E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Sorrir – não o riso que se apaga, mas o longínquo, contundente como fruto e semente.
Feliz o que vai e volta, pedindo bis. (Do livro Abstratos poéticos)
102
Cara e coragem
Cara e coragem, eternas bagagens desta viagem rumo ao fim.
Viver é partir sem apetrechos nem preconceitos, levando a vontade de ir, passo a passo, construindo a história preenchendo lacunas, de lembranças na memória.
(Do livro Abstratos poéticos)
92
A rua
A rua ainda me acolhe em algumas caminhadas.
Tantas vezes, esperançoso, a percorri!
(Espiando em portas nas quais não bati).
Rua da minha mocidade, das folgadas tardes de domingo, do cinema lotado e do bar-café ao lado.
Há tantas outras vielas antigas, Jovens, revitalizadas, mas só tu, rua minha, estás em mim eternizada!
Por ti é que aqui volto e professo minha fé na Catedral.
Teu nome não digo, este segredo levo comigo, nesses passos na área central.
(Do livro Abstratos poéticos)
83
Química
A química é que faz o vaga-lume brilhar e a noite destaca a luz no horizonte de trevas.
Vaga o luzente inocente em seu voo, num lume poético, luzindo no infinito.
Iluminado, o mundo é bem mais bonito.
Luz é poesia.
(Do livro Abstratos poéticos)
110
Metades
O poeta e o poema são confidentes. Cada um sabe o que o outro sente.
Estando próximos ou ausentes.
São discretos.
Comunicam-se, sabiamente.
Elo poético lindo de ver:
- Os dois sabem como ser e se entenderem.
(Do livro Abstratos poéticos)
81
Passagem
Seja via só de passagem. Não plante futuros entre as pedras, nem abane adeuses em cais, em momentos sombrios.
Melhor ouvirmos o vento declamar redemoinho-de-poesias que enchem de alegrias, mesmo que fúteis e vazias.
Sem medo de decepções, mantendo o sonho bem vivo e a felicidade em nossas mãos.
(Do livro Abstratos poéticos)
89
É assim
Pouco adianta a mim conhecer teus anseios.
Afinal, o mundo é cheio de perigos e ameaças.
Por isso, sonhe o possível.
Há presunção de culpa deliberada contra a liberdade. E somos só mais um, diante do fuzil municiado.
Basta um disparo, nem tão raro, nem tão caro. (Do livro Abstratos poéticos)
82
Fragrância
O poema fez brotar lindas flores, em essências especiais.
cada verso, uma fragrância. Cada estrofe, um acorde com notas olfativas e concentradas.
Um poema meigo e perfumado para ser sentido, para ser abrigado.
E, pela alma, acalentado.
(Do livro Abstratos poéticos)
83
Flores
Abrem-se flores e sucumbem rápido os dias setembrinos.
Mas ainda se pode dormir entre pétalas uma saudável sesta, no mar primaveril.
Borboletas se perfumam inocentes e incautas no sol florido.
Ao longe, um ruído: - Outubro se aproxima.
Lá no alto, uma folha balança - bem acima-
dóceis dias. (Do livro Abstratos poéticos)
107
A vida passou
A infância passou. Ficaram, no tempo, as vivências de palavras suaves, que preenchiam carências.
Há a dor latente (morte natural), último toque dos ‘eus’.
O tempo que traz também leva.
A despedida não foge.
Numa estação qualquer, alguém parte.
É o inevitável adeus. (Do livro Abstratos poéticos)