Nilza_Azzi

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Eu me lembro todo dia de um amor de salvação, mas esqueço o que queria e as lembranças lá se vão... Nilza Azzi

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Elegia


Canto I
Essa que chora ante o caixão aberto,
Por quem dizias ter amor, eu sei,
Sofre por ti, um pouco, mas decerto
Seu coração lavrou a própria lei,
Na solidão sem tempo do deserto,
Sem abrir mão da liberdade ao rei.
– Sob esse véu que cobre a tal tristeza,
Resiste a alma límpida e coesa.

Canto II
Bem vês agora que escapou inteira
Da servidão que lhe quiseste impor
E na conversa muda e derradeira,
Em teu respeito, um mínimo de dor
Expressa agora, à sua maneira,
Ainda presa ao súbito estupor.
– E nessa lágrima tímida que verte,
Reverencia o teu corpo inerte.

Canto III
Caminha sempre adiante com firmeza,
Embora saiba dar um passo atrás,
Para ajustar-se às leis da natureza
E avançar de forma mais vivaz...
Mantém, consigo, a esperança acesa,
E não espera pelos outros, mais...
– A vida é roda e pelo tempo gira;
O que é verdade, nunca foi mentira.

Nilza Azzi 

 
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Poemas

3

Sonho

"It kills me that when you pull up FB
that it asks you what's on your mind."  (E. H.)
Ela habitava os sonhos de um poeta
envolta em seda, o branco do vestido
emoldurava o corpo bem brunido
e vinha a ele andando em linha reta.

Juntos buscaram, longe do alarido,
na rua calma, a forma predileta
de conseguir, do amor, cumprir a meta
e levitar, num mundo evanescido.

E fosse o sonho escolha de quem dorme,
e não o mundo onírico, disforme,
ele a teria nua eternamente,

nos braços seus, no amor que, embora ardente,
fosse assim branco, a nuvem solta e leve,
não a ilusão que a vida nos prescreve.

Nilza Azzi
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Tristeza III


Ela passou por mim na rua estreita;
tinha um chapéu caído sobre o rosto.
O céu turbou-se em nuvens indisposto...
Acreditei fosse ela a minha eleita!

Distraída, afastou-se e um tal desgosto
tomou conta de mim, fez-me desfeita,
e sem dar trégua, sempre à minha espreita,
largou-me a alma assim, como um sol posto.

O tempo, que a mantém longe de mim,
é o mesmo a me fazer sentir meu fim,
porque sem ela sou qualquer ninguém...

A tristeza que eu tive, e não me tem,
escorreu-me das mãos qual fosse areia
e fez da rua estreita, a estrada alheia.

Nilza Azzi

 

758

Adeus tristeza


É nas horas tristíssimas da tarde,
quando o dia demora em se acabar
e a luz do sol desperta outro lugar,
que essa dor faz o seu maior alarde...

Era assim, fosse dentro do meu lar
ou na rua, onde a luz, embora tarde,
reverbera, incendeia, abrasa e arde,
em fantasmagoria singular...

Mas um dia aprendi de alguém querido,
que esse fim pode ter outro sentido,
em que a dor sói doer mais passageira:

— Que lição é viver de outra maneira! —
Atrás do fim, caminha um novo início
interminavelmente vitalício.

Nilza Azzi
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Comentários (4)

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yuri petrilli

Belos sonetos!

Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!

Filipe Malaia

Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.

Maria Lima
Maria Lima

Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!