I-L Jaezes de vida e morte
Vistes-me descer os céus, por que perguntas de onde vim?
Usas a liberdade mas esqueces da percepção,
exatamente como fui, carregando os homens com ambas as mãos.
Se dificilmente vê-se jovem, perdoe-nos enquanto ainda somos pobres.
Crio o que tens feito, a insegurança alimento,
e me empreguiço para evitar o que tanto tento.
Me apaixono por como ages sob o único sol que vejo,
mas a noite vem, lembrando-me ser ambos criados pelo Mesmo.
Prometa-me então, Charn, que à Londres nunca me levará,
pois me vicio em tu que me mata devagar.
Ouso enraizar-me ao chão,
abafo o mundo, guardo o perigo,
e mal sei sobre a loucura de quem cogita além do instinto.
I-XLI Jaezes de vida e morte
Com única oportunidade,
acendendo o inferno sob o rio Miskatonic,
coberto por santa ingenuidade,
quero quem ouça minhas palavras treinadas.
Tenho ideias melhores para os homens,
escondidas frente aos olhos de Azathoth.
Vivo o anseio pelos dias seguros,
pela luz que leva ao início de tudo.
E se, antes desta chance, der-me um trato,
que eu suba ao Thánatos, e jogue ao Hades,
Voltaire, que tanto fez-me insultado.
I-XLV Jaezes de vida e morte
Quando acabar o prazer, e seu sonho frustrado voltar,
pegue o que tens e dê-me um tempo.
Sei que agirá como se superou,
quando há minutos chorou por tolices menores que o marcou.
Quanto aos meus, não os perdi,
os escrevi para quando eu precise rir.
Mas o cansaço que os feriados me traz,
faz-me dormir antes de me lembrar.
E acordo suando, sob o mal desta cidade que,
há anos, vi-me aqui sonhando.
Não me digo arrependido,
os fantasmas daqui têm me distraído.
E tenho meu tempo gastado assentando esta casa,
um tanto irritado por não haver quem mais faça.
Estou crente que terminarei a noite ansioso,
e desfruto do dia com mau gosto.
I-XXII Jaezes de vida e morte
Perdendo meu tempo transgredindo sete regras básicas,
quero perder o amanhã apreciando quem se diz bom,
apenas para lembrar-me que não melhoro.
Tenho motivos para não parecer convincente quando juro por esta vida,
pois anseio deixa-la enquanto a levo.
Aponte-me ao questiona-los, ouvirá o que eu disse com um pouco mais de besteira.
Já fui visto por aqui sem sequer ser ouvido.
Ao menos fui acusado sem antes ser agredido.
Com alguns delírios à noite, sobre um pai que cita estranhos em Dublin,
dizendo terem uns aos outros, vivendo bem certos ou não, termino mais um dia.
Resta-me sofrer o carma do que tenho dado atenção,
racionalizando ignorâncias de quem finge dar-me compreensão.
É um luto cômico, menos longo que o usual.
I-XXXII Jaezes de vida e morte
Ouvi sobre quem vive nesta ideia como quem vive no rancor.
Estive pressentindo o sentido do fim, e a isto corro como se corresse a mim.
Lembro-me de Árion cada vez que me sinto lento,
pois não sou Jó, nem ao Hades me arrependo.
Lembro-me das coisas vãs e das coisas más,
e disso nada serve-me de martírio ou pesar.
Aponto para os melhores, omito os piores,
faço que julguem quem tudo pode.
Assim sinto me vazio dos pés à cabeça,
oro apenas para sentir-me como Santa Catarina ou Teresa,
acreditando no que há de ruim com clareza.
E aos homens que ostentam gostos amargos,
às mulheres que casam de mau grado,
mostro-me como um refúgio do pecado.
Concebo em mentes cheias de mim,
o único lugar para um bom fim.
I-XXIV Jaezes de vida e morte
[21:31, 29/07/2021] 邪: Sei que não usufruo de alguma importância, acredito vir pela sua. Como está você?
[21:32, 29/07/2021] K: Me falta novidades. Você trouxe alguma?
[21:33, 29/07/2021] 邪: Novas penúrias deixam de ser notícias em vidas de miséria.
[21:35, 29/07/2021] K: É costume do destino nos condenar, não leve para o lado pessoal.
[21:37, 29/07/2021] 邪: Já há alguns anos desde que nos conhecemos, ultimamente pouco temos nos falado.
Conheces esta personalidade melancólica, ameaçando-me sobre um precipício que nunca salto.
Desisto em qualquer instante, afasto-me do fim, e encontro o que de volta me traz. Um dos poucos vícios que prazer algum dá.
[21:39, 29/07/2021] 邪: Dou-me o luxo do egoismo, jogando besteira sobre quem não se importa, porém me conhece.
[21:51, 29/07/2021] K: Sou tal alvo?
[21:51, 29/07/2021] K: Surges por instantes, soltas algo que faz de mim desprezível, então desaparece.
[21:52, 29/07/2021] 邪: Não.
[21:52, 29/07/2021] 邪: És o que és. Consciente do caos que assola, indiferente às vidas que choram.
