I-XXVIII Jaezes de vida e morte
Este fato infundado que afirma ter-me como teu, está sob loucura!
Hoje apego-me à desonra de meu cargo, e não mais me rebaixo.
E quem por carência faça, por paixões insensatas, são donos de mentes devastadas.
Ouvir-te-ia até o fim se permitir-me mudar o que falas de mim.
Daria ao chão o que faz de mim foragido neste mundo perdido.
Aproxime-se de mim, diga fazer isto por si,
surpreenda-me nesta história nossa, dividida entre minha e vossa.
Se ambos tivéssemos direito às partes.
Se permitisse-me ter, além da minha, também a vossa.
Se ainda se encaixassem.
Seriam só partes de um fim sem vantagens.
Recebo-lhe, então, com a maior das alegrias e a menor das gratidões.
Viver o que não me tem pertencido,
sofrer pelo que já havia aprendido,
são exemplos de irônicas misericórdias que tanto dispus-me a receber sem que eu lembre de querer.
I-XXIV Jaezes de vida e morte
[21:31, 29/07/2021] 邪: Sei que não usufruo de alguma importância, acredito vir pela sua. Como está você?
[21:32, 29/07/2021] K: Me falta novidades. Você trouxe alguma?
[21:33, 29/07/2021] 邪: Novas penúrias deixam de ser notícias em vidas de miséria.
[21:35, 29/07/2021] K: É costume do destino nos condenar, não leve para o lado pessoal.
[21:37, 29/07/2021] 邪: Já há alguns anos desde que nos conhecemos, ultimamente pouco temos nos falado.
Conheces esta personalidade melancólica, ameaçando-me sobre um precipício que nunca salto.
Desisto em qualquer instante, afasto-me do fim, e encontro o que de volta me traz. Um dos poucos vícios que prazer algum dá.
[21:39, 29/07/2021] 邪: Dou-me o luxo do egoismo, jogando besteira sobre quem não se importa, porém me conhece.
[21:51, 29/07/2021] K: Sou tal alvo?
[21:51, 29/07/2021] K: Surges por instantes, soltas algo que faz de mim desprezível, então desaparece.
[21:52, 29/07/2021] 邪: Não.
[21:52, 29/07/2021] 邪: És o que és. Consciente do caos que assola, indiferente às vidas que choram.
[21:53, 29/07/2021] 邪: Como sempre digo, se não sou eu quem pensa neste mundo não seria tu quem me explicaria tudo.
[21:53, 29/07/2021] 邪: Esqueces de ti como o deus de quem teme a deus.
[21:54, 29/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras. És tu quem sempre se cala.
[21:55, 29/07/2021] 邪: Sim...
[21:55, 29/07/2021] 邪: Bom, já mal sei como explicar-te o óbvio.
[21:56, 29/07/2021] K: Sei de óbvias coisas que são outras, de tu são as coisas que reflito.
[21:56, 29/07/2021] 邪: Pois então pensas a cada par de meses.
[21:57, 29/07/2021] 邪: Pares para mim incontáveis, trazem sempre outros motivos com os mesmos princípios, e disso para tu és graça, largando-me sem tristeza para o fim, sem felicidade para ouvir o que sabes de mim. Queria eu tirar-te a vontade de qualquer coisa.
[21:58, 29/07/2021] 邪: Fique, então, onde quiser, pois esta maldição encontra-te onde estiver.
[21:58, 29/07/2021] K: O oceano que nos separa é inspiração para exageros. Sofrer em dobro é tão comum quanto pessoas que não vivem pelos outros. Queres quem testemunhe esta descida e sirva de guia aos curiosos por ruínas. Continue com o óbvio. Sinto suficiente para genuinamente querer teu bem.
[21:59, 29/07/2021] 邪: O que quero não queres me dar, e não tenho índole para isso te tomar.
[21:59, 29/07/2021] K: Amor? Dinheiro? Ambos ou nenhum?
[21:59, 29/07/2021] 邪: Sinto-me excessivo, transpondo o complicado.
[22:00, 29/07/2021] K: A maioria de quem se diz gente é.
