Nilza_Azzi

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Eu me lembro todo dia de um amor de salvação, mas esqueço o que queria e as lembranças lá se vão... Nilza Azzi

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Elegia


Canto I
Essa que chora ante o caixão aberto,
Por quem dizias ter amor, eu sei,
Sofre por ti, um pouco, mas decerto
Seu coração lavrou a própria lei,
Na solidão sem tempo do deserto,
Sem abrir mão da liberdade ao rei.
– Sob esse véu que cobre a tal tristeza,
Resiste a alma límpida e coesa.

Canto II
Bem vês agora que escapou inteira
Da servidão que lhe quiseste impor
E na conversa muda e derradeira,
Em teu respeito, um mínimo de dor
Expressa agora, à sua maneira,
Ainda presa ao súbito estupor.
– E nessa lágrima tímida que verte,
Reverencia o teu corpo inerte.

Canto III
Caminha sempre adiante com firmeza,
Embora saiba dar um passo atrás,
Para ajustar-se às leis da natureza
E avançar de forma mais vivaz...
Mantém, consigo, a esperança acesa,
E não espera pelos outros, mais...
– A vida é roda e pelo tempo gira;
O que é verdade, nunca foi mentira.

Nilza Azzi 

 
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Poemas

6

Um dia

Escreverás poemas sobre mim,
quando passar por ti qualquer lembrança,
presente de um amor, quiçá, que avança
desde os começos, sempre rumo ao fim...

Acordarás feliz a cada dia
a perseguir o tempo – ele não para.
Evocarás a flor que te foi cara
e a ânsia de viver – que consumia.

Quando cair o sol, junto ao poente,
e aquela angústia súplice da tarde
mostrar-te, nas entranhas, quanto arde,

fingindo ser-te um fato indiferente,
com as imagens soltas das quimeras,
sonharás esse amor que não quiseras.

Nilza Azzi
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Busca


A palavra que procuro

e vive a fugir de mim
é feita do som mais puro;
tem perfumes de jardim.

Cintila, às vezes, no escuro
das noites longas, sem fim,
mas se apaga quando juro
que não és nada pra mim.

Nilza Azzi
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Ia a Lua


Ia a lua, num passeio com seus raios,
ria solta e leve além da noite azul;
altaneira pelo céu, nos seus ensaios,
enviava doce luz... No extremo sul,

já dormia o velho sol, além de outeiros...
Se na veste branca usava uma estrelinha,
ao reinar, a soberana dos celeiros,
era o sonho do poeta, que detinha.

Se as estrelas lhe serviam de transporte,
do cetim azul das vestes, belas fadas
escolhiam, entre as luzes, quais dispor.

E, no céu, a coalizão tornava forte,
na unidade das matérias coaguladas,
a existência deste mundo multicor...

Nilza Azzi
1 026

Tristeza II


Alegre-se, Tristeza! Não reclame.
Não é que um mar de fatos é confuso?
Decerto cada terra tem seu uso,
e às vezes ele pode ser infame.

Há falsos ideais! Fuja do abuso.
Quem sabe pode haver algum liame
e a vida de outro modo se amalgame,
e o riso surja, mesmo que difuso...

Verdade é que, Tristeza, chega o dia
que a casa vai ficando mais vazia,
porque ninguém se importa e as coisas tristes

afastam o melhor que a vida traz...
Abafe a sua dor, não chore mais;
descubra o picaresco e faça chistes!

Nilza Azzi
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Campos e florestas



É tanto verde, e tão junto,

num espaço até pequeno,
que ficamos sem assunto,
na verdura do terreno.

Nilza Azzi
1 199

Tristeza


Encontrei a tristeza numa esquina;
não lhe dei confiança e, mesmo assim,
com seu jeito sem fé, sorriu pra mim;
essa tristeza é coisa das mais finas!

Muito quis evitá-la, mas por fim,
quando enfrentei a lida matutina
e tive que cuidar da minha sina,
achei por bem trazê-la junto a mim.

Hoje não erro em lhe pedir ajuda
e, embora a minha fala seja muda,
ela mantém comigo um compromisso!

E, se me afunda em longa nostalgia,
logo, já se arrepende e se esvazia...
– Será que nunca mais vai fazer isso?

Nilza Azzi
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Comentários (4)

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yuri petrilli

Belos sonetos!

Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!

Filipe Malaia

Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.

Maria Lima
Maria Lima

Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!