I-XXXVIII Jaezes de vida e morte
De pé, diante do crime,
vejo que sorte a minha estar em seu time.
Estavam desoladas em dias romanos,
esmolando o corpo a Giacomo,
por noites longe do chão de Marco,
que sobre Teodoro fez-se espaço.
Minha vida e meu destino foram algo até me descuidar dizendo isto alto:
Ao meu lado, amigas e vestidas, pedi para que fugissem da intriga daquele quem as queria despidas.
Estamos fora do mundo que criamos - disseram as vítimas em prantos.
Apontem então as vistas à Florença, para que, se abatidas, percebam
que quiseram conceber famílias.
Mas o castigo de quem fala é bala,
e vi, orgulhoso, minha noite ser acabada para tê-las salvas.
I-XXVIII Jaezes de vida e morte
Este fato infundado que afirma ter-me como teu, está sob loucura!
Hoje apego-me à desonra de meu cargo, e não mais me rebaixo.
E quem por carência faça, por paixões insensatas, são donos de mentes devastadas.
Ouvir-te-ia até o fim se permitir-me mudar o que falas de mim.
Daria ao chão o que faz de mim foragido neste mundo perdido.
Aproxime-se de mim, diga fazer isto por si,
surpreenda-me nesta história nossa, dividida entre minha e vossa.
Se ambos tivéssemos direito às partes.
Se permitisse-me ter, além da minha, também a vossa.
Se ainda se encaixassem.
Seriam só partes de um fim sem vantagens.
Recebo-lhe, então, com a maior das alegrias e a menor das gratidões.
Viver o que não me tem pertencido,
sofrer pelo que já havia aprendido,
são exemplos de irônicas misericórdias que tanto dispus-me a receber sem que eu lembre de querer.
I-XXIX Jaezes de vida e morte
Quero tentar algo sutil:
Agindo como se o que sucede não acontece,
e o que parece não seja veste,
para viver uma incoerência feliz, perdendo apenas o que dirão me suprir.
Então oro por algo certo,
espero só quem volte de lugares péssimos.
Faço de mim da forma que vim,
como minha pele sendo o corpo, não sendo eu só alma sob o Todo.
Lembrei de ti toda vez que me vi,
pois sei que lembras de mim por viver o que não conheci.
E antes que morra ingênuo ao acaso,
tento fazer de mim menos coitado.
Feliz por besteiras que mal faz-me rir,
olho para quadros que nunca entendi.
Fascina-me saber que passam por aqui,
e me alegro do tempo que resta usufruir.
I-XVII Jaezes de vida e morte
Estava eu imerso há poucos instantes,
exausto por nadar, pressionado por tanto o ar segurar.
Fui salvo por uma colérica besta que, ao abocanhar-me, fez-me acordar.
E ao lembrar de minha vida, esqueci-me de outras.
Mas não me esqueço daquela que se mostra bela,
que me faz tantas noites perder tentando ela rever.
Lembro-me de dias e horas, dos países e das cidades.
Sorte minha ser entre todos o único em seu coração,
pois sou ingenuo como os bobos, e malícia alguma trago das vidas que sofro.
E antes que qualquer coisa eu pudesse a indagar, sumiu-se como mágica,
deixando-me como testemunha de tanta besteira inventada.
E sentindo mais do que lembro, sofro por saudade dessas vidas pintadas ao relento.
I-XXI Jaezes de vida e morte
Esquecendo pesadelos à medida que tenho outros,
arrependo-me do último que, aos porcos, jogou-me.
Era dor, não medo. Era raiva sem ambição.
E diante da injustiça, pouco me importa ter vida,
importa-me mesmo ser visto como ingênuo sofrendo
por privilégios que não tenho.
E quem garante ser eu se os sinais do meu corpo removeu?
Quem de mim lembraria sem as marcas que louvam santos que sofriam?
Estava sem tempo em meu tempo, temendo medos que não temo.
Morrendo como ignorante após décadas sendo hierofante.
Mal mais culpo os males dos meus romances, nem invejo alheias aventuras triunfantes.
