Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

n. 1995 BR BR

n. 1995-07-28, Minas Gerais

Perfil
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II-I In a Basement With Bertha Mason

In the shadow of a silent sin, a sense of discord grows within.

Long lost in a tale of old, in silence, my thoughts unfold.

Dreams are shaped by hands not mine, destined for him or the divine.

Evening prayers, a hope for peace, yet bring visions that never cease:

A world designed for you and me, yet from it, my soul yearns to be free.

I learned that kindness is my role, dreaming for others, a part of my soul.

Battles within, a constant fight, fade as I face my inner plight.

A common curse we all bear, my dreams shrouded in a common despair.

Life and death, themes I’d rather not ponder, seeking answers that within me wander.
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Poemas

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I-XLII Jaezes de vida e morte

Tarde, mas antes da noite,

invocaram-me, tanto repetiram,

dezenas suficientes para sentir-me contigo.

Acreditei vagar, mas tratam-me como vivendo aqui.

Dizem sentir como eu, mas não os vejo como vivi:

 

Sobre pegadas de Flammarion,

martelando um sólido céu que nos separa do passado,

por amor e por coisas que jurei nunca dar ao acaso.

 

E por rancor dos jeitosos rostos que, outros,

fizeram-me deixar de ver,

espero Artur compensar-me,

com tal rígida espada,

os frouxos homens desta távola

que nada me puderam fazer.
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I-XXX Jaezes de vida e morte

Caminhando por delírios,

presencio mais do que deva ser isto.

Qual fato rege a vida de quem mal fato é?

Sobra quem eu repudie, imensamente maiores que eu,

afundam meu ego com besteiras de plebeus.

Mas o plebeu sou eu.

 

Já nem sei se mereço o que tenho

ou se merecem o que concebo.

Apenas escrevo como o passado sem carregar pretextos.

Anseio ser visto por quem seja adequado, não por quem repete boatos.

E talvez lugares são os que não sejam aqui.

Lugares que permitam quem queira existir.

 

Mas o ego fala grande,

fazendo-me afundar nesta vida como amante.

Ouvindo Dele o que fieis não entendem, questionando

o que demais os fazem carentes.

E a tarde logo chega, fazendo do breve a oportunidade de sentir-se sóbrio.

E os instantes a prevalência de meu ódio.
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I-XIX Jaezes de vida e morte

Santo reflexo que me orienta à luz,

ergo-me e faleço perante a complexidade do que há.

Tanto sinto fundindo-me a você que pouco sinto ao morrer.

E toda clareza a mim explicada, faz-me querer que sombras haja,

apenas para ser escondido o que tenho de maldito, e o fim dos precipícios.

 

Fascino-me por amar e sofrer de tal maneira que, mesmo falecido, sinto-me contigo.

Foram tantas propostas a mim, e tão poucas minhas aos outros,

poucas estas que, se em vão, manter-me-iam são.

Mas por serem alguma coisa, fazem de mim trouxa.

Este que escreve-se morto e encontra-se vivo,

e vive de seu jeito: do jeito que não se vive.
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I-XVIII Jaezes de vida e morte

Contemplando a vida,
inspirado na saúde e na doença alheia, perdi a melhor parte. 
Um estrondo, desta vez trazendo alguém, que ao ver percebi ser mais de três,
fez-me faltar a disposição à civilidade. 
Fingindo não ser daqui, me desmenti por tanto instruir. 
Mas nada soa fatídico quando se instiga o irrealismo,
fazendo-nos crer andar sob um destino por nós escrito. 

E de tantas ali, todas escolhi,
e de todas, uma ouvi o que, para mim, seria brecha para outros fins. 
Bastei mentir para tornar-me convicto e uma noite ter-me contigo. 
E aos  tropeços ímpios diante de si, veio a ingenuidade que aos homens serve de auxílio:
Via-me tímido e pouco precavido, logo eu, quem tanto sorriu e esta noite constituiu.

Nos sabotamos, criando no erro o que nos faz sentirmos certos. 
Não é mais prazeroso que o contrário, porém é mais que quando nada se faz. 
E desta vez, tudo soa fatídico quando questiono meu destino:
Este que o início com incerteza esperei e o final com convicção aguardei.
Que tenhas mais criatividade que meu fim, e faça de ti alguém sem mim.
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I-XXVI Jaezes de vida e morte

Mais um ano que nada ensina.

Preciso de ti, não preciso?

Consertou si mesmo. Foi por mim, não foi?

Percebi pela forma que dizes fazer por você.

 

Contido no abraço, como quem não atravessou o mundo para ver-me.

É. Eu não preciso de ti, preciso?

Questiono-me enquanto ouço sobre as diferenças das nações.

Estamos falando de nós?

Dizes ter abandonado as praias pelo dinheiro que lhe falta, sem quem lhe prometa, aqui, uma vida adequada.

