P. Chris

P. Chris

n. 2006

28-11-2006 • Luanda 🇦🇴 • Um Poeta Amador

n. 2006 , Luanda, Angola

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Desarmado

A inspiração vem de qualquer lugar,

Duma decepção amorosa.

A inspiração não tem um lar,

Tão pouco é respeitosa.

 

Ontem, estava tão frustrado,

Pensei que ia morrer.

Sim, fiquei tão pensativo,

Mas hoje ficou tudo bem.

 

Quando se gosta de alguém,

Você quer ir sempre mais além.

 

Sempre foi assim, não é?

Você pode admitir, se quiser.

Quantas vezes aceitamos morrer,

E posteriormente nos arrepender?

 

A paixão nunca teve olhos,

Ansiedade, umas bem grandes.

A paixão quer algo de novo,

E o medo está nem aí para novidades.

 

Quem são os maiores sofistas?

Respondi: os decepcionados.

Quem são os mais pessimistas?

Que respondam os rejeitados!

 

No conhecimento, vi um mapa,

Na realidade, a maior professora.

Existem coisas de que me gabava,

Mas hoje são enormes traidoras.

 

Não me voltarei a rir?

Talvez não me volte a rir

Também aprendi a sentir,

E agora tenho de admitir.

 

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Poemas

10

Paciente Matemático

Ligo e não atendes pela sexta vez.

Suplico e não respondes desde o dia seis.

 

Convido, e negas pela sexta vez.

Aceitas, cá estou plantado desde as seis.

 

Trabalho, mas não sou pago pela sexta vez.

Reclamo, mas sou barrado desde o sexto mês.

 

Tu achas que sou ingénuo?

Doze é igual a seis mais seis.

Enganas-me e perguntas: “Como?”

Acertamos no duodécimo mês.

16

Ao manipulador pergunte

Será que você se conhece?

Se não, ao manipulador pergunte.

Eu não conhecia o meu valor,

Mas o enganador me ensinou.

 

Olhe para o coitado do Simba,

Com sangue real a carregar.

Deixou-se levar pelas sombras,

E entregou seu reino às garras de Scar.

 

Olhe para a nossa Rapunzel,

Com cabelos longos e lindos.

Transformada em prisão por Gothel,

Convencida de um iminente perigo.

 

Olhe para a charmosa Cinderela,

Possuidora duma beleza desmedida.

A madrasta negou-lhe a passarela,

Com medo de que a filha fosse esquecida.

 

Olhe para o Senhor Jesus,

O Filho do Deus Altíssimo.

Foi tentado quando em jejum,

Porém recusou as ofertas do inimigo.

 

Será que você se conhece?

Se não, ao manipulador pergunte.

Eu não conhecia quem sou,

Mas o enganador me mostrou.

15

A Alma de Coríntios

Em Prática

Um beijo diante das crianças pode ser imprudente,

Sei que não fizemos nada de errado.

Podemos fazê-lo em outro sítio,

Ou queremos que isso os perturbe?

 

Não estás a ser fingida, querida,

Apenas devemos cuidar dos meninos.

Podemos assistir noutro dia,

Eles ainda são uns rapazinhos.

 

Por que deixaste o telemóvel nas suas mãos?

Eu já te disse que são apenas crianças.

Aderi ao programa de controle parental,

Este mundo anda cheio de ameaças.

 

Quando crescerem não mais haverá restrições,

Os adultos anda conscientes das regras.

Para as crianças, valem algumas proibições,

Senão, alguns desviar-se-ão
ao longo da estrada.

27

A Alma de Coríntios

á luz de 1 Coríntios 8-10

Disseram-me que era errado beber vinho,

Disseram-me que era errado ouvir as canções.

Disseram que não podia fazer isto, nem aquilo.

Privaram-me até das minhas próprias emoções.

 

Abri as Sagradas Letras e encontrei a resposta,

Encontrei um apelo contra o egoísmo e a irresponsabilidade.

O cristianismo nunca foi apenas um montão de regras,

Mas uma vida a ser vivida com responsabilidade.

 

Cuidado com a consciência dos fracos,

De ser encontrado comendo em templos pagãos.

Sim, tudo me foi permitido,

Porém eu procurarei que para os outros traz edificação.

 

Beber vinho, em si, nunca foi pecado,

E eu não sou julgado por isso.

Ouvir canções, em si, nunca foi pecado,

E eu não sou julgado por isso.

 

Mas devo eu afetar a consciência alheia?

Devo eu escandalizar aqueles por quem Cristo deu sua vida?

 

Cristo não viveu para si mesmo,

E tu também não deves fazê-lo.

Paulo era judeu com os judeus,

E com os
gentios se fez grego.

 

 

 

24

Ansiedade, Validação e Identidade

Entrei para o Escrita por amor.

Agora, preocupa-me as visualizações.