Carregado ao único mundo que posso ser seu,
fez de minha fé cristã coisa vã.
Vivi pesadelos que fingem matar-me e orei por deuses que fingem libertar-me.
Fizeram das coisas minhas besteiras humanas, coisas de vivo, coisas da Terra.
I-XX Jaezes de vida e morte
Pelo maçante cansaço encerro minha oração a Gotardo,
restando-me esta consciência angustiante de minha vida infame.
Sou eu um dos muitos que tanto lembram-me dela,
um dos que, com o bem, jamais justificam o mal.
Com o bem, jamais justificam coisa alguma,
e nada sobra de arrimo à vileza que me encosta.
Acabo-me assim enquanto a fome nada faz em mim:
fazendo da carência uma loucura, e o que invento um passatempo.
E é tarde, pois esperei os artifícios desta Terra,
feliz no presente por acreditar estar feliz no futuro,
comovido com o passado por vê-lo mesmo com muros.
I-XXVI Jaezes de vida e morte
Mais um ano que nada ensina.
Preciso de ti, não preciso?
Consertou si mesmo. Foi por mim, não foi?
Percebi pela forma que dizes fazer por você.
Contido no abraço, como quem não atravessou o mundo para ver-me.
É. Eu não preciso de ti, preciso?
Questiono-me enquanto ouço sobre as diferenças das nações.
Estamos falando de nós?
Dizes ter abandonado as praias pelo dinheiro que lhe falta, sem quem lhe prometa, aqui, uma vida adequada.
Se há quem prometa, pergunto-me a razão desta conversa desenfreada.
Sugiro lugares para que, como Romeu, possas aguardar-me seguro enquanto concebo o amor como o fim do mundo.
Para a maioria, bati com a cabeça. Para mim, perdi-me na carência.
Matei-me por ti em centenas de suposições. Metade, agora, não faria.
Nego-te o mundo enquanto lhe desejo o melhor.
A indiferença faz disto uma lenda. A platonicidade é o que nos sustenta.
O preço para escrever sobre amor é o mesmo do dinheiro.
Queria eu, então, ter ainda mais tempo.
Assim divirto-me como um plebeu,
tendo como única diversão as doenças de quem este reino ergueu.
I-XXIV Jaezes de vida e morte
[21:31, 29/07/2021] 邪: Sei que não usufruo de alguma importância, acredito vir pela sua. Como está você?
[21:32, 29/07/2021] K: Me falta novidades. Você trouxe alguma?
[21:33, 29/07/2021] 邪: Novas penúrias deixam de ser notícias em vidas de miséria.
[21:35, 29/07/2021] K: É costume do destino nos condenar, não leve para o lado pessoal.
[21:37, 29/07/2021] 邪: Já há alguns anos desde que nos conhecemos, ultimamente pouco temos nos falado.
Conheces esta personalidade melancólica, ameaçando-me sobre um precipício que nunca salto.
Desisto em qualquer instante, afasto-me do fim, e encontro o que de volta me traz. Um dos poucos vícios que prazer algum dá.
[21:39, 29/07/2021] 邪: Dou-me o luxo do egoismo, jogando besteira sobre quem não se importa, porém me conhece.
[21:51, 29/07/2021] K: Sou tal alvo?
[21:51, 29/07/2021] K: Surges por instantes, soltas algo que faz de mim desprezível, então desaparece.
[21:52, 29/07/2021] 邪: Não.
[21:52, 29/07/2021] 邪: És o que és. Consciente do caos que assola, indiferente às vidas que choram.
[21:53, 29/07/2021] 邪: Como sempre digo, se não sou eu quem pensa neste mundo não seria tu quem me explicaria tudo.
[21:53, 29/07/2021] 邪: Esqueces de ti como o deus de quem teme a deus.
[21:54, 29/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras. És tu quem sempre se cala.
[21:55, 29/07/2021] 邪: Sim...
[21:55, 29/07/2021] 邪: Bom, já mal sei como explicar-te o óbvio.
