I-LXXV Jaezes de vida e morte
O abuso emocional de se expandir
frisam-me em teus olhos para o que quero sentir;
Leve-me aos lugares que abrigam minha alma amada,
à décima nona ilha onde minha mente é retalhada.
Privilegiado por ter o que perder,
anseio a vingança que trará o prazer de viver.
Que nosso Pai traga amizades fundamentadas,
para que não haja desprezo nem Mondego que me desfaça.
E à fortuna conquistada, peço que, de mim, gênio faça,
para que resgate as paixões dos pressurosos aristocratas,
e que faleçam por sua benevolência amarga.
Pastor de ovelhas e um patrício, um velho na puberdade,
e tão alto quanto as damas da cidade, sobre del Popolo
sucederá o decesso de vossas crueldades.
I-LXVI Jaezes de vida e morte
Nesta noite, ao ganhar o sono,
vi-me em sonhos que se guardam em cômodos.
Doo-me ao paraíso inabitado pelo prazer de nunca o alcançar
e me gabo ao falar: O prazer está no que encontro ao procurar.
Quebrar-me-ia em bilhões,
para ensinar a mim o prazer de sentir,
como vós sois do início ao fim.
Faria do mundo evidente e nunca compreendido,
dando ao povo do leste a chance do nada,
e ao norte, constantes dádivas.
Calaria quem fala, por ser eu quem explana mágicas,
por ser eu quem oriunda do nada e por alados se espalha,
afundando a alma de quem a evolução retarda.
Faria do meu gosto o bom gosto e do instinto um constante suplício,
tornando o fim, o único caminho a mim.
I-XLIX Jaezes de vida e morte
Estou nervoso, mas não por estar mentindo,
temo coisas além de você e deste abrigo.
É a ansiedade por tanto desejar,
a incapacidade de esquecer o mundo que me faz viciar.
E culpa alguma sinto por vê-la chorar,
pois sei que não lhe resta tempo para durar.
Assombras um hipócrita que mata por futuros e julga prostíbulos.
Um fraco do tipo que chora por frustações que não vão embora.
Se julga-me não sei, mas sabes que para alguns o pior ansiei,
pois sou um ingênuo que nos zodíacos fiz-me e acreditei.
Há ainda quem aponte minha bondade santa, vendo-me como criança.
Calado e mutilado por quem permito e por quem insiste, sei que queres
mais uma vítima dessa tormenta, alguém que mostre, na arte, toda fraqueza.
Assim caminho longe e volto sempre, com coração frio e mente quente.
I-LIV Jaezes de vida e morte
Sinto que a vida vale a pena
quando um mortal me tens em mãos
e me corteja, disse ao Pai muitas vezes.
Fui agraciado pelos céus de sábado,
e agora sofro temoroso por um domingo ao acaso.
Um de meus vícios é apostar o que recuperei,
penso o quão péssimo é isso, e concluo ser pior que imagino.
Costumo perder-me na conta de quantos sacrifico
para fazer deste mundo um lugar para mim e meus filhos.
Assim ponho-me louco, para a que a conclusão
de um fim venha, e me arranque a vaidade do corpo.
Real ou não, ainda assim é por você,
vícios não seriam hábitos se não voltassem a acontecer.
Temo um mundo pior por domá-lo,
sofro um pouco menos por ser um amparo.
Oro ser este o último dos que me inspiram a estimar,
pois mal atingi o meio e tantos de ti vi passar.
I-LXIII Jaezes de vida e morte
Se coragem teve, aposto esta alma sobre
o que contou aos teus pais: vida e vida.
Acredito, então, que ouviste o que ouvi,
que sucumbiste pelo que me leva aqui.
Descreva-me, Pai, a sensação de quem
guarda os mesmos segredos que eu,
e de quem emerge, tão lento, que
o derrotismo perde seu eixo, e se encontra,
neste dia, livre de falsos conceitos.
Queres levar-me a estorvar as rodovias novamente.
É mais uma da mesma oportunidade de vida que,
todas as vezes que digo não, soo em vão.