A alma humana sempre ansiou por números.

 

Antes cantavas pela verdade.

Agora, preocupa-te a performance.

A alma humana sempre ansiou por números.

 

Confortado por ter pregado dez.

Agora, frustrado por não ter tido cem.

A alma humana sempre ansiou por números.

 

Decidiu defender a razão,

Agora, desiste por não ter convencido a multidão.

A alma humana sempre ansiou por números.

 

Querias apenas um homem modesto,

Agora, colocas toda a confiança no dinheiro.

A alma humana sempre ansiou por números.

 

Dizemos que os números não importam,

contudo sabemos que é com eles que mais nos importamos.

 

Mas eu desejo conhecê-lo, Deus,

e ser conhecido por Ele.

Então, viverei pelo que
sou, e não por números.

 

 

29

Introspecção

Quantas vezes quisemos ajudar alguém,

Uma voz sussurrou nos nossos ouvidos.

O egoísmo se chateia perante a ideia de dividirmos,

E nos convence que devemos contar com ninguém.

 

Às vezes quero ver-te em cima,

Mas tenho medo que fiques tão alto.

Se queremos ver todos bem de vida,

Donde nasce então todo esse pranto?

 

Humildade é uma questão de tempo,

Ou ainda não me senti em ligeira desvantagem?
O amor pela reputação é mais forte do que o amor por aquilo que é recto,

Não quero ceder, nem ser chamado de covarde.

 

Quanto me preocupo com a opinião dos outros?

Não falei com ele, porque achavam-no pobre demais.
Que faria eu com aquele jovem morto?

Minhas amigas têm todas parceiros especiais.

 

E ri quando lembrei das coisas tolas que fiz,

Porém choro, quando penso nas pessoas que perdi.

A minha consciência sempre soube que estava a mentir,
E agora só me restam lembranças ruins.

Eu quis pedir ajuda, e lembrei que estava deitando tudo a perder.

Quem me dera sentir os teus suaves abraços!

Agora, dentre nós quem dará primeiro o braço a torcer?

Eu amo a mim mesmo, não quero ficar mendigando.

 

Quanto à minha religião, foram os perdidos quem me socorreram,

E o amor surgiu donde poucos esperavam.

Sem textos, nem pregações, eles me converteram,

Com amor, bondade e carinho eles me salvaram.

 

A fé é a prova daquilo em que acreditamos,

Os textos provam a nossa eterna salvação.

As obras confirmam apenas que somos salvos,

O espelho permanecerá sempre um símbolo de reflexão.

 

Então, não importa quão bom sejas,

Olhe para ti mesmo, e depois julgue.

Pela graça, Deus a todos salva,

Olhe para ti mesmo, por favor, examina-te.

 

 

 

 

 

45

O Julgamento Moral

A sentença do Juiz

Todos vós conheceis minha justiça,

Ela é imparcialmente perfeita.

Conheçam, portanto minha sentença,

Ouvi, vós todos, habitantes da terra.


Eu sempre vi os pecados que Elliot cometia.

Contemplava atentamente seu coração obscurecido.

Meus olhos viram as culpas que o envolviam,

E a soberba que brotava naquele menino.


Nenhum erro é inculpável,
por quê o fofoqueiro queixa-se das novidades?

Será porventura a bondade irreconhecível?
Portanto, não há inocência em uma maldade.



Por que razão ser implacável com os outros,

Se todo homem é, por natureza, falível?

Quando desculpas, exiges o dobro;

Mas, quando és desculpado, julgas-te justificável.


Didaskaleion, por que não combates a corruptibilidade?

Por que não verifica as irregularidades?

Por que não julgaste com equidade,

Preferiste o professor corrupto, ao estudante?


Ekklesia, tu viste teus servos soberbos?

Que brigavam loucamente por textos sagrados?

Tu viste os teus bispos  desonestos?

Que pregavam o amor, enquanto os pobres eram explorados?


Oiskos, tu disseste a verdade,

Mas não vi verdade em seu coração.

O amor não deseja maldade,

E tu só desejaste destruição.


Eu conheço todos vocês, mas não sou como vocês.

Todos vós sois imperfeitos, perfeito dentre vós não há ninguém.


A terra julga com evidências, mas eu com o coração,

Se usar de minha justiça, nenhum de vós sairá com perdão.

Arrependam-se, todos vocês são culpados,

Olhei para Elliot, e vi muitos de vossos pecados.


Então, pensem duas vezes antes de falar,

E quatro vezes antes de julgar.


Arrependam-se, nenhuma alma aqui está inocentada.

Vocês querem uma sentença? Já vos foi revelada.

 

34

O Julgamento Moral

Acusação de Oiskos contra Elliott

Oh meritíssimo juiz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.


Vivo com ele até hoje,

Ao meu testemunho prestará sua atenção.