[21:53, 29/07/2021] 邪: Como sempre digo, se não sou eu quem pensa neste mundo não seria tu quem me explicaria tudo.
[21:53, 29/07/2021] 邪: Esqueces de ti como o deus de quem teme a deus.
[21:54, 29/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras. És tu quem sempre se cala.
[21:55, 29/07/2021] 邪: Sim...
[21:55, 29/07/2021] 邪: Bom, já mal sei como explicar-te o óbvio.
[21:56, 29/07/2021] K: Sei de óbvias coisas que são outras, de tu são as coisas que reflito.
[21:56, 29/07/2021] 邪: Pois então pensas a cada par de meses.
[21:57, 29/07/2021] 邪: Pares para mim incontáveis, trazem sempre outros motivos com os mesmos princípios, e disso para tu és graça, largando-me sem tristeza para o fim, sem felicidade para ouvir o que sabes de mim. Queria eu tirar-te a vontade de qualquer coisa.
[21:58, 29/07/2021] 邪: Fique, então, onde quiser, pois esta maldição encontra-te onde estiver.
[21:58, 29/07/2021] K: O oceano que nos separa é inspiração para exageros. Sofrer em dobro é tão comum quanto pessoas que não vivem pelos outros. Queres quem testemunhe esta descida e sirva de guia aos curiosos por ruínas. Continue com o óbvio. Sinto suficiente para genuinamente querer teu bem.
[21:59, 29/07/2021] 邪: O que quero não queres me dar, e não tenho índole para isso te tomar.
[21:59, 29/07/2021] K: Amor? Dinheiro? Ambos ou nenhum?
[21:59, 29/07/2021] 邪: Sinto-me excessivo, transpondo o complicado.
[22:00, 29/07/2021] K: A maioria de quem se diz gente é.
[22:02, 29/07/2021] K: Tens onde dormir?
[22:10, 29/07/2021] 邪: Ninguém pode sentir, de verdade, a dor do outro, e se torna cômico supor e comparar.
[22:12, 29/07/2021] K: Faria-te melhor sabermos exatamente o que vive?
[02:37, 30/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras.
[06:24, 04/08/2021] K: Fez disto um fim?
[07:24, 08/08/2021] K: 邪?
[04:05, 12/10/2021] 邪: O que o zodíaco mente sobre ti?
[07:11, 12/10/2021] Y: Que meu tempo passa...
I-XXXVIII Jaezes de vida e morte
De pé, diante do crime,
vejo que sorte a minha estar em seu time.
Estavam desoladas em dias romanos,
esmolando o corpo a Giacomo,
por noites longe do chão de Marco,
que sobre Teodoro fez-se espaço.
Minha vida e meu destino foram algo até me descuidar dizendo isto alto:
Ao meu lado, amigas e vestidas, pedi para que fugissem da intriga daquele quem as queria despidas.
Estamos fora do mundo que criamos - disseram as vítimas em prantos.
Apontem então as vistas à Florença, para que, se abatidas, percebam
que quiseram conceber famílias.
Mas o castigo de quem fala é bala,
e vi, orgulhoso, minha noite ser acabada para tê-las salvas.
I-XXXIV Jaezes de vida e morte
Cruzando a fronteira,
desta vez com papeladas, como uma boa moça.
Com motivos melhores, contei-te piores.
E com justificativas tolas, fiz-me de boba.
Homens não ouvem tanto.
Sonhei com tu arruinando meu lar,
cobrava-me milhões pelo prazer de cobrar.
Apontavas tudo como a razão de minha solidão,
vítima de amigos que não me erguem do chão.
Sonhei-te com olhos azuis,
asas douradas, adornado com coisas caras.
Acordei irritada com o calor, e sei que me sentirei melhor
quando o pintar sem qualquer cor.
I-XXV Jaezes de vida e morte
Astro quente que me expulsa da toca, mal fugi de ti e corri de volta.
Escondi-me com aconchego perguntando-me se esse era mesmo o mundo que conheço.
O que não gosto e sou grato, o que, fazendo mal, torna-me maturado.
Vivi o delírio de ter prazer onde não gosto.
E consciente da loucura que sou dono, questiono se tive o que vivi.
Foi-se pior que paixão súbita, foi-se sem despedida, sem decepção e sem briga.
Cem eu mataria por ter-te sem que se extingua.
Assim caio dos céus carregado de cobiça, esquecendo-me da esperança que me movia.
I-XXXVI Jaezes de vida e morte
Pessoas relutam a se tornarem outras,
ainda assim, se eu fosse tu, de novo, aqui não me porias.
É assim tão gratificante ser este herói que se lembra de mim?
O inverno mal apazígua este calor,
que das curtas férias volta irritado.
Tento apressar-me, e me exalto nos passos.
Minhas orações secam as folhas,
e me iludo nesta vitória que não me traz vantagem ou outra.
Desprezo cada segundo que o ego torna-me virtuoso.
Já sofro por ser certo e por desgosto,
e por ver vivo quem quero morto.