[21:56, 29/07/2021] K: Sei de óbvias coisas que são outras, de tu são as coisas que reflito.
[21:56, 29/07/2021] 邪: Pois então pensas a cada par de meses.
[21:57, 29/07/2021] 邪: Pares para mim incontáveis, trazem sempre outros motivos com os mesmos princípios, e disso para tu és graça, largando-me sem tristeza para o fim, sem felicidade para ouvir o que sabes de mim. Queria eu tirar-te a vontade de qualquer coisa.
[21:58, 29/07/2021] 邪: Fique, então, onde quiser, pois esta maldição encontra-te onde estiver.
[21:58, 29/07/2021] K: O oceano que nos separa é inspiração para exageros. Sofrer em dobro é tão comum quanto pessoas que não vivem pelos outros. Queres quem testemunhe esta descida e sirva de guia aos curiosos por ruínas. Continue com o óbvio. Sinto suficiente para genuinamente querer teu bem.
[21:59, 29/07/2021] 邪: O que quero não queres me dar, e não tenho índole para isso te tomar.
[21:59, 29/07/2021] K: Amor? Dinheiro? Ambos ou nenhum?
[21:59, 29/07/2021] 邪: Sinto-me excessivo, transpondo o complicado.
[22:00, 29/07/2021] K: A maioria de quem se diz gente é.
[22:02, 29/07/2021] K: Tens onde dormir?
[22:10, 29/07/2021] 邪: Ninguém pode sentir, de verdade, a dor do outro, e se torna cômico supor e comparar.
[22:12, 29/07/2021] K: Faria-te melhor sabermos exatamente o que vive?
[02:37, 30/07/2021] K: Sou sempre eu o dono das últimas palavras.
[06:24, 04/08/2021] K: Fez disto um fim?
[07:24, 08/08/2021] K: 邪?
[04:05, 12/10/2021] 邪: O que o zodíaco mente sobre ti?
[07:11, 12/10/2021] Y: Que meu tempo passa...
I-XVIII Jaezes de vida e morte
Contemplando a vida,
inspirado na saúde e na doença alheia, perdi a melhor parte.
Um estrondo, desta vez trazendo alguém, que ao ver percebi ser mais de três,
fez-me faltar a disposição à civilidade.
Fingindo não ser daqui, me desmenti por tanto instruir.
Mas nada soa fatídico quando se instiga o irrealismo,
fazendo-nos crer andar sob um destino por nós escrito.
E de tantas ali, todas escolhi,
e de todas, uma ouvi o que, para mim, seria brecha para outros fins.
Bastei mentir para tornar-me convicto e uma noite ter-me contigo.
E aos tropeços ímpios diante de si, veio a ingenuidade que aos homens serve de auxílio:
Via-me tímido e pouco precavido, logo eu, quem tanto sorriu e esta noite constituiu.
Nos sabotamos, criando no erro o que nos faz sentirmos certos.
Não é mais prazeroso que o contrário, porém é mais que quando nada se faz.
E desta vez, tudo soa fatídico quando questiono meu destino:
Este que o início com incerteza esperei e o final com convicção aguardei.
Que tenhas mais criatividade que meu fim, e faça de ti alguém sem mim.
I-XXII Jaezes de vida e morte
Perdendo meu tempo transgredindo sete regras básicas,
quero perder o amanhã apreciando quem se diz bom,
apenas para lembrar-me que não melhoro.
Tenho motivos para não parecer convincente quando juro por esta vida,
pois anseio deixa-la enquanto a levo.
Aponte-me ao questiona-los, ouvirá o que eu disse com um pouco mais de besteira.
Já fui visto por aqui sem sequer ser ouvido.
Ao menos fui acusado sem antes ser agredido.
Com alguns delírios à noite, sobre um pai que cita estranhos em Dublin,
dizendo terem uns aos outros, vivendo bem certos ou não, termino mais um dia.
Resta-me sofrer o carma do que tenho dado atenção,
racionalizando ignorâncias de quem finge dar-me compreensão.
É um luto cômico, menos longo que o usual.