Nenhum cenário nos foge,

Hoje, se nos dará a mão em associação.


Este rapaz é rude, e um grande mentiroso,

Não apenas isso, e também um preconceituoso.

Mais vale um homicida do que um orgulhoso,

E um beberrão do que um religioso.


Os relatos de Ekklesia deixaram-nos pasmados,

E os relatos de École deixaram-nos atordoados.

Como um depravado pode condenar o namoro?

Como um cristão pode ser tão enganoso?


Nós vimo-lo, quando pecava as escondidas.

Nós vimo-lo, quando via o que não devia.

Quantas vezes ignorou o que da Bíblia está interdita?

Quantas vezes negou, o que da sua mente sabia?


O rapaz é um mentiroso,
Merece ser sentenciado.
Precisamos revê-los,
Seus crimes são elevados.




Não foi ele quem condenou as canções?

Mas vimo-lo tocando MCK.

Não foi ele quem condenava os calções?

Mas vimo-lo usar uma da Kappa.


Não foi ele quem disse que devemos buscar os interesses alheios?
Não foi ele quem disse que devemos imitar os essênios?

Ele todo dia lava somente seus calçados,

E sua mãe reclama tanto por ser desinteressado.

 

Não foi ele quem disse que devemos ensinar os caminhos de Javé?

Enquanto abandona seus irmãos a própria sorte.

Não foi ele quem disse que devemos guardar a fé?

Enquanto suas economias matam-nos à fome.


Não foi ele quem disse que devemos ser humildes?

Quando em perigo, não conhece essa posição.

Não foi ele quem disse que devemos estar sempre felizes?

Quantas vezes suas palavras trouxeram-nos frustração?


Quantas vezes afirmou coisas em público?

Conjuro-vos, no oculto ele mal se lembrava.

Enganou a todo mundo, mas a nós ele não engana.


Você é um rapaz rude, e um grande mentiroso.

Não apenas isso, e também um preconceituoso.

Agora sabemos de tudo, não há mais como escapar,

Irás para o inferno, pois é o lugar em que mereces estar.

 

33

O Julgamento Moral

Acusação de Ekklesia contra Elliott

Oh meritíssimo juiz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.


Recebemo-lo quando tinha onze anos,

De fato, não vimos nele nada de especial.

Vimos apenas um rapaz entusiasmado,

Um espírito sedento por competição.


Quão aplicados eram os jovens do seminário,

Achavam textos sagrados igual a algorítmos.

Olhavam e riam-se daquele garoto de onze anos,

Com desejo de entregar seu corpo, alma e espírito.


Por pouco tempo seu orgulho intelectual foi anulado.

Cortou-se renovos do orgulho no coração enraizado.


O tempo passou, dia e noite ele perseverou,

Embora criança, não soube o que aquilo lhe causou.

Mas nós vimos aquela alma sendo devorada,

Pouco a pouco, o legalismo tomava conta da coitada.


O jovem cresceu e o inevitável aconteceu,

Fiéis foram magoados, e a muitos enfureceu.

Matou a moral alheia, sim, ao Rob desfaleceu,

Quantas vezes a Emy, seu coração aborreceu!


Caçoava horrívelmente dos pecados dos outros,

Anunciando o amor, mas sempre teve amor próprio.


Sempre quis provar com textos,

Nunca quis provar com práticas.

Nunca admitiu seus medos,

E nem as feridas causadas pelas sátiras.


Oh meritíssimo juiz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.

32

O Julgamento Moral

acusação de Didaskaleion contra Elliott

Oh meritíssimo juíz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.

 

Recebemo-lo a um tempo atrás,

Sempre foi um garoto educado.

Não sabíamos o que havia detrás,

Quem desconfia dum rapaz de doze anos?

 

Era brilhante em ciências sociais,

Porém pouco sociável. 

Divorciado das ciências naturais,

Afirmou em si mesmo que era descartável!

 

Os colegas achavam-no esquisito,

Alguns até decidiram odiá-lo.

Andava com um pequeno grupinho,

Quanto ao resto, decidiu desprezá-los.

 

Seu orgulho intelectual era insuportável,

Ria-se dos que nada sabiam.

Com um sarcasmo imperceptível,

Escarnecia dos últimos da fila.

 

Aparentava ser um cristão devoto,

Era muito seguro de si mesmo.

Condenava incessantemente o namoro,

Vivia restringido feito um religioso.

 

Dotado de palavras duras,
Embora tivesse um humor divertido.

E com sua honestidade bruta,
Magoava seus elos mais afetivos.

 

Lembro das garotas humilhadas,

Esse rapaz não tem sentimentos

Lembro das almas feridas,

Vítimas de preconceitos.

 

Oh meritíssimo juíz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.

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Comentários (1)

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P. Chris

Algumas poesias minhas estão sendo rectificadas. Agradeceria vossa compreensão.