Infusão
O perfume exala, inspirando o rimador. Quente é a poesia. Seu rosto é retrato de vapor abstrato, desenhado no espelho. O verso cafeinado ascende os sonhos dá asas aos pensamentos enobrece a criação e a ternura poética voa. (Do livro Abstratos poéticos)
Último sol
Foi o último sol. depois, o inverno chegou. A brisa cobriu a vida. Nada mais era visível e o que se via não nos via. O branco foi cobrindo os olhos fechados. Silenciados. E os sonhos dormiram eternamente. (Do livro Abstratos poéticos)
Relógios
Os relógios são severos e, as sombras, escassas. Diálogos sumiram, amordaçados pela tecnologia. Vivendo em si, angustiado, o homem se tornou isolado. Distraído, distante. com lobos na alma. (Do livro Abstratos poéticos)
Novos amanhãs
Nas ruas, a população move-se mascarada, atônita. Uma pontinha de vida chora ... Lágrimas mundiais unem nações. Espalha-se a fome e a dor tudo fecha. Mas há o sol, acompanhando o mar e projetando novos amanhãs... Há raios de fé e ondas de esperança, dizendo que ainda devemos sonhar. (Do livro Abstratos poéticos)
Imagens fugazes
Primeiro, a boca, a fala, o encanto... Depois, o beijo. E depois, bem depois: - Os olhos: espelhos frios, fixos e sombrios. Imagens fugazes, detalhes sutis, um olhar... feliz. Como réstia de sol e cheiro de flor. Longe e visível, léguas de um girassol e o sol a acariciá-lo, - suavemente! Na memória, voltam versos, que o vento levou. Era intenso o brilho, mas a vida apagou. Da boca do beijo veio o silêncio que... Para sempre se calou. (Do livro Abstratos poéticos)
É assim
Pouco adianta a mim conhecer teus anseios. Afinal, o mundo é cheio de perigos e ameaças. Por isso, sonhe o possível. Há presunção de culpa deliberada contra a liberdade. E somos só mais um, diante do fuzil municiado. Basta um disparo, nem tão raro, nem tão caro. (Do livro Abstratos poéticos)
A vida passou
A infância passou. Ficaram, no tempo, as vivências de palavras suaves, que preenchiam carências. Há a dor latente (morte natural), último toque dos ‘eus’. O tempo que traz também leva. A despedida não foge. Numa estação qualquer, alguém parte. É o inevitável adeus. (Do livro Abstratos poéticos)
Eternidades
Quase toda noite é escura, mas há exceções. nenhuma certeza é absoluta, há variantes na imaginação. Nem todo breu é sem brilho, são diferentes as visões. Quase todas as sentenças são definitivas, mas há exceções: Nada prende a inspiração e, se há liberdade, não existem, nem mesmo, prisões. Almas não ficam sozinhas. Existe a leveza do voo e, se não bastasse, são tantas as eternidades! (Do livro Abstratos poéticos)
No chão
A lua, até que enfim, (- Quem diria!) vai pousar no meu jardim, deslizando em meu rosto e abraçando meu corpo. Tão docemente e amável! Nenhuma outra intenção, (lua que venero e que me enche de paixão), deitada comigo, aqui no chão. (Do livro Abstratos poéticos)
Às vezes
Às vezes, nada digo. Aposso-me de alguma solidão para acompanhar a minha. Perco-me em labirintos. Sinto. Gosto de absinto. E espalho versos, pintados de ilusão. (Do livro Abstratos poéticos)