Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
Entre um gole E outro de falsa ilusão, A realidade rasga a garganta Do pobre cidadão.
300
Ciranda
Você sente Disfarça, canta e encanta! Esconde a tristeza Corre da solidão, E lamenta a falta Da esperança. Tenta se apaixonar Jura não chorar, Entrega seu coração Mas foge da emoção. Joga ciranda Faz os olhos brilharem Finge-se de forte, Faz papel de ingênua. Mas continua sendo A saudade buscando Um porto, um abrigo, Para descansar o coração. E poder se perder Em largos sorrisos, E alguns momentos A razão.
Pablo Danielli
320
Tem fé!
Tem fé Tem dó, Tem força!
Contra o uso Da ignorância!
Contra a arma Politica!
Contra a policia Armada!
Tem fé! Que pra violência Do dia...
Tem a paz e a lagrima Da madrugada.
337
Nem Janela, nem porta
Faltou agua
Acabou a luz,
Comida não tem.
Sofrimento sempre sobra
Em alguma casa
Sem janela e nem porta,
Seja no sul ou no sertão!
A noite é iluminada
Pelos lamentos,
E o sal das lagrimas
É o sustento!
Para a barriga de vento.
Em terra castigada
Pela politica e corrupção
Quem sofre é o miserável
Sem o acesso a saúde
E educação.
Que vive de promessas
Que insistem em se repetir
A cada quatro anos
Ilusão, ilusão, ilusão,
Pela falta de competência
Na escolha de uma nação.
326
Canto
Acende uma vela
Reza pro teu santo!
Por desapego, por desespero,
E algum tipo de encanto.
Enquanto a luz do dia
Espera e te aguarda, como guia,
Pra você sentir a vida
Ao invés de ficar ajoelhado,
Em algum canto.
Lamentando
Por dizeres que sozinhos
Não movem um mundo,
Nem geram espanto.
De pedido em pedido
Impedindo de ser a vida
Que tanto ouve em forma
De melodia e canto!
328
Gado
Políticos nefastos
Que estrupam
O estado.
Deixam o peso
Do país ser carregado,
Por pobres coitados.
Enquanto esbanjam
Falta de caráter e honestidade,
Hoje são suas canetas
Que servem de chicote,
Para o povo
Que sobrevive
Como gado.
317
Outros tempos
Vivemos em tempos Que é mais fácil matar que falar, Tem mais logica culpar Ao invés de se responsabilizar.
Acordamos em dias que O vizinho incomoda, O transito estressa Tudo é feito com pressa.
Anoitecemos com medo Choramos por desespero, E ainda assim esperamos Que tudo mude, sem mover um dedo.
323
Moribundo
Eles te confundem Falam que é importante, Mas quando você percebe Roubam seu dinheiro. Eles te elogiam Te enchem de falsos brindes, Para poder superfaturar Pedaços de chão e giz. Fazem propagandas bonitas Pagam seu gás, compram silencio, Para você continuar como cordeiro Em uma republica de bananeiros, Enquanto os lobos se alimentam Do medo do povo. Jogando pelo ralo sujo O que ainda lhe resta de orgulho, Mostrando que o cidadão não passa De um moribundo.