[22:02, 29/07/2021] K: Tens onde dormir?
[22:10, 29/07/2021] 邪: Ninguém pode sentir, de verdade, a dor do outro, e se torna cômico supor e comparar.
[22:12, 29/07/2021] K: Faria-te melhor sabermos exatamente o que vive?
[02:37, 30/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras.
[06:24, 04/08/2021] K: Fez disto um fim?
[07:24, 08/08/2021] K: 邪?
[04:05, 12/10/2021] 邪: O que o zodíaco mente sobre ti?
[07:11, 12/10/2021] Y: Que meu tempo passa...
I-XXIII Jaezes de vida e morte
Intrigaram quem, um dia, questionou-me sobre minhas armas.
Disseram ter sido eu, um voluntário de devassas jornadas.
Se colocarem-me a prova, inventarei um problema.
Se tirarem meu tempo, direi-lhes ofensas.
Assim, as coisas vão sendo o que são, dando-lhes
o que rir ao caminho do lar, onde ser mais um fez-me enfermar.
Não me dê nomes piores então, se não os meus que já os são.
Diga-me menos dessas bestices malditas.
Mostre o feito, não o que faço,
livre-me de estar nas causas de quem não mato.
E cruzando o limite da alheia liberdade, há quem leve coisas aos outros
apenas para ter quem o indague.
Se questionados, dirão trovas romanas e algumas de gálatas.
Se violentados, seremos nós os donos da famosa marca.
Assim vai esta vida, quase tão cara quanto os sapatos
de quem a banaliza.
E orando por quem nos ampare,
sobra-a nós esperarmos que tais dias acabem.
I-XXVII Jaezes de vida e morte
Soas como um trovão, partindo minha realidade.
Minha mente não tem sido a mesma desde que substituíste meus amigos.
Tens sido um clarão, mostrando-me o lado bom desta cidade ter um fim.
O verão passou por aqui, e desta vez não encontrei seus sinais.
Tenho saído com o Sr. Paul Sartre enquanto penso nos prêmios do mestre Pamuk.
Espero ter o que quero no fim de tantas palavras.
Espero não encontrar o que equivocado me faça.
Assim perambulo pelas obras, sem hesitação, apenas por não suportar um não.
Caímos como relâmpagos, cansados de tudo já inventado.
Ambos restaremos, e apontarei a você a culpa de nos conhecermos.
Voltarei aos céus por asas alheias, preservando um pequeno rancor,
para lembrar-me das vidas que acabaram antes dos dias curarem a dor.
I-XX Jaezes de vida e morte
Pelo maçante cansaço encerro minha oração a Gotardo,
restando-me esta consciência angustiante de minha vida infame.
Sou eu um dos muitos que tanto lembram-me dela,
um dos que, com o bem, jamais justificam o mal.
Com o bem, jamais justificam coisa alguma,
e nada sobra de arrimo à vileza que me encosta.
Acabo-me assim enquanto a fome nada faz em mim:
fazendo da carência uma loucura, e o que invento um passatempo.
E é tarde, pois esperei os artifícios desta Terra,
feliz no presente por acreditar estar feliz no futuro,
comovido com o passado por vê-lo mesmo com muros.
I-I Jaezes de vida e morte
Falho por ingrato ser, certo por orgulho ter,
e se honra alguma resta, que eu não a perca por você.
Todavia, por amor, à prova me poria,
pois são as contradições e as questões que sustentam meus gritos
que faz-me soar convicto.
Honra mantida para ser perdida.
A minha salta, do peito e da alma,
querendo largar-me nesta vida abalada.
É cobiça por calor mundano.
E se és tu quem queimas, morro eu então congelado, eternamente apaziguado.
Pobre carcaça que, por paixão, foi traída neste fim, e até ao fim foi leal a mim.
Matar-me-ia se algo assim a fizesse passar, pois sei que de fato faço.
Contradigo-me querendo viver por você, e querendo pela arte morrer.
E são estas as besteiras que estendem meu tempo,
fazendo de mim um maribundo sem vencimento.
Assim vivo inapto ao que apta tanto vives, amando presentes sem futuros e, Deus, como podes ser feliz?
