Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
370
Necrose
Certa vez Eu vi um homem, E ele estava só.
Assim como a noite Tão escura, Quanto suas ideias.
Não havia vida Em seus olhos.
Não havia cultura Em sua boca.
Tão vazio Quanto o espaço Que habitava.
Sobravam-lhe passos Quando suas palavras Findavam.
Suas vestes simples Apenas refletiam, A exclusão em que vivia.
Seus ouvidos cansados Confundiam palavras, Embriagados com tanta mentira. Mesmo assim, Este homem sobrevivia!
O cheiro que exalava Facilmente se confundia, Com sarjetas, esgotos, agonia.
Seus movimentos, lentos, Não eram calculados, Tal homem, não conseguiria.
Era fraqueza, luta! Pelas sobras do meio dia, Restos de uma sociedade Rompida pela hipocrisia.
Não se via os traços de sua mão Esfolada, os calos não permitiam.
Ao longe Impossível saber, Se era ele branco, preto ou amarelo.
Havia tantas vidas mortas Naquele corpo, que dificilmente, Algum sonho, sobreviveria.
Sim, Eu vi este homem só! Despido de toda carne podre ao seu redor.
Livre de pré-conceitos Humilhado o suficiente, Para não julgar.
Sem dinheiro, sem limites, Sem crimes, para se condenar.
Este homem Não tinha permissão da vida, Para a morte lhe causar.
Não seria esta noite Fria e só... Que poderia repousar!
A sociedade uma vez mais Teria que lhe usar, Como exemplo!
Como lamento, como espelho. De como um homem só Embora livre!
Não lhe seja permitido Chorar.
320
Peças lascadas
Apenas mais uma sombra Invisível á tantas outras Que dormem. Uma peça lascada De uma cidade despedaçada. Quadros vivos De uma paisagem petrificada, Pouco admirada Lembrada ou amada. Quem sabe ao amanhecer Mais uma mancha de sangue Se destaque na calçada. Revestida por corpos Pequenas diferenças Que por hora não são nada.
324
Feridas Abertas
Ao segurar a rosa desfolhada Livra de todo pudor a morte, Não é a sombra do medo E tão pouco o medo da solidão. A raiva contida no sorriso E as palavras sutis, Que marcam os desejos Recusados pelo coração. É teu suor, fedido, mórbido, De quem não lutou, não desejou revolução! É o espinho que sangra minha mão, Quase estragando o macio das pétalas. Morte certa pela beleza Da vida, de um amor, Trancado com medo de voar! Pois o vento não consegue levar o sangue Que seco sobra-lhe o chão. Não faz brotar vida nova Tão poucos sonhos belos, Apenas cicatrizes de dias secos Aonde a beleza das flores não curou. Feridas abertas, não cicatrizam, Mesmo feitas pelo amor.
351
Letras soltas
Entre as letras Soltas de uma oração, Um pouco de fé,amor e ilusão! Dedos cruzados Olhares marejados, Trazendo dias e levando anos... Coração morno, sorrisos largos, Buscando nos desencontros Afagos e vontade de viver.
255
Pequeno conto
Um pequeno conto sobre amor
Com corações partidos,
Sorrisos e lagrimas.
Olhares trocados
Papéis rabiscados,
Juras de amor
Dor, sem pudor.
312
Na lona
Na lona
O beijo roubado,
O amor não vivido!
Sobre uma certa luz
Do sol, refletida na lua.
Na lona...
Escondido, delírio,
Sem motivo...
Para levantar,
O corpo só, estendido.
Na lona...
á navegar,
Dentro de um sonho,
No oceano de um olhar.
319
Lugar algum
Alguma porta... Alguma pedra, Algum lugar! Para atravessar... Para jogar, Para visitar! Entre alguns pensamentos... Entre alguns dias e noites, Entre alguns corpos para se desejar!