Se há quem prometa, pergunto-me a razão desta conversa desenfreada.

 

Sugiro lugares para que, como Romeu, possas aguardar-me seguro enquanto concebo o amor como o fim do mundo.

Para a maioria, bati com a cabeça. Para mim, perdi-me na carência.

Matei-me por ti em centenas de suposições. Metade, agora, não faria.

Nego-te o mundo enquanto lhe desejo o melhor.

A indiferença faz disto uma lenda. A platonicidade é o que nos sustenta.

 

O preço para escrever sobre amor é o mesmo do dinheiro.

Queria eu, então, ter ainda mais tempo.

Assim divirto-me como um plebeu,

tendo como única diversão as doenças de quem este reino ergueu.
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I-XVII Jaezes de vida e morte

Estava eu imerso há poucos instantes,

exausto por nadar, pressionado por tanto o ar segurar.

Fui salvo por uma colérica besta que, ao abocanhar-me, fez-me acordar.

E ao lembrar de minha vida, esqueci-me de outras.

Mas não me esqueço daquela que se mostra bela,

que me faz tantas noites perder tentando ela rever.

 

Lembro-me de dias e horas, dos países e das cidades.

Sorte minha ser entre todos o único em seu coração,

pois sou ingenuo como os bobos, e malícia alguma trago das vidas que sofro.

E antes que qualquer coisa eu pudesse a indagar, sumiu-se como mágica,

deixando-me como testemunha de tanta besteira inventada.

E sentindo mais do que lembro, sofro por saudade dessas vidas pintadas ao relento.
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I-XXI Jaezes de vida e morte

Esquecendo pesadelos à medida que tenho outros,

arrependo-me do último que, aos porcos, jogou-me.

Era dor, não medo. Era raiva sem ambição.

E diante da injustiça, pouco me importa ter vida,

importa-me mesmo ser visto como ingênuo sofrendo

por privilégios que não tenho.

 

E quem garante ser eu se os sinais do meu corpo removeu?

Quem de mim lembraria sem as marcas que louvam santos que sofriam?

Estava sem tempo em meu tempo, temendo medos que não temo.

Morrendo como ignorante após décadas sendo hierofante.

Mal mais culpo os males dos meus romances, nem invejo alheias aventuras triunfantes.

 

Carregado ao único mundo que posso ser seu,

fez de minha fé cristã coisa vã.

Vivi pesadelos que fingem matar-me e orei por deuses que fingem libertar-me.

Fizeram das coisas minhas besteiras humanas, coisas de vivo, coisas da Terra.
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I-XXV Jaezes de vida e morte

Astro quente que me expulsa da toca, mal fugi de ti e corri de volta.

Escondi-me com aconchego perguntando-me se esse era mesmo o mundo que conheço.

O que não gosto e sou grato, o que, fazendo mal, torna-me maturado.

Vivi o delírio de ter prazer onde não gosto.

 

E consciente da loucura que sou dono, questiono se tive o que vivi.

Foi-se pior que paixão súbita, foi-se sem despedida, sem decepção e sem briga.

Cem eu mataria por ter-te sem que se extingua.

Assim caio dos céus carregado de cobiça, esquecendo-me da esperança que me movia.
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I-XXIX Jaezes de vida e morte

Quero tentar algo sutil:

Agindo como se o que sucede não acontece,

e o que parece não seja veste,

para viver uma incoerência feliz, perdendo apenas o que dirão me suprir.

 

Então oro por algo certo,

espero só quem volte de lugares péssimos.

Faço de mim da forma que vim,

como minha pele sendo o corpo, não sendo eu só alma sob o Todo.

 

Lembrei de ti toda vez que me vi,

pois sei que lembras de mim por viver o que não conheci.

E antes que morra ingênuo ao acaso,

tento fazer de mim menos coitado.

 

Feliz por besteiras que mal faz-me rir,

olho para quadros que nunca entendi.

Fascina-me saber que passam por aqui,

e me alegro do tempo que resta usufruir.
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I-XXII Jaezes de vida e morte

Perdendo meu tempo transgredindo sete regras básicas,

quero perder o amanhã apreciando quem se diz bom,

apenas para lembrar-me que não melhoro.

 

Tenho motivos para não parecer convincente quando juro por esta vida,

pois anseio deixa-la enquanto a levo.

Aponte-me ao questiona-los, ouvirá o que eu disse com um pouco mais de besteira.

Já fui visto por aqui sem sequer ser ouvido.

Ao menos fui acusado sem antes ser agredido.

 

Com alguns delírios à noite, sobre um pai que cita estranhos em Dublin,

dizendo terem uns aos outros, vivendo bem certos ou não, termino mais um dia.

Resta-me sofrer o carma do que tenho dado atenção,

racionalizando ignorâncias de quem finge dar-me compreensão.

É um luto cômico, menos longo que o usual.
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