Quero escrevendo estar como se aqui algo pudesses notar.
Faria de mim todas as vítimas de teus futuros.
Que haja então, um dia, misericórdia que me livra de, nisto, tanto ver coisas,
coisas que servem de pólvora à honra que me fora outrora.
I-III Jaezes de vida e morte
Procurando por você, encontrei o que tem feito-me esquecer. Vi-me amaldiçoando os dias e as escolhas, dando-me em partes a quem dá-me por inteiro. E onde guardo o que tenho de bruto, nada me serviu de joia. Envergonho-me deste homem que, há tanto, escreve anseios que já não mais têm. Quis ver-me feliz aqui, e noto que, feliz, tudo esqueci. E és tu que denotas o que, por desrespeito, tenho feito. Perdoa-me amor por tanto inspirar-me em dor, e que sejas tu a exceção desta vida, rotineira e reprimida.
Faria de ti a pretensão dos anos que me fui casto, e ter-me-ia louco, pois serias um garoto. Então basta-me louco aqui, no confim entre mim e ti. E se fujo do que poderia ter sido, lembro-me que mais disso temos tido. Faço, então, do que quero o que tenho, a fim de livrar-me dos anseios. E espero, tímido e covarde, que me tenhas sempre por sua vontade. Assim encerro dizendo amar-te, temendo descredibilizar esta arte que, no fim, bastaria ser lida por mim.
I-VII Jaezes de vida e morte
Querida mãe,
há anos quero dar-te algumas palavras e receber as suas.
Perdi-me neste péssimo tempo e não quero ser encontrado.
Ouço quem diga meu nome enquanto pensa em outro.
E cansado de tantas vidas aqui, vejo que se tornou um vício me iludir.
Não entendo o mundo, nem este tempo que nos envelhece sem que passa.
Lembro-me de sua antipatia por quem normal se faça,
e vi que talvez, assim, mais goste de mim.
Mas por tanto culpar-me por existir, depressa lembro-me do porquê larguei-te aqui.
Descansa-se, então, com a paz de mim tomada, pois já não creio que justiça haja.
I-XVI Jaezes de vida e morte
Por aqui, matando o tempo, penso em crimes que, sem coragem, não cometo.
E julgando, tenho lembrado-me o que agora traz-me espanto: vivos são evidências que fazem de mim morto, e mortos fazem de mim coisa alguma. Dediquemos então a vida à gente assim, pondo-os a rir ou a se irar, livrando-os de se matar.
Digamos que voar é besteira para um mundo que voa por si só,
que nos leva parados ou não, ansiosos pelo passado, alheios ao futuro.
Encontremos um dia as costas de quem deixamos,
pois tanto ando que sinto-me voltando.
E mesmo quem paciência tem, não a tem quando a perde.
Que confessem então, desta vez, o que fizeram e o que merecem.
Esses homens que, rodeados por fumaça, acham sempre ar para zombar de nossas desgraças.
I-VI Jaezes de vida e morte
No instante em que aqui piso sinto fome,
é como tanto impedem-me de prosseguir.
Acredito em infinitos contextos de vida, mas nesta página já não há o que eu não tenha dito ou vivido.
Tenho debruçado-me sobre diferentes mesas, ainda vindo de romances sem quem me queira.
É que a ambição pela vida é grande, sermos um do outro é só o mínimo para sermos amantes.
Repulsa-me a forma que me ouço, e não me quero calado.
Escuto-me para não ser você quem escuta.
Inconsistência é um presente dado-me de graça para que a esperança nada faça.
Sou, mais uma vez, subestimado por quem superestimo.
O amanhã dos positivos vem fazendo deles apaixonados, e, como piada, mortos pelo acaso.
Sua loucura combina com minha escrita, sua agonia com minha vida.
E que sentimentos são estes que escrevo sem existir? Há, aqui, muito por ti.
Estou certo que esperando por mim estás, pois é sempre minha vez de falar.
E como qualquer outro erro, durmo, sem que eu algo diga, pois para mim és mais uma besteira da vida.
Vida que de nada adianta tirar-me, pois me enlouqueço como quem vive de arte.