecer.

Falta humanidade
e botes Salva-vidas.

Discursos plurais,
razões singulares.

Pobre gente!

Em mãos que metem a mão
o poder apodrece.

E o mal floresce.

(Do livro Abstratos poéticos)
85

Às vezes

Às vezes,
nada digo.

Aposso-me de alguma solidão
para acompanhar a minha.

Perco-me 
em labirintos.

Sinto.

Gosto de absinto.

E espalho versos,
pintados de ilusão.

(Do livro Abstratos poéticos)
105

Ficou

Restou um rastro de poesia
em folhas rabiscadas.

Um rascunho de poema,
uma caneta trincada
e um caderno envelhecido
com marcas de café.
 
Tocos abundantes
num cinzeiro enferrujado.

Ficou a vida sem óculos:
 - O poeta foi cegado.

(Do livro Abstratos poéticos)
68

Asas

As palavras vinham com asas.
Eu as ouvia, mas passavam.

Meu tempo de sorrir diminuiu
e elas começaram a retornar
sábias, precisas e experientes.

Nas pedras da caminhada
as ouço tão atuais,
definitivas e confortantes!

É de ti que me lembro,
quando os contos de terror
tornam-se reais:

 - Pai.

 Deus dos meus anseios,
 meu anjo eterno!

(Do livro Abstratos poéticos)
114

Fragrância

O poema fez brotar
lindas flores,  
em essências especiais.

cada verso, uma fragrância.
Cada estrofe, um acorde
com notas olfativas
e concentradas.

Um poema  meigo
e perfumado
para ser sentido, 
para ser abrigado.

E, pela alma,
acalentado.

(Do livro Abstratos poéticos)
82

Notas

Canções intensas sem notas,
versos sem métrica,
amor sem medida.

Nem todas as belezas 
as mãos alcançam.

- Há flores mortas –

E há também 
obstáculos imperceptíveis.

Quando o amor toca a alma
nem o silêncio 
(dos passarinhos)
cessa o voo.

Ele é música,
é poesia,
desconhece fronteiras,
alimenta o espírito
e aniquila barreiras.

(Do livro Abstratos poéticos)
82

Pranto oculto

Por suas estrelas,
a noite é linda,
e a escuridão que
não se vê
é pranto oculto,
latejante,
vulto
que dói profundo.

Escala o mundo
… em vão.

É a estrela mais distante,
entalada na memória
e no semblante.

É como verso acabado
de amor sem amantes.

E a que brilha
é como a velha música
em notas da trilha,
algo grande que antes havia
e não há mais.

Por todas elas 
a noite…
 
Às vezes escura,
às vezes bela.

É como a vida:
 - Eterna espera.

(Do livro Abstratos poéticos)
69

Camafeu

Nozes se abrem
(prensadas),
como olhos sonâmbulos
em altas madrugadas.

Morder os olhos,
sentir o sabor,
e degustar lentamente
semente por semente.

Depois o vento
volta e
sacode a Nogueira.
 
Outros olhos
brancos:
 
inefável Camafeu.

(Do livro Abstratos poéticos)
120

Flores

Abrem-se flores
e sucumbem rápido
os dias setembrinos.

Mas ainda se pode
dormir entre pétalas
uma saudável sesta,
no mar primaveril.

Borboletas se perfumam
inocentes e incautas
no sol florido.

Ao longe, um ruído:
 - Outubro se aproxima.

Lá no alto, uma folha
balança
- bem acima-

dóceis dias.
(Do livro Abstratos poéticos)
105

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