Me irrito por pressupor o que anseio fazer,
me ira acreditar me conhecer.
I-LVII Jaezes de vida e morte
Nas minhas piores ideias,
atrevi dar-me mais que sete dias.
Montei o que me tire a culpa,
mas palavras têm se enferrujado na covardia.
Sobra quem peça perdão pela bagunça que
fazemos dos dias.
Lembro-me do ar escasso de Sodoma,
havia ainda tanto a ser discutido antes daquela escolha.
Mãe estava certa ao dar-me menos de uma semana,
pois já não havia onde por esperança.
O mundo sabia que eu jamais seria como ela,
eu carregava um futuro que seria enterrado depressa.
Por Deus, como foi bom viver,
um dia se desculpará por o que me fez perder.
I-LXX Jaezes de vida e morte
Privilegiado por um amor genuíno,
me entoleço para perder-me na noite seguinte.
A insegurança é o amante que leva meu tempo,
é o que faz de mim um infiel ingênuo.
Como é bom estar sentido no meio desta noite vazia,
onde a hora aponta as mentiras que virão com o próximo dia.
Se o destino permitir-me ir, eu me prenderia aqui.
Sofro por angustia por mais de uma vida,
já mal sinto-me com qualquer energia.
Lembro-me de meu primeiro dia no porão de Fritz,
estava reluzente de perseverança, tendo fé com besteiras mundanas.
Ansioso para o dia seguinte, mantive as paixões presas ao senso,
recordando ter menos que seis dias, pois perdi-me na luz do primeiro momento.
I-LVI Jaezes de vida e morte
Como é bom estar vivo em prantos sob as asas de Piasa,
que, há muito, tem devorado minha raça.
Se meu Pai sonhar por me fora,
matar-me-ei antes desta hora.
É o testemunho de muitos que me faz verídico,
pois pelo pouco que ando já mal me sinto.
A crença de mim vem do inimigo,
a vida que fiz não me serve de abrigo,
e o passado que tracei foi tomado por vitimismo.
Me envergonho das loucuras passageiras e temo as que se permeiam.
É aflição que toma meu coração, pois me perdi nas lutas por paixão.
Queria eu residir aqui, como se, pelo mal, fosse meu teto resistir.
E não me acabaria em mil olhares, seria visto por mim e por Ele,
quem sabe.
I-LIX Jaezes de vida e morte
Lastimo nervoso nas revanches que levantam meu nome,
estive sonhando com outro mundo em silêncio, e notei meu desespero.
Se eu perder uma única vez, não me restará vida para rogar,
e, de novo, a mentira é a saída para me safar.
Na última noite bebi, e exaltei os homens
que me forçaram o que fiz.
Um em particular, recordo de implorar para que
o verão não dure até nos secar.
Para que decida desconciliar,
se é o que nos prende ao altar.
Nada nos faz rico no escuro,
soamos tão lúcidos quanto incultos,
e a mente nós seguramos no mar,
não é que usaremos isto,
mas é o que nos resta amar.
I-LXV Jaezes de vida e morte
Tempo indomesticável sob céus superestimados,
que diz me ver sem que eu queira saber,
no que me esforço humilha-me por ter que crer.
Crente na igreja que se fecha por não ter o que presta,
vejo por vocês quando não há o que resta,
sob um futuro que nos leva sem trégua.
Apressados, disseram-me ir construir seus lares,
a noite está perfeita, mas temem presságios de maus olhares.
Os disse ser eu o último visto por Deus,
e que nenhum traço de desagrado ouvi sobre o que os envolveu.
Mas crianças são sempre espantadas temendo dias que se acabam,
me pergunto ser esta a razão dos cruéis castigos que as matam.
Partilharia minha mente com quem queira,
se, dado a mim, fosse um corpo que me deleita.
Não sei o que fazer, mas é instintivo querer,
é sofrer por tentar ser, e perder por simplesmente viver.
Fascinado, perco-me na época das poucas coisas